Um dos setores mais atingidos pelas medidas restritivas adotadas para conter o avanço da pandemia de Covid-19, o intercâmbio estudantil começa a se recuperar e aposta em 2023 como o ano da virada para o segmento. A avaliação é de Christina Bicalho, COO (Chief Operating Officer, ou diretora de operações, na tradução livre, do STB - Student Travel Bureau - uma das principais consultorias em educação internacional do País. Natural de Belo Horizonte, é formada em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Por acreditar que as trocas culturais e educacionais são capazes de transformar as pessoas para sempre, além de diretora de operações do STB, atua também à frente do Global Access Through Education (GATE), projeto que tem como compromisso trazer para o Brasil conteúdo sobre educação global.
Empresas & Negócios - O setor de intercâmbio foi um dos mais atingidos pelas restrições necessárias para barrar o avanço da Covid-19. De que forma o STB enfrentou os períodos mais críticos da pandemia?
Christina Bicalho - Com transparência e bastante responsabilidade. Nós nos mantivemos o tempo todo em contato com as embaixadas dos destinos para onde oferecemos programas de intercâmbio, além de termos updates constantes dos nossos parceiros no exterior para estarmos sempre informados sobre as restrições e regras atualizadas de segurança e embarque para cada destino. Dessa forma, conseguimos manter os nossos clientes informados, evitando transtornos durante esse período.
E&N - Quais lições ficaram para o setor de intercâmbio?
Christina - O intercâmbio é um projeto de vida que se difere de uma viagem de lazer. Durante a pandemia, esse sentimento se consolidou ainda mais. Diante da impossibilidade de embarcar, a maioria dos nossos clientes toparam reagendar seus programas, mesmo sem saber quando poderiam embarcar, pois entendem que o investimento em educação internacional tem a ver com propósito, com a realização de sonhos, mas também com impacto direto no futuro que buscam para si e suas famílias.
E&N - O virtual ganhou mais espaço na vida das pessoas. Como retomar o presencial?
Christina - A pandemia e a imposição do isolamento social fizeram com que as pessoas chegassem em 2021 e 2022 com ainda mais vontade de viver as experiências fora das telas, construindo novas conexões reais. Ainda que a tecnologia tenha evoluído e que exista inúmeras experiências imersivas incríveis, nenhuma delas é capaz de simular a experiência e os aprendizados de fazer um intercâmbio. Além disso, a pandemia fez com que muitas pessoas repensassem seus objetivos de vida, carreira e até mesmo retomassem sonhos antigos, entre eles o intercâmbio. Outro ponto que podemos destacar é a tendência do lifelong learning, que também ganhou ainda mais força após a pandemia. Em períodos de extrema mudança, é natural que as qualificações buscadas nos profissionais também se transformem e isso faz com que as pessoas entrem em um estado de constante busca por atualização e novas qualificações profissionais. Nesse contexto, o intercâmbio também surge como uma excelente oportunidade não só para profissionais que querem se destacar no mercado de trabalho, mas também para aqueles que precisam se adequar a novas funções ou até mesmo fazer uma transição de carreira.
E&N - Quais são as expectativas para 2023?
Christina - Acreditamos que 2023 será um ano de retomada forte do segmento de intercâmbio e educação internacional. Nosso setor foi muito impactado durante a pandemia de Covid-19. Em 2022, tivemos um ano complexo com reestruturações acontecendo em vários setores internacionais que atingiram as companhias aéreas, embaixadas e consulados, escolas, universidades e acomodações. Apesar de 2022 ter sido um ano complexo, foi bem melhor que 2020, ano de pandemia quando estávamos com as fronteiras fechadas. Acreditamos ter boas expectativas com países que estão abrindo mais possibilidades, como o Canadá, onde estudantes internacionais podem trabalhar e, posteriormente, trabalhar. Na Europa, universidades e escolas estão oferecendo produtos e programas com preços mais competitivos para o mercado brasileiro. Por essa razão, acreditamos que 2023 será um ano muito bom. Apesar de termos um dólar na faixa de R$ 5, as pessoas querem fazer intercâmbio e ter uma experiência de educação internacional, por considerarem um passo importante em suas carreiras.
E&N - Qual é o perfil do público que busca o STB?
Christina - O STB oferece diversas opções de programas no exterior, para todas as idades e diferentes objetivos educacionais e de carreira. Nosso portfólio contempla programas para adolescentes interessados em estudar nas férias escolares ou até mesmo em cursar o High School no exterior, além de programas de Higher Education, para o público que busca formação profissional no exterior, como cursos de graduação, especialização e mestrado.. Oferecemos também cursos de idiomas em diversos países e, inclusive, muitos deles oferecem ótimas oportunidades para quem busca estudar e trabalhar fora do Brasil. Apesar de grande parte do nosso público ter entre 24 e 35 anos, o que todos os nossos estudantes têm como motivação em comum é o fato de que buscam a melhor experiência em educação internacional e procuram por uma empresa que tenha expertise para garantir a qualidade, segurança e sucesso dessa experiência.
E&N - Qual a participação do mercado do Rio Grande do Sul nos negócios do STB e o perfil do consumidor gaúcho em relação ao restante do País (há características específicas?)
Christina - O STB está presente no Rio Grande do Sul há mais de 30 anos e sempre tivemos ótimos resultados na região. O gaúcho é bastante preocupado com educação de qualidade e investe bastante em sua educação e na de seus filhos e familiares. Nos últimos anos, tivemos um crescimento considerável na procura por programas de Higher Education, principalmente para cursos de graduação em destinos como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.
E&N - Quais países e cursos mais procurados? Por quê?
Christina - Depende bastante da faixa etária que considerarmos. Para a faixa dos 13 aos 17 anos, os programas de High School continuam sendo bastante procurados, com destaque para os cursos que acontecem em Boarding Schools. No entanto, cada vez mais, cresce a procura por programas de intercâmbio que acontecem nas férias escolares e que mesclam a oportunidade de viver uma experiência internacional em um curto período com a oportunidade de ter aulas vocacionais que poderão prepará-lo para a universidade. Os programas de Higher Education, para cursos de graduação, especialização ou pós-graduação no exterior, também aumentaram bastante a procura entre os estudantes com 17 e 20 anos (graduação) e 25 a 40 anos (pós-graduação). Os cursos de idiomas continuam sendo bastante buscados por quem tem de 18 a 25 anos. No entanto, quem já tem um bom nível de inglês, têm optado por programas mais voltados para a carreira e formação profissional, como cursos de curta duração em faculdades renomadas ou até mesmo outros programas que ensinam o idioma com foco em áreas específicas. Entre os destinos mais procurados estão Estados Unidos, Inglaterra e Canadá - este último, ganhou bastante destaque pós-pandemia por oferecer, entre outros benefícios, um caminho possível para brasileiros que pensam em emigrar por meio da educação.