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reportagem especial

- Publicada em 20 de Novembro de 2022 às 22:52

Rua da Praia cresce no entorno da Casa de Cultura

Área entre as ruas General Bento Martins e Caldas Júnior, na altura da Casa de Cultura Mario Quintana, vive uma efervescência comercial que contrasta com outros trechos da Andradas

Área entre as ruas General Bento Martins e Caldas Júnior, na altura da Casa de Cultura Mario Quintana, vive uma efervescência comercial que contrasta com outros trechos da Andradas


/Setor de Imagem da Prefeitura de Porto Alegre
Pedro Carrizo, Especial para o JC *
Pedro Carrizo, Especial para o JC *
Em pouco mais de um ano, ao menos 10 novos comércios foram inaugurados ou mudaram para a Rua dos Andradas, a tradicional Rua da Praia, no Centro Histórico de Porto Alegre. O curioso é que todos eles estão concentrados em apenas duas quadras da via, entre os 350 metros que separam a rua General Bento Martins e a rua Calda Júnior, ponto onde também vive a Casa de Cultura Mário Quintana.
Neste trecho, tradicionalmente boêmio e movimentado, a reportagem do JC apurou que abriram ao menos 5 novos restaurantes entre 2021 e 2022, além de franquias de sorvetes e doces, uma farmácia e uma loja de produtos coloniais. A maioria desses novos pontos ocuparam espaços que antes estavam vazios.
Uma das lojas âncoras da região é o supermercado Zaffari, que funciona ali há seis anos. Mais antiga, a Casa de Cultura Mário Quintana, principal atração deste polo que vai da rua Bento Martins até a Praça da Alfândega, está com todos os seus espaços comerciais alugados pela primeira vez em 10 anos, incluindo o café do último piso, que estreou ali em novembro de 2021, e um restaurante na travessa, ainda mais recente.
"Além de ocupar todos os 5 espaços comerciais, priorizamos atrair negócios que se relacionassem com o ambiente cultural da Casa. Isso trouxe uma revitalização para a instituição e comércios mais aprazíveis para a rua dos Andradas", diz o diretor geral da Casa de Cultura Mário Quintana, Diego Groisman.
De acordo com Groisman, a média de visitantes diários deu um salto neste ano, para cerca de 3 mil e, pela primeira vez na história, a Casa de Cultura Mário Quintana está aberta todos os dias da semana.
Essa retomada do comércio no Centro Histórico pode ter algumas explicações, como a flexibilização da circulação após a pandemia e a volta das pessoas ao trabalho presencial. Mas acontece que o ânimo dos empreendedores localizados nos arredores da Casa de Cultura (e dentro dela) é bem distinto ao de outros empresários em trechos diferentes da rua dos Andradas, o que indica que possa haver um fator específico movimentando a economia do pedaço entre a rua Gen. Bento Martins e rua Caldas Júnior.
Nos outros cerca de um quilômetro da via (entre a Praça da Alfândega e a Praça Dom Feliciano), o que chama mais atenção, além da inauguração da primeira Starbucks do Centro Histórico, na Galeria Chaves, são as cortinas de ferro com placas de "Aluga-se", que parecem ignorar o alto e constante movimento de pessoas. A maioria é resultado da crise que o Covid-19 trouxe à economia do mundo.
Entre as placas de "Aluga-se", uma está colada na loja de dois andares e vitrines largas, localizada na esquina dos Andradas junto à Dr. Flores, onde antes havia uma loja de roupas femininas. O ponto sempre foi privilegiado por estar próximo a duas redes concorrentes e conhecidíssimas de fast-food.
Outros comércios vagos que também chamam atenção estão no trecho entre a rua General Câmara e a avenida Borges de Medeiros, próximo à Esquina Democrática. Este trecho contava com 6 placas de "Aluga-se" em lojas fechadas no final de outubro, quando a reportagem do JC verificou ponto por ponto.
Acontece que até pouco tempo atrás não se via lojas fechadas por ali. Pelo contrário, a principal pauta dos lojistas era contra o comércio clandestino que ocupava o trecho.
Atualmente, o número de vendedores clandestinos no local é muito menor do que um dia já foi, fruto da guarnição constante da Guarda Municipal. Mesmo assim, houve uma debandada de lojistas desde a eclosão do coronavírus.
A antiga Rua da Praia, berço de Porto Alegre e ponto de partida de uma capital que se espalhou pelas margens do Guaíba ao longo de 250 anos, definitivamente vive hoje duas realidades: uma é da retomada comercial e a outra é da expectativa por dias melhores.

O que tem levado a população a consumir na Rua dos Andradas?

Retomada do Centro Histórico está fortemente concentrada em sua parte mais boêmia, reduto de bares, restaurantes, cafeterias e opções culturais

Retomada do Centro Histórico está fortemente concentrada em sua parte mais boêmia, reduto de bares, restaurantes, cafeterias e opções culturais


/FERNANDO ALBRECHT/ESPECIAL/JC
A retomada econômica do Centro Histórico, mais especificamente da Rua dos Andradas, está concentrada em sua parte mais boêmia, nos 350 metros que separam a rua General Bento Martins e a Praça da Alfândega, reduto de bares, cafeterias e de parte da história cultural de Porto Alegre.
Nesta região, por exemplo, poucos passos separam o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa do antigo Hotel Majestic, atual Casa de Cultura Mário Quintana.
Com a liberação das aglomerações, após 2 anos de pandemia do coronavírus, o evento Noite dos Museus voltou à capital levando milhares de pessoas à rua dos Andradas em maio deste ano. A Bienal, que aconteceu na Casa de Cultura até 20 de novembro, foi outro chamariz artístico, que ajudou a trazer mais pessoas ao trecho. A tradicional Feira do Livro, que chegou neste ano a sua 68ª edição, sempre foi outro vetor de transeuntes.
"Esta parte da rua tem uma pujança cultural que sempre foi uma catalisadora de pessoas. Agora, eu acredito que a Casa de Cultura, com todas suas mudanças recentes, têm servido para atrair novos empresários para este trecho. Muitos dos novos empreendedores da rua relatam que buscaram estar próximos à nossa instituição", relata o diretor geral da Casa de Cultura Mário Quintana, Diego Groisman.
Além disso, a poucos metros do trecho da Andradas entre as ruas Gen. Bento Martins e a Praça da Alfândega, a nova Orla do Guaíba, a revitalização do Muro Mauá e o Cais Embarcadero atraem milhares de gaúchos e turistas quase todos os finais de semana, que acabam desembocando neste pedaço em ebulição de novos negócios.
"O Centro Histórico está vivendo um processo de transformação, mas existem partes do bairro que já estão sentindo os impactos positivos dessas mudanças estruturais. Os trechos mais próximos à Orla do Guaíba, principal cartão postal de Porto Alegre, vão ter vantagens", salienta Irio Piva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA).
Além disso, o presidente também enfatiza que o pólo boêmio da Andradas cresce mais sob o ponto de vista econômico que o pólo varejista em razão da mudança na forma de consumo imposta pela pandemia de Covid-19.
"Os negócios foram afetados de maneira diferente. Hoje, com a queda das restrições de circulação, é natural que restaurantes fossem mais procurados, o que tem acontecido em toda Porto Alegre. Não só na rua dos Andradas. Os ecossistemas gastronômicos da capital estão com alta procura", diz Piva.
Somada a todas essas explicações, o projeto de revitalização do Quadrilátero Central, uma obra que o Centro de Porto Alegre aguarda há 7 anos, e que está saindo do papel neste ano, também é motivo de euforia de quem investe na região da Andradas.
"Obviamente que as revitalizações que já foram concluídas, como a da Orla e do Cais, aumentam o movimento da região, no caso, no início da Andradas. Portanto, espera-se um maior movimento nos outros trechos a partir da conclusão das obras em andamento", diz o presidente da CDL-POA.
Para Mahara Soldan, sócia do restaurante Lola Bar de Tapas, sediado no último piso da Casa de Cultura, a projeção é que, a partir das intervenções públicas, o Centro Histórico receba mais visitas de turistas nos próximos anos.
"Acredito que vamos receber cada vez mais a visita de moradores dos outros bairros da cidade, além de turistas, que muitas vezes passam por Porto Alegre direto para a serra gaúcha sem saber o que poderiam encontrar por aqui".
 

Os novos empresários do pedaço

Localização próxima à Casa de Cultura foi decisiva para escolha do ponto, diz dono do Clariboia

Localização próxima à Casa de Cultura foi decisiva para escolha do ponto, diz dono do Clariboia


ISABELLE RIEGER/JC

Quiero Café

A franquia Quiero Café ganhou um novo espaço, o quarto em Porto Alegre. Há cerca de três meses o novo ponto da cafeteria é na rua dos Andradas 735, bem em frente à Casa de Cultura Mário Quintana, onde antes havia uma farmácia. De acordo um dos sócios do espaço, Felipe Guedes, a localização defronte ao antigo Hotel Majestic foi decisiva na hora de investir.
"A gente buscou a Andradas em razão das perspectivas positivas que se tem para a rua, a partir das obras de revitalização. A rua já é muito movimentada, mas deve atrair ainda mais pedestres à passeio, o que já vem acontecendo após as reformas da Orla, Cais e do Muro da Mauá", explica.
As obras de revitalização do Centro foram mais um endosso para Guedes e sua sócia investirem na Andradas. "Desde que abrimos, sempre tivemos movimento alto, mas a projeção é de aumento de pedestres para cá ,ao passo que as obras que ainda faltam no Centro sejam concluídas".

La Basca Pizzaria

Localizada na rua dos Andradas, 665, a La Basca Pizzaria é outra novidade do local e ocupa a esquina com a rua General Bento Martins. O restaurante nasceu durante a pandemia oferecendo tele-entrega e desde o início deste ano está aberto ao público, agora também oferecendo pratos executivos durante o almoço.
De acordo Sílvio Andrades, embora boa parte dos seus clientes sejam trabalhadores da rua, os melhores dias de seu restaurante são aos finais de semana, quando um público mais propenso a gastar toma as ruas tradicionais do Centro. Em especial, da rua dos Andradas.
"Essa rua é muito movimentada em todos os dias da semana, por isso vários espaços abriram neste trecho neste ano. Durante a semana, o movimento é intenso de pessoas que trabalham no Centro e vem ou almoçar ou fazer um happy hour", diz Andrades.
Já nos sábados e domingos, o público é formado por pessoas que vão visitar a Orla, o Cais Embarcadero ou o Muro da Mauá, e acabam passando na Andradas depois do passeio", acrescenta.

Restaurante Clarabóia

O empreendedor Felipe Melo, proprietário do restaurante Clarabóia (Andradas, 718), que abriu há 3 meses ao lado da Casa de Cultura, disse que a localização atual foi decisiva em seu investimento. Antes de se mudar, o restaurante operava na Galeria Malcon, que também está localizada na antiga Rua da Praia.
"Eu sempre quis trabalhar aqui, pois a região é uma referência gastronômica e boêmia de Porto Alegre. Vim para cá depois de quase quebrar durante a pandemia no meu antigo espaço. Decidi investir para ampliar meu ticket-médio e trabalhar com happy hour. Tem sido muito promissor e minhas expectativas são altas"
Andrades também salienta que os empresários da região formam uma verdadeira comunidade, com os espaços mais tradicionais dando ajuda para os calouros e vice-versa. Por fim, ele se sente otimista quando o assunto é o futuro do Centro.
"O investimento que estão fazendo no Centro Histórico é uma atrativo para qualquer empresário. Se há preocupação do poder público com as ruas históricas de Porto Alegre, com certeza haverá mais pessoas querendo aproveitar a Andradas, que já uma referência gastronômica e da boemia"

Lola Bar de Tapas

O restaurante Lola Bar de Tapas abriu no último piso da Casa de Cultura Mário Quintana após uma década de atuação no bairro Bom Fim. A casa opera sob novo endereço há um ano.
"O Centro Histórico já era um flerte antigo, há anos já buscávamos oportunidades nesta região. A Casa de Cultura é um dos espaços mais importantes do Rio Grande do Sul. É uma grande alegria para a gente estar aqui", diz Mahara Soldan, sócia do Lola Bar de Tapas.
De acordo com a sócia, as obras em andamento do Quadrilátero Central e todas as revitalizações que já foram feitas, convergem para que o bairro volte a ser esse grande centro comercial, cultural, histórico e turístico de Porto Alegre, em definitivo.
"Tudo faz parte de um grande contexto, é um processo de revitalização com várias frentes e que era urgente. Nos próximos anos, acredito que vamos receber cada vez mais a visita de moradores dos outros bairros da cidade, além de turistas, que muitas vezes passam por Porto Alegre direto para a serra gaúcha sem saber o que poderiam encontrar por aqui."
 

Obras no Centro Histórico avançam rumo à revitalização

Intervenções no Quadrilátero pretendem facilitar o acesso e padronizar ruas

Intervenções no Quadrilátero pretendem facilitar o acesso e padronizar ruas


/César Lopes/PMPA/Divulgação/JC
A revitalização da rua dos Andradas e as obras do Quadrilátero Central finalmente estão saindo do papel, após sete anos de apresentações de projetos ambiciosos que nunca chegaram a ser executados. O objetivo das obras, que começaram em junho deste ano com a instalação de canteiro de obras na avenida Borges de Medeiros, é melhorar a caminhabilidade no Centro da cidade, com padronização das vias e, em paralelo, trocas na rede de esgoto.
Transformar em realidade essas melhorias eram compromissos da atual gestão de Sebastião Melo. Com o início das obras, a expectativa dos comerciantes locais para um Centro de cara nova tem crescido. O presidente da CDL Porto Alegre, Irio Piva, que representa lojistas da capital gaúcha, salienta que o diálogo aberto com o poder público tem sido vital para manter acesa a chama da confiança por dias melhores na rua dos Andradas. "Nós participamos de algumas reuniões, a convite da prefeitura, levamos as demandas dos lojistas e várias foram acatadas. Uma delas foi a questão de seguir com as obras à noite, que dá mais agilidade e reduz problemas com circulação de pessoas".
O projeto do Quadrilátero, recém iniciado, será faseado para evitar a quebradeira generalizada na região. No total, a obra foi subdividida em 18 intervenções (atualmente, está entre 1 e 2). A rua dos Andradas será uma das últimas a receber as intervenções.
O secretário de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores, comenta que a rua Otávio Rocha foi escolhida como ponto de partida para a revitalização por ser um trecho onde há menos intervenções do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o que possibilita avançar com mais velocidade. "É um local muito importante porque, além das calçadas, há mudanças no mobiliário urbano, o que inclui iluminação, bancos, além das bancas de revistas e flores'', explica.
Após a conclusão do Quadrilátero Central, a reforma deve avançar para a rua Marechal Floriano Peixoto, alcançando uma parte da Voluntários da Pátria, seguindo depois para a rua dos Andradas. Ao todo, serão R$16 milhões em investimentos com financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) destinado ao programa Orla POA.
"A gente fez um cronograma para não quebrar o Centro inteiro ao mesmo tempo. Todo o planejamento dessas obras partiu da premissa de impedir que nenhum comércio deixasse de funcionar em razão das intervenções. Inclusive, por isso as obras também ocorrem no período da noite", diz Flores.
De acordo com informações do site da Prefeitura, a rua dos Andradas terá duas intervenções. Entre a rua General Câmara e a rua Marechal Floriano Peixoto haverá reforma completa do calçadão de pedestres. Já no trecho entre a rua Marechal Floriano Peixoto e a rua Dr. Flores haverá recuperação do pavimento histórico da via e reforma completa dos passeios.
"Uma parte consiste em revitalizar o calçamento em paralelepípedo, que é um patrimônio da cidade. Outro é o calçadão da Rua da Praia, onde vai haver modificações no mobiliário, o que vai permitir tráfego de veículos leves", acrescenta o secretário de Obras e Infraestrutura da cidade.

A viabilidade econômica da região na opinião de quem vende

Fundada há 127 anos, Foernges se mantém no mesmo ponto graças à fidelidade de clientes tradicionais

Fundada há 127 anos, Foernges se mantém no mesmo ponto graças à fidelidade de clientes tradicionais


/ISABELLE RIEGER/JC
Enquanto o novo empresariado da Rua dos Andradas vive uma espécie de euforia com os projetos de revitalização do Centro Histórico, a "velha guarda" de lojistas da região não tem se mostrado pouco animada. A reportagem do JC conversou com representantes de pontos bem tradicionais da antiga Rua da Praia para comentar sobre a situação da via e suas expectativas para as obras do Quadrilátero Central.
Fundada em 1923, a Camisaria Aliança (Andradas, 1524) é uma das lojas mais históricas da antiga Rua da Praia. Vendedor da Aliança há 43 anos, Dirceu Freitas acompanhou a transformação (e degradação) da Andradas ao longo dessas quatro décadas em local privilegiado. Há 15 anos o consumo na rua tem perdido fôlego, conta Dirceu, e ele acredita que o movimento não deve voltar a ser tão bom quanto foi num futuro próximo.
"O movimento caiu drasticamente, muito diferente dos anos áureos da rua, como em 1990 e início dos anos 2000. Era uma época que todo mês a comissão era justa, as pessoas consumiam bem. Hoje está triste de ver", lamenta o vendedor veterano.
As perspectivas de Freitas sobre as obras em andamento também são pouco animadoras. Segundo ele, não serão elas as responsáveis pelo aumento no consumo das lojas, já que isso depende do aumento de poder aquisitivo da população.
Há 127 anos na rua dos Andradas, a Ópticas Foernges (Andradas, 1504) é o comércio mais antigo da via. Fundada em 1895, a empresa foi a primeira óptica a fazer lentes sob receita no Estado e hoje tem diversas filiais espalhadas por Porto Alegre.
Segundo o Guilherme Foernges, diretor comercial da Óptica desde 2007, embora o negócio já tenha igualado neste ano o faturamento pré-pandêmico, ainda é um desafio captar novos clientes, e a loja segue dependente da sua clientela tradicional. Isso acontece, na sua visão, pela perda do poder aquisitivo da população.
"A rua tem um movimento inerente à crise. Mesmo assim, é um desafio captar novos clientes. O ticket médio era bem maior há alguns anos", diz o diretor comercial
Ele ressalta que desde 2015 o Centro Histórico tem sido afetado pela crise. "Antes disso, não se viam lojas fechadas na rua dos Andradas", explica. Mesmo assim, a quarta geração no comando da Foernges tem uma visão otimista para o futuro do bairro
"Acredito que as perspectivas para o bairro são positivas. O Centro está voltando a ser valorizado. Ficou por anos muito esquecido. Não acredito que após as obras da prefeitura o consumo volte a ser o que foi, mas com certeza vai melhorar".
Para Pedro Collar, dono de sete franquias da rede Rainha das Noivas, incluindo a da rua dos Andradas, 1252, inaugurada em 2006, as obras encabeçadas pela prefeitura trazem mais dor de cabeça do que resultado positivo. "Os relatos de colegas que têm negócio próximo onde estão as obras é assustador, não passa nenhum cliente. Já faz tempo que boa parte das pessoas deixou de consumir no Centro", enfatiza.
Na sua percepção, desde a inauguração da loja até os dias de hoje o movimento caiu mais 50%, fruto de anos de descaso com o Centro, aumento da insegurança e economia em baixa. Somado a tudo isso, a avalanche da pandemia levou algumas lojas da região e boa parte da receita das que ficaram. "Mal dá para pagar o aluguel daqui. As outras lojas que tenho estão melhores. Nenhuma ainda nos padrões pré-pandêmicos, mas a da Andradas é a com menor movimento", acrescenta Collar.
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