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Empreendedorismo

- Publicada em 12 de Fevereiro de 2023 às 15:00

Santa Maria é a segunda melhor cidade do Estado para atrair investimentos

Setor da construção civil é um dos que mais tem conquistado empreendedores

Setor da construção civil é um dos que mais tem conquistado empreendedores


TÂNIA MEINERZ/JC
Com uma população de 285.159 habitantes e localizada na região Central do Estado, Santa Maria é apontada pelo Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) do governo federal a cidade ideal para fazer negócios. Divulgado pelo Ministério da Economia (hoje Ministério da Fazenda) em 2022, o ranking destaca a cidade universitária como a melhor do interior do Rio Grande do Sul, a segunda melhor do Estado (perde apenas para Porto Alegre) e a 11ª melhor do Brasil para empreender e atrair investimentos, segundo o ICM do governo federal.
Com uma população de 285.159 habitantes e localizada na região Central do Estado, Santa Maria é apontada pelo Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) do governo federal a cidade ideal para fazer negócios. Divulgado pelo Ministério da Economia (hoje Ministério da Fazenda) em 2022, o ranking destaca a cidade universitária como a melhor do interior do Rio Grande do Sul, a segunda melhor do Estado (perde apenas para Porto Alegre) e a 11ª melhor do Brasil para empreender e atrair investimentos, segundo o ICM do governo federal.

Prefeito Jorge Pozzobom destaca que a cidade importa e exporta moradores

Prefeito Jorge Pozzobom destaca que a cidade importa e exporta moradores


/TÂNIA MEINERZ/JC
Organizado pela Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade (Seae), vinculada ao Ministério da Fazenda, o Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) do governo federal é dividido por regiões do Brasil. Esta é a segunda edição do estudo que teve a participação de 119 municípios formados por capitais e cidades com mais de 250 mil habitantes. Sete cidades do Rio Grande do Sul participaram do levantamento.
Depois da capital gaúcha, é Santa Maria que aparece em segundo lugar no ranking. Para a pesquisa, foram levados em conta o ambiente regulatório municipal, a infraestrutura da cidade, a aplicação dos princípios de liberdade econômica, a segurança jurídica e a tributação.
O prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom, afirma que a cidade é a ideal para investir no Rio Grande do Sul. "Quando se trata de negócios, não podemos dificultar a vida de quem quer empreender. Cargas tributárias elevadas e juros abusivos afastam quem quer abrir uma empresa. Por isso, criamos o Juro Zero, em 2020, que já injetou mais de R$ 4 milhões na economia do município", relata.
Segundo o prefeito, o Distrito Criativo Credi é outro exemplo de incentivo, com créditos de R$ 20 mil a R$ 150 mil para empreendedores do Centro Histórico. "Essas iniciativas favorecem a economia e os resultados estão aparecendo. Somos a segunda melhor cidade do Estado para negócios e a melhor entre as do Interior", acrescenta.
O prefeito destaca também a presença da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com mais de 28 mil alunos que movimentam a economia da cidade. "Temos uma poupança permanente que é o salário dos militares, da prefeitura e da universidade, ou seja, R$ 3 milhões por mês injetados na economia de Santa Maria", explica.
A construção civil também é extremamente forte em função do modelo que está sendo adotado: apartamentos de um dormitório para atender a comunidade universitária. O vice-prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo, diz que a cidade sempre se destacou pela presença da comunidade universitária, o que favorece a construção civil, "considerada a maior indústria de Santa Maria", segundo o vice.
Além da construção dos apartamentos de um dormitório, os empresários do setor estão investindo na construção de lofts. A construção civil de Santa Maria emprega em torno de 2,5 mil trabalhadores de forma direta, segundo o Sinduscon de Santa Maria. Esse número pode chegar em alguns períodos do ano a 5 mil trabalhadores.
A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Ticiana Fontana, recebeu com muita satisfação os dados do ICM. "Santa Maria segue entre os dois principais municípios do Estado (Porto Alegre e Gravataí), ficando atrás apenas da Capital. O destaque é que somos a primeira cidade do interior do Estado, superando municípios maiores", ressalta.
Segundo a secretária, o ICM é um índice que mostra o trabalho realizado há bastante tempo pelo poder público. "Temos um ambiente acolhedor a quem vem empreender. Nos últimos cinco anos, planejamos iniciativas e estratégias para melhorar o empreendedorismo em Santa Maria", acrescenta.
O prefeito ressalta que mesmo enfrentando há 10 anos a tragédia da Boate Kiss, Santa Maria não parou de pensar em se desenvolver. "Conseguimos que a cidade não parasse de empreender e atrair investimentos mesmo com essa dor."
A localização estratégica de Santa Maria é outro ponto destacado tanto pelo prefeito Jorge Pozzobom quanto pelo vice Rodrigo Decimo. O município está localizado no centro do Rio Grande do Sul e possui ligações para qualquer região do Estado pelas BRs 158; 287, 392 e RSC 287. A cidade conta com uma boa oferta de comércio e serviços em todas as regiões e diversas opções de entretenimento e lazer. Santa Maria é uma cidade polo da região central do Rio Grande do Sul, distante cerca de 290 quilômetros de Porto Alegre.
Pozzobom explica que por ser um polo educacional e militar, a cada semestre, Santa Maria exporta e importa novos moradores. "Esse fluxo de pessoas faz com que os habitantes desenvolvam uma cultura de hospitalidade, o que torna Santa Maria uma cidade acolhedora aos que chegam de fora", acrescenta.
O estudo do ICM teve como principal objetivo avaliar a qualidade regulatória e concorrência dos municípios brasileiros. Além de Santa Maria, outras seis cidades gaúchas participaram do ICM, sendo classificadas, respectivamente, na seguinte ordem: Porto Alegre, Santa Maria, Gravataí, Caxias do Sul, Viamão, Canoas e Pelotas.
A avaliação das cidades levou em consideração nove critérios: Empreendedorismo: avaliou o ambiente regulatório municipal para abertura de negócios; Infraestrutura: considerou a infraestrutura e a logística; Construção: examinou os procedimentos necessários para licenciamento de obras e reformas; Regulação urbanística: investigou o acesso e a transparência dos procedimentos necessários aos licenciamento urbanístico; Liberdade econômica: tratou da adesão dos municípios aos princípios trazidos pela Lei de Liberdade Econômica; Concorrência em serviços públicos: avaliou serviços como recolhimento de resíduos sólidos, limpeza urbana, funerários, iluminação pública e educação; Segurança jurídica: analisou o poder fiscalizatório dos municípios; Contratação: avaliou a capacidade do município de garantir ampla concorrência entre todos os agentes interessados em participar de uma licitação. A Tributação: classificou a carga tributária dos municípios visando garantir a isonomia entre os diferentes agentes, e evitar o excesso de benefícios tributários.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Maria, Márcio Rabelo, afirmou que os resultados do ICM são essenciais para o setor de comércio e de serviços da cidade. "Quanto maior a atratividade e a retenção de empreendimentos na cidade, mais oportunidades de emprego e renda são geradas. Isso melhora o poder de compra da nossa população, aumenta a quantidade de dinheiro circulando na nossa economia e incrementa o consumo local", explica.
 

Turismo é uma dasatrações da cidade

Região central do Estado é uma riqueza inestimável para a paleontologia mundial

Região central do Estado é uma riqueza inestimável para a paleontologia mundial


Márcio L. Castro/divulgação/jc
Santa Maria está situada na região central do Rio Grande do Sul, em uma localização que atrai os visitantes pela natureza formada por vales e diversos atrativos naturais, como cachoeiras, cascatas, rios e mirantes.
A região preserva traços das tradições indígenas e dos diversos povos que imigraram e se estabeleceram na cidade, incluindo portugueses, negros, alemães, italianos, libaneses, entre outros, resultando em uma cultura única que se destaca pela gastronomia, religiosidade e festividades.
Distante cerca de 30 quilômetros de Santa Maria está a Quarta Colônia, região composta por nove municípios: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins.
A denominação Quarta Colônia é em função deste ter sido o quarto núcleo a receber imigrantes italianos no final do século XIX, que fixaram residência e povoaram a região. Originalmente, sete municípios compunham a Quarta Colônia de Imigração Italiana, porém, mais tarde os municípios de Agudo, de colonização alemã, e Restinga Seca, de colonização portuguesa, foram incorporados e a região passou a ser denominada somente Quarta Colônia.
A Quarta Colônia é destaque por ter um povo acolhedor, pela gastronomia, pelas construções históricas do início do século XX, pelo belo patrimônio natural e pela cultura preservada dos diversos povos que se estabeleceram no local.
A região central do Rio Grande do Sul é de uma riqueza inestimável para a paleontologia mundial. Por estar localizado em uma área que conserva solos do Triássico, período geológico correspondente a 250 a 199 milhões de anos atrás, o centro do Estado é um campo fértil para descobertas de fósseis de fauna e flora.
Os primeiros achados, os de scaphonix fisheri, foram feitos em Santa Maria durante a década de 1930. Alguns desses fósseis, bem como descobertas posteriores, podem ser encontrados no Museu Vicente Pallotti.
No campo da pesquisa, o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (Cappa/UFSM) destaca-se por suas atividades acadêmico/científicas e pela divulgação da paleontologia em nível regional, estadual, nacional e internacional.
A região central do Rio Grande do Sul foi reconhecida pela revista Guinness como o local onde foram encontrados os primeiros e mais antigos dinossauros do planeta. A publicação explica que como não é possível datar precisamente os fósseis dos dinossauros, a verificação é feita através da datação científica das rochas onde os fósseis estavam.
A partir disso, foi constatado que a Formação Santa Maria, que abrange uma área que vai do município de Venâncio Aires até Mata, tem rochas de até 233,2 milhões de anos, colocando as espécies encontradas nesse território como mais antigas em relação ao que já foi identificado em outros locais.
Entre os fósseis identificados na região, estão o Saturnalia tupiniquim, Nhandumirim waldsangae, Buriolestes schultzi, Pampadromaeus barberenai, Bagualosaurus agudoensis, Gnathovorax cabreirai e Staurikosaurus pricei. Todos eram bípedes herbívoros, relavitamente pequenos, exceto o Buriolestes schultzi e o Staurikosaurus pricei, que eram carnívoros.
 

UFSM recebe 5 mil novos alunos a cada ano

Universidade Federal de Santa Maria  possui 28 mil alunos e 130 cursos de graduação

Universidade Federal de Santa Maria possui 28 mil alunos e 130 cursos de graduação


/TÂNIA MEINERZ/JC
A cidade de Santa Maria é referência em educação com uma ampla rede de ensino público e privado, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, além de diversas instituições de ensino superior, com destaque para a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que tem 28 mil alunos. O município conta ainda com três incubadoras tecnológicas e sedia uma das instalações do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O reitor da UFSM, Luciano Schuch, destaca que a universidade é um grande polo de atração em Santa Maria, no Estado e no País em função da qualificação dos 130 cursos de graduação e pelos projetos da universidade, principalmente na área de inovação.
"Hoje temos a Pulsar, uma incubadora tecnológica que tem 40 empresas instaladas na universidade. Metade dessas empresas são do agronegócio que faturaram R$ 27 milhões no ano passado", destaca.
Schuch informa que as empresas do agronegócio foram responsáveis pela geração de 300 empregos. "É emprego CLT dentro da universidade e projetos da UFSM que saem da instituição de ensino para impactar a cidade", explica.
Schuch cita também o projeto Geoparque na Quarta Colônia em Caçapava do Sul, que traz desenvolvimento através do turismo e do ecoturismo. "São com esses projetos que a sociedade começa a enxergar a presença da universidade na comunidade", acrescenta.
O reitor da UFSM destaca que a instituição de ensino está presente também na área da saúde e no desenvolvimento de ações nas comunidades mais carentes de Santa Maria. O destaque é a realização do Projeto Progredir criado na universidade para qualificar pessoas do CadÚnico.
"São pessoas de baixa renda onde ensinamos desde o artesanato até a produção de uma geleia. Através dessa capacitação ocorre a geração de emprego e renda", explica o reitor.
Schuch destaca que a universidade possui 28 mil alunos, 130 cursos de graduação e 5 mil servidores públicos. O orçamento da UFSM é de R$ 110 milhões - já foi R$ 180 milhões antes da crise na educação superior durante o governo Jair Bolsonaro, que promoveu cortes de verbas nas instituições de ensino superior. "Esses recursos é que fomentam os nossos projetos e a contratação dos serviços de terceirizados. Os valores são utilizados para financiar os alunos da universidade que prestam serviços na comunidade", comenta.
O reitor da UFSM informou que todo o ano chegam 5 mil novos alunos na universidade que ficam de quatro a cinco anos. "Esses novos estudantes movimentam a economia da cidade e depois voltam para suas regiões levando o seu conhecimento e transformando suas comunidades", destaca.
Schuch explica que a comunidade da UFSM contando terceirizados e prestadores de serviço chega a um total de 40 mil pessoas em circulação no campus, no bairro Camobi. Além disso, a assistência estudantil da universidade presta apoio a 2.600 alunos que moram dentro do campus universitário.
São estudantes de baixa renda e de fora de Santa Maria. Além da casa, os estudantes recebem atendimento no posto de saúde, assistência psicológica e odontológica dentro do campus.
 

Santa Maria, a Cidade da Cultura

O prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom, destaca que a cidade é plural, resultado da multiplicidade da sua comunidade e da sua cultura. O município é conhecido como cidade universitária, cidade cultura e mais recentemente pela tragédia da Boate Kiss.
Chamada de Cidade da Cultura, concentra inúmeras atividades educacionais, em especial as relacionadas ao Ensino Superior, que atraem todos os anos alunos de praticamente todos os estados.
A relação entre Santa Maria e a cultura começou a ganhar forma nas primeiras décadas do século XX, quando o município foi palco de diversas exibições teatrais de companhias que vinham de São Paulo e Rio de Janeiro rumo ao Uruguai e Argentina, ou que faziam o caminho inverso.
Além disso, entre 1911 e 1937, foram inaugurados quatro cinemas na cidade, que exibiam um mínimo de oito sessões diárias. Ouros cinemas, como o Cine Glória, também fizeram história em Santa Maria e permanecem até hoje nas memórias e recordações da população.
A cidade conta também com o Theatro Treze de Maio, no Centro Histórico, fundado em 1889. O prédio de estilo neoclássico, está localizado na Praça Saldanha Marinho, e foi construído por um grupo liderado pelo farmacêutico João Daudt Filho, que era ator amador e propôs a criação da Sociedade Treze de Maio em homenagem à Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil naquele mesmo ano.
A partir de 1913, o espaço serviu a outras finalidades e chegou a sediar a Biblioteca Pública Municipal. Em 1997, assumiu o caráter de espaço cultural, sendo palco de diversos espetáculos regionais, nacionais e internacionais.
A cidade é destaque também por ter o segundo maior contingente militar do País, compreendido pela 3ª Divisão do Exército Brasileiro e pela Base Aérea. A economia está relacionada ao seu perfil como centro estudantil e militar, visto que a cidade tem uma renda pública importante oriunda dos militares e dos funcionários públicos federais. Comércio e serviços representam mais de 70% do PIB.
O município também é chamado pelos moradores de "Santa Maria da Boca do Monte". Situada em uma zona de transição entre o Planalto Meridional Brasileiro e a Depressão Central do Estado, a cidade está cercada por morros.
Os morros podem ser visualizados de praticamente qualquer ponto da cidade, compondo paisagens que fazem parte de seu patrimônio natural. Além disso, os distritos da cidade são utilizados para realização de atividades de turismo no meio rural.
 

* Cláudio Isaías é natural de Porto Alegre e jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo, com atuação em diferentes veículos de imprensa do Estado.