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Reportagem especial

- Publicada em 15 de Janeiro de 2023 às 15:00

Cachoeirinha avança como polo industrial e logístico do Estado

Cidade é caminho para todas as direções a partir da Região Metropolitana

Cidade é caminho para todas as direções a partir da Região Metropolitana


Fernando Planella/Prefeitura Municipal de Cachoeirinha/Divulgação/JC
Eduardo Torres, especial para o JC*
Eduardo Torres, especial para o JC*
Cidade concentra algumas das principais transportadoras do País, que veem na estrutura viária local uma posição estratégica. Agora, Cachoeirinha avança para se manter no centro das atrações de investimentos logísticos no Estado. Na manga, o município tem um atrativo que está na mira de empreendedores: ela é caminho para todas as direções que se possa imaginar a partir da Região Metropolitana de Porto Alegre, dentro das áreas de influência da BR-290 (Freeway), ERS-020, ERS-118, BR-116 e BR-386, e a apenas 12 quilômetros do Aeroporto Salgado Filho.

Cachoeirinha tem chamado a atenção de empreendedores que buscam oportunidades logísticas na Grande Porto Alegre. A localização privilegiada não é o único atrativo. Na verdade, a cidade começa a colher os frutos de um trabalho que começou há mais tempo. O município experimentou, nas últimas décadas, o crescimento do setor industrial. Entre os anos de 1980, 1990 e 2000, esses diferenciais garantiram a Cachoeirinha uma posição estratégica no setor de logística e transportes, com a atração, especialmente, de transportadores para o município.
Agora, após as rápidas transformações econômicas provocadas pela pandemia, Cachoeirinha partiu para a vitrine. Na última Mercopar, além do setor industrial da cidade, o governo municipal tratou de levar aos possíveis investidores a imagem do município como potencial prioridade na nova realidade do mundo da logística.
"A primeira pergunta que todos nos fazem é sobre os acessos, a localização e as distâncias. São os nossos principais atrativos para qualquer investimento", aponta a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Sueme Pompeu de Mattos, que garante ter saído da feira com pelo menos um importante acordo de intenção para futura instalação em Cachoeirinha.
No portfólio da cidade está a localização privilegiada para quem precisa estar perto do maior centro consumidor do Estado e também para quem precisa de um ponto de partida bem servido pelo modal rodoviário para qualquer região do país ou do exterior. Não à toa, entre as 68 empresas instaladas no Distrito Industrial de Cachoeirinha, conforme o governo estadual, 38 são do ramo de transportes ou logística. Considerando o total de empresas no município, este número chega a 220.
"Cachoeirinha é o coração da Região Metropolitana. Temos um setor de transportes bem consolidado, atraído por essa localização privilegiada, mas precisamos estar atentos às exigências do mercado logístico de modo mais amplo, porque as cidades vizinhas têm se movimentado neste sentido e atraído investimentos", diz a secretária ao informar que, neste momento, o município desenvolve um planejamento justamente para garantir esta atração de novos atores da logística para Cachoeirinha. "Temos espaço para crescer, mas é preciso diagnosticarmos melhor toda a nossa infraestrutura e prepararmos este avanço", pontua.
A logística pode ser considerada um elemento que faz parte do DNA da cidade. Muito antes de ser emancipada de Gravataí, em 1965, a principal via de Cachoeirinha, atual avenida Flores da Cunha, era chamada "Estrada do Pedágio". Primeiro, porque, para passar pela ponte de ferro que separava a localidade de Porto Alegre, anda no século XIX, havia cobrança de pedágio como forma de controle da circulação de produtos. Depois, na década de 1930, essa foi a segunda via pavimentada em todo o Rio Grande do Sul e, para custear a obra que representava a ligação entre Porto Alegre e o centro de Gravataí, dois pedágios foram instalados na região.
Com a pavimentação, a primeira indústria instalou-se em Cachoeirinha - Conservas Ritter. Em 1957, quando foi publicada a lei criando o Distrito Industrial de Cachoeirinha, duas indústrias operavam na cidade. Foi só em 1970, com a criação de fato do distrito e a doação de áreas pelo município e o Estado, que o desenvolvimento industrial local iniciou, aquecendo ainda mais entre as décadas de 1980 e 1990, com a saída das indústrias de Porto Alegre e o aumento da importância da Região Metropolitana como ponto de partida de produtos industrializados.
Para atender a este aquecimento, houve também o boom do setor de transporte e logística em Cachoeirinha. Hoje, entre as empresas consideradas as dez maiores transportadoras do País, cinco estão instaladas na cidade. O setor é o terceiro que mais emprega na cidade - com 1850 postos de trabalho -
e 61,4% dos R$ 5,7 bilhões de PIB de Cachoeirinha correspondem ao setor de serviços, que tem a logística como destaque.
A importância do modal rodoviário para Cachoeirinha pode ser percebida nos dados do Ministério do Comércio Exterior. Cachoeirinha exportou 17,3 milhões de dólares (51,7% do total) para a América do Sul, e importou da mesma região, 34,5 milhões de dólares (26,1% do total). As maiores parcelas, da Argentina e Uruguai.
 

Da Região Metropolitana para o mundo

Cardoso destaca que, a cada mês, 27 mil toneladas de cargas circulam nos caminhões da empresa

Cardoso destaca que, a cada mês, 27 mil toneladas de cargas circulam nos caminhões da empresa


Interlink/Divulgação/JC
A transportadora Interlink Cargo, instalada há mais de 20 anos em Cachoeirinha, e empregando atualmente 100 pessoas, está entre as responsáveis pelo grande fluxo de mercadorias a partir da cidade. O diretor Francisco Cardoso destaca que, a cada mês, 27 mil toneladas de cargas circulam nos caminhões da empresa, especializada no transporte no Mercosul.
"Cachoeirinha é um local estratégico para uma empresa como a nossa, que opera no Mercosul. Se você vem da Região Sudeste, pode seguir pela BR-290 ou pegar a BR-116 para o Sul e Fronteira, e terá Cachoeirinha neste anel viário de Porto Alegre. Se vai subir a Serra a partir da BR-116, também tem Cachoeirinha neste meio do caminho. Então, é como um lugar obrigatório nos itinerários. Muito favorável ao setor logístico", explica Cardoso, que também é um dos vice-presidentes da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do RS (Sistema Fetransul).
A empresa instalou-se na cidade no momento em que a operação em Porto Alegre deixou de ser vantajosa. Em Cachoeirinha, dentro do Distrito Industrial, o potencial para novos negócios também se expandiu e a Interlink tem hoje 2,5 mil metros quadrados de armazém.
Com o fortalecimento das compras online e a consequente exigência por maior agilidade e menos custo nas entregas, Cachoeirinha torna-se naturalmente um hub para o setor. Cargas fracionadas, entregas de volumes pequenos ou a cidade como um ponto de parada entre a origem e o destino - em virtude da proximidade de menos de 15 do aeroporto -, como destaca o dirigente do Sistema Fetransul, aos poucos abrem novas oportunidades em Cachoeirinha.
Foi o caso da RTE Rodonaves. A transportadora transferiu a sua operação que era em Porto Alegre para a cidade em junho neste ano. A partir de Cachoeirinha, a empresa atende 22 cidades."É uma operação fundamental para a nossa capilaridade, porque reforça o objetivo de nos mantermos próximos dos clientes", explica o diretor operacional da empresa, Fábio Pires de Andrade.
De acordo com Andrade, a unidade faz parte da regional sul da empresa, com 2,9 mil metros quadrados de plataformas e 110 funcionários. A partir de Cachoeirinha, são movimentadas 2,3 mil toneladas de produtos por mês pela RTE Rodonaves.

Um novo ponto de partida para os produtos do varejo

Grupo Via, dono da marca Ponto Frio, escolheu Cachoeirinha para abrir centro de distribuição

Grupo Via, dono da marca Ponto Frio, escolheu Cachoeirinha para abrir centro de distribuição


Pontofrio/Divulgação/JC
A chave da logística virou em Cachoeirinha ainda antes da pandemia. Foi quando as grandes redes de varejo iniciaram seus investimentos nas vendas online e na entrega mais ágil. Em 2016, a Via, empresa proprietária das bandeiras Ponto Frio e Casas Bahia, inaugurou o seu Centro de Distribuição na cidade. E o local hoje é uma das referências no setor e exemplo do caminho que a cidade pretende seguir.
São 35 mil metros quadrados em área de armazenamento e uma capacidade de entrega no intervalo máximo de 12 horas na Região Metropolitana e de 24 horas no interior do Estado, cumprindo a lógica do "last mile", que é a capacidade de garantir agilidade e bom gerenciamento na última etapa logística, do centro de distribuição ao cliente.
"Este é um ponto logístico estratégico. Temos acesso facilitado às principais rodovias do Estado. Um dos pontos fundamentais para a nossa decisão por esta localização é estarmos na Região Metropolitana, que concentra boa parte do PIB do Rio Grande do Sul, além de muitas das nossas lojas estarem nesta parte do Estado", explica o gerente regional do CD da Via, Taisson Moreira. Atualmente, o CD da Via emprega 100 pessoas diretamente em Cachoeirinha, e outras 250 indiretamente.
Quem também apostou em Cachoeirinha como forma de expandir no mercado a partir do ponto estratégico de distribuição foi a Ramos e Copini Distribuidora de Autopeças. A empresa concretizou toda a transferência do setor administrativo e de estoque da empresa desde Frederico Westphalen para a cidade da Região Metropolitana. E, com isso, iniciou uma nova forma de operar, especialmente neste local.
"Queríamos ter uma participação maior na Região Metropolitana, e depois, no Estado inteiro. Aqui está 36% da população gaúcha, temos mais proximidade com os fornecedores, e, estando ao lado do aeroporto, podemos recebê-los na nossa sede. Era algo muito difícil no Norte do Estado. Além disso, temos muitas opções de transportadoras por aqui", explica o diretor da empresa, Flávio Ramos.
Em um pavilhão de 3 mil metros quadrados, a empresa tem 35 mil itens entre autopeças estocadas. Dali, partem diariamente as peças que abastecem nove pontos de venda próprios no Interior e as peças que são distribuídas a terceiros, e diretamente em oficinas, na Região Metropolitana.
"Temos 32 anos de empresa, e estamos iniciando esta modalidade de distribuição direta, sem o ponto de venda. Para isso, chegamos a procurar por pontos em Porto Alegre, mas Cachoeirinha se mostrou muito mais favorável até mesmo pela qualidade de vida aos nossos funcionários", diz Ramos.
Ele emprega hoje 50 funcionários. Entre a mudança e a instalação da distribuidora de autopeças, a empresa investiu
R$ 1,5 milhão. Um aporte já devidamente compensado. Em quatro meses de operação em Cachoeirinha, a Ramos e Copini contabiliza ganhos médios mensais de
R$ 500 mil em vendas.
 

Formação de gestores também é referência na cidade

Centro Universitário Cesuca criou o curso tecnólogo de Logística

Centro Universitário Cesuca criou o curso tecnólogo de Logística


Cesuca/Divulgação/JC
Não é apenas na infraestrutura que Cachoeirinha liga o radar para manter-se na prioridade dos radares da logística. A formação de especialistas na gestão desses sistemas é um diferencial no momento de um investimento nesta área. "Cachoeirinha é privilegiada na qualidade da mão de obra", comenta o transportador, Francisco Cardoso.
Por isso, o Centro Universitário Cesuca instalado na cidade criou o curso tecnólogo de Logística. De acordo com a entidade, somente nos arredores da sua estrutura, há pelo menos 20 empresas especialistas, entre Cachoeirinha e Gravataí, com capacidade para absorver estes profissionais e com demandas específicas a serem atendidas por esta formação.
"A área logística tem crescido muito, e exige agilidade na formação deste profissional. Todo o processo que está por trás da entrega ágil e da disponibilidade de produtos, por exemplo, no comércio eletrônico, exige a formação de qualidade de quem gerencia tudo isso. Temos diálogo constante com gestores do setor que atuam na região e, a partir daí, detectamos as necessidades. O currículo do curso é baseado nesta realidade", garante a coordenadora do curso de Logística, Caroline Chagas Prates.
Com o chamado Projeto Conecta, na sala de aula os estudantes deparam-se com demandas de uma empresa específica e precisam construir as soluções. O perfil do nosso aluno de Logística é de pessoas que geralmente já trabalham com este setor, mas em áreas operacionais. Nossa necessidade e compromisso é qualificá-los para a gestão da logística. É um curso estratégico para a qualificação do mercado que tem um potencial imenso em Cachoeirinha", diz Caroline. O centro universitário não revela o número de alunos matriculados neste primeiro ano do curso. A entidade tem autorização do MEC para oferecer até 100 vagas.

Atrativos vão de incentivos fiscais à oferta de áreas para novos espaços logísticos

Momento é de reorganização institucional do governo municipal, diz Sueme

Momento é de reorganização institucional do governo municipal, diz Sueme


Prefeitura Municipal de Cachoeirinhal/Divulgação/JC
A concorrência, e talvez o modelo a seguir para garantir a manutenção de Cachoeirinha no topo da logística do Rio Grande do Sul, está na vizinhança. Impulsionada pela duplicação da ERS-118 e por uma estratégia de governo que preparou, durante quase dez anos, o terreno institucional, Gravataí atraiu três gigantes nacionais e internacionais dos condomínios logísticos para o eixo da rodovia duplicada. Garantiu ainda as instalações de gigantes do varejo online e, inclusive, das farmacêuticas, também de olho nas vendas eletrônicas.
"Estamos trabalhando em conjunto com o Sebrae para diagnosticar o que temos e os potenciais que queremos dinamizar nos próximos anos em Cachoeirinha. O momento é de reorganização institucional do governo municipal e, para avançarmos, como por exemplo, Gravataí tem conseguido, precisamos ter um planejamento detalhado e concreto", explica a secretária Sueme Pompeu de Mattos.
Além de gigantes do varejo, como a Via e expoentes dos transportes e distribuição, como a FEMSA/Solística, Cachoeirinha já tem instalados três condomínios logísticos, mas todos com porte menor do que os que operam em Gravataí. Por isso, no horizonte da administração municipal estão ações arrojadas para atração de aportes em logística.
De acordo com Sueme, são estudadas desde incentivos fiscais para o setor logístico até a criação de condomínio logístico público em áreas disponíveis em Cachoeirinha. É que está em pleno andamento a revisão do Plano Diretor do município, que tem entre as propostas do Executivo, a ampliação dos terrenos disponíveis para construção nos arredores do Distrito Industrial.
 

Empresa que nasceu na cidade aposta no futuro promissor para armazenagem

Em 2022, parte dos R$ 20 milhões foram investidos na melhoria da frota para atender o Mercosul

Em 2022, parte dos R$ 20 milhões foram investidos na melhoria da frota para atender o Mercosul


Débora Ferreira/Divulgação/JC
De uma operação inicial com seis funcionários para 110 pessoas envolvidas no processo de armazenagem e transporte. Esta é a transformação que a empresa Corelog tem conseguido em Cachoeirinha.
Somente em 2022, a empresa, especialista em logística, investiu R$ 20 milhões especialmente na melhoria da frota para atender o Mercosul. Para 2023, o plano é chegar a R$ 30 milhões em investimentos entre a compra de mais 20 caminhões e aumento da área de armazenagem na cidade.
Criada em Cachoeirinha, em 2020, a Corelog opera com nove mil posições de palletes em uma área de seis mil metros quadrados. O planejamento, de acordo com o presidente do conselho e um dos fundadores da empresa, Eduardo Eichenberg, é dobrar esta capacidade e o tamanho de todas as operações em quatro anos. Segundo ele, em 2022, a empresa teve um crescimento de 25%, e a meta para o ano que inicia é chegar a 30%.
"Completaremos três anos de operação em fevereiro, e eu diria que hoje temos uma ampla capacidade de crescimento e perspectivas muito importantes para este setor em Cachoeirinha. É uma cidade com um polo industrial, especialmente o metalmecânico, muito forte, e que tem aberto oportunidades para outras áreas, como o setor farmacêutico, que é uma grande aposta nossa em relação ao armazenamento e transporte", explica a CEO da Corelog, Andréia Tresoldi.
 

Cachoeirinha está pronta para o mercado logístico?

Empresa hoje opera também com unidades na Bahia e no Rio de Janeiro

Empresa hoje opera também com unidades na Bahia e no Rio de Janeiro


/CORELOG/Divulgação/JC
A partir de Cachoeirinha, a Corelog hoje opera também com unidades na Bahia e Rio de Janeiro, e transporta cargas nacionais e internacionais. Uma expansão que teve início, como recorda Eduardo Eichenberg, em uma sala comercial na própria cidade. Foi naquele período que, mesmo diante do momento de aquecimento do setor logístico, eles esbarraram na atual limitação estrutural de Cachoeirinha.
"Optamos por Cachoeirinha pelas vantagens viárias. No entanto, levamos em torno de seis meses para encontrar um espaço que fosse adequado para uma operação logística como é necessário hoje. Isso ainda limita alguns investimentos na cidade", avalia.
Uma constatação que o corretor de imóveis Tarso Antinolfi, da imobiliária Área Dez, especialista em imóveis industriais e logísticos, corrobora. "As maiores dificuldades que encontramos em galpões fora dos condomínios logísticos é justamente na adequação destes espaços. O construtor ainda não percebeu que, para receber este novo boom logístico da cidade e da região, precisa oferecer certas condições diferenciadas. Hoje, mais de 70% destes galpões não oferecem docas suficientes ou espaço de manobra para caminhões conforme a exigência dos investidores", aponta.
Os pavilhões, explica ele, precisam ter, no mínimo, nove metros de altura e resistência em torno de seis toneladas no piso. Fora dessas medidas, o que seria um investimento se torna custo e demora na entrega do imóvel.
"Somente neste ano, perdi em torno de 20 clientes de fora do Estado pela ausência dessas estruturas mínimas. É uma questão de percepção do empresário que investe em áreas e imóveis na cidade. A cidade tem muitas áreas para expansão neste sentido, mas precisa estar atenta, ou vai perder para os municípios vizinhos", alerta Antinolfi.
A imobiliária fechou, em 2022, pelo menos oito negociações com empresas logísticas em Cachoeirinha. Clientes que buscam imóveis com no máximo 30 quilômetros de distância de Porto Alegre e, em sua maioria, para locação.
 

Retomar a 'Rodovia do Progresso' é objetivo depois da duplicação da ERS-118

Se o cenário para o setor logístico é favorável para Cachoeirinha nos próximos anos, boa parte dele é garantido pelas novidades em relação à infraestrutura rodoviária que cerca e cruza a cidade. E, se depender da mobilização dos empresários e do poder público local, ainda poderá melhorar, com a retomada do projeto de construção da ERS-010.
A chamada Rodovia do Progresso, que começou a ser defendida pelas indústrias locais lá em 1988, ganhou fôlego na década passada e, depois de estudos de viabilidade encomendados pelo governo estadual em 2021, agora está em impasse.
Entidades empresariais locais defendem que o projeto, que exigiria em torno de R$ 1,1 bilhão em investimentos - quase três vezes mais do que foi gasto pelo Estado para duplicar a ERS-118 em 20 anos -, seja incluído no Programa Estadual de Concessões de Rodovias.
Este projeto completaria um conjunto de ações que, gradativamente, retira o movimento de logística de circulação nas vias urbanas de Cachoeirinha. O resultado destas ações é maior agilidade e redução de custos ao empreendedor e ao poder público local.
Parte disso já foi garantida com a conclusão da duplicação da ERS-118 e com a criação de novos acessos de Cachoeirinha à BR-290, além da recente duplicação da avenida Frederico Ritter, que é uma das principais vias de acesso e circulação do Distrito Industrial.
A nova rodovia, com pouco mais de 41 quilômetros entre Porto Alegre e Sapiranga, teria em torno de nove quilômetros - conforme duas das quatro alternativas de traçado avaliadas pelo DAER em 2021 - passando por Cachoeirinha como uma via rápida que ligaria a BR-290, ainda em Porto Alegre, à ERS-118, evitando cruzar trechos urbanos da cidade e encurtando o caminho em direção à Serra e à BR-386.
"Imagino a Rodovia do Progresso com polos industriais e de educação às suas margens. É possível traçar esse caminho de forma rápida, contribuindo realmente para o progresso. A Rodovia do Progresso é a nossa busca", disse o presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), Jeferson Gorziza, durante a Feira de Negócios e Inovação de Cachoeirinha (FniC) de 2022.
Pelo menos até o final de 2022, o projeto não foi incluído no Bloco 1 das concessões de rodovias estaduais, tampouco foi apresentada pelo governo estadual alguma outra forma de financiar o projeto.

*Eduardo Torres é jornalista, com passagens pelos jornais Zero Hora, Diário Gaúcho e Correio de Gravataí.
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