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governo federal

- Publicada em 13 de Janeiro de 2023 às 18:32

Rita Serrano anuncia medidas para a Caixa

Posse da nova presidente da Caixa contou com a presença do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad

Posse da nova presidente da Caixa contou com a presença do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad


/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/JC
A Caixa Econômica Federal está suspendendo a concessão do consignado do Auxílio Brasil. De acordo com a presidente do banco, Rita Serrano, a suspensão se deve à revisão do cadastro do programa, que deve voltar a se chamar Bolsa Família, pelo Ministério do Desenvolvimento Social, e também a uma revisão, por parte da Caixa, dos juros da modalidade.
A Caixa Econômica Federal está suspendendo a concessão do consignado do Auxílio Brasil. De acordo com a presidente do banco, Rita Serrano, a suspensão se deve à revisão do cadastro do programa, que deve voltar a se chamar Bolsa Família, pelo Ministério do Desenvolvimento Social, e também a uma revisão, por parte da Caixa, dos juros da modalidade.
O consignado do Auxílio Brasil foi lançado pelo governo federal no ano passado, poucos meses antes da campanha eleitoral, mas foi encampado por poucos bancos do País. A Caixa foi a única entre os de maior porte a ofertar a linha, que teve forte demanda diante do endividamento das famílias brasileiras, mas que foi criticada por especialistas pelo perigo de ampliar ainda mais esse endividamento.
Serrano disse que o banco não trabalha com a perspectiva de perdão aos devedores. Entretanto, pode negociar outros pontos com o governo. "O banco não tem como fazer isso, mas eu acredito que há a possibilidade de negociar com o governo inclusive para baixar os juros", comentou.
A presidente da Caixa disse ainda que o programa de "microfinanças" do banco será reavaliado. "Todos estes produtos principalmente vinculados aos programas públicos serão reavaliados porque o governo também está reavaliando", afirmou a jornalistas após a cerimônia de posse na presidência do banco.
Serrano reafirmou que o governo tem o propósito de voltar com o Minha Casa Minha Vida, rever o cadastro do Auxílio Brasil e voltar com o Bolsa Família. "Todos esses programas de cunho público estão sendo reavaliados pelo próprio governo e naturalmente a Caixa também terá de reavaliar", acrescentou.
A mandatária da Caixa diz que não há definição sobre juros subsidiados para novos programas. "No caso do banco, não há condição de fazer este tipo de análise neste momento", observou.
Quanto ao programa de renegociação de dívidas Desenrola, Serrano diz que pode ser lançado até o começo de fevereiro, mas que o desenho ainda não está fechado.
Em conversa rápida com jornalistas após a sua posse, Serrano afirmou que a Caixa e o Banco do Brasil vão ter papel fundamental, mas que estão sendo feitas várias reuniões no Ministério da Fazenda para encontrar o melhor formato. Ela ainda indicou que o foco devem ser as pessoas endividadas que ganham até dois salários mínimos, de acordo com informações da Agência Estado.
"Estamos fazendo várias reuniões no Ministério da Fazenda para tentar desenvolver um programa para reduzir o número de endividados no Brasil, uma população muito grande, principalmente a população que ganha menos de dois salários mínimos. Mas tenho que esperar, porque não está pronto o desenho, estamos discutindo várias hipóteses."
Funcionária de carreira da Caixa desde 1989, a nova presidente da Caixa é formada em História e Estudos Sociais e tem mestrado em administração pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).
Natural de Santo André (SP), ela é ligada ao movimento sindical na região do ABC, berço político do presidente Lula. Rita Serrano chegou a presidir o Sindicato dos Bancários do ABC entre 2006 e 2012.
Em 2013, exerceu mandato no conselho de administração da Caixa como suplente, na vaga destinada aos funcionários. Em 2017, foi eleita conselheira. É autora de Caixa, Banco dos Brasileiros, em que conta a história da instituição e seu papel na implementação de políticas públicas.
Rita é a quarta mulher a presidir a Caixa. Antes dela, exerceram o comando Maria Fernanda Ramos Coelho (2006-2011), Miriam Aparecida Belchior (2015-2016) - ambas em governos do PT- e Daniella Marques Consentino (2022), indicada por Jair Bolsonaro (PL).
A indicação partiu da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que também escolheu a presidente do Banco do Brasil. Ambos os bancos foram delegados à petista como área de influência como forma de compensá-la por não integrar a equipe de governo.
O ministro Fernando Haddad disse que pretende ter a Caixa como parceiro e reforçou a importância do banco no financiamento habitacional durante os governos Lula e Dilma Rousseff, que permitiram aos mais pobres, por meio de subsídios, acesso à casa própria.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel extraordinário da Caixa no País que, segundo ele, pôde sentir "mais de perto" com o Minha Casa Minha Vida. Para Lula, hoje é a festa de Serrano, não só enquanto presidente empossada do banco, mas também pela história na instituição.
"Você foi escolhida porque tem uma história, porque muita gente me deu referência de você", declarou Lula. "Eu só espero que você dedique à Caixa o que você dedicou como funcionária. Eu tenho certeza de que vamos viver um novo período nesse País." O presidente diz que não costumava tratar os funcionários da Caixa como bancários, mas "economiários". "Eu acho que a Caixa tem um papel extraordinário nesse País, eu pude sentir isso mais de perto quando a gente instituiu o Minha Casa Minha Vida, eu senti a força da Caixa", disse.
 

'A gestão pelo medo na Caixa acabou', diz presidente da instituição em posse

No dia em que a Caixa Econômica Federal completou 162 anos, a representante dos funcionários no conselho do banco assumiu a presidência. Maria Rita Serrano, 53, tomou posse na quinta-feira da semana passada.
"A gestão pelo medo na Caixa acabou", disse Serrano em seu discurso de posse. "Exemplo de resiliência, a Caixa resistiu novamente ao desmantelamento do patrimônio público e à avassaladora política de assédio e medo patrocinada pela gestão do último governo através de seus representantes na direção do banco."
Ela fez referência às denúncias de assédio sexual e moral praticados pelo ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães e relatados por funcionários do banco ao Ministério Público do Trabalho. As denúncias levaram Guimarães a deixar o cargo. Ele nega as acusações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), participaram da cerimônia, realizada em teatro da Caixa Cultural em Brasília. Cinco ex-presidentes da Caixa nas gestões Lula e Dilma Rousseff compareceram ao evento.
"Se hoje o estado conta com o banco público do porte da Caixa é porque, ao longo dessa história, os empregados, entidades e movimentos organizados presentes aqui empunharam a bandeira da defesa e de manutenção do banco público frente às iniciativas de privatização", disse Serrano.
Lula discursou, algo que não estava previsto. Elogiou Rita Serrano pedindo que ela repetisse seu bom desempenho ao longo de seus 33 anos de carreira.
"Só espero que você dedique à Caixa na presidência aquilo que você dedicou como funcionária. Tenho certeza que vamos viver um novo período nesse país. O Brasil cansou de muita tristeza, cansou de muito ódio, de muitas ofensas", disse Lula. "O Brasil conquistou o direito de voltar a sorrir."
O presidente afirmou que vai retomar obras paradas, inclusive as de infraestrutura, que começaram no governo do PT e não foram levadas adiante nem pelo governo Michel Temer, nem por Jair Bolsonaro.