Fabricante de metais sanitários, a Meber iniciou a implantação da Indústria 4.0 em 2019 a partir de iniciativa da gestão industrial e de tecnologia, juntamente com a área de TI, na busca de melhoria constante. Diretor de Inovação e Tecnologia, Marcio Chiaramonte, relata que, inicialmente, os objetivos eram satisfazer a curiosidade sobre os conceitos de manufatura avançada ao invés de implantar uma ferramenta de gestão, que é a indústria 4.0.
Segundo ele, se a aplicação tivesse se baseado em informações obtidas em eventos e textos sobre o tema, nada teria sido feito na área. "A tecnologia é mostrada de forma confusa e hermética, não mostra caminhos. Fala-se de soluções mirabolantes, usando manufatura aditiva, robotização, realidade virtual, cloud e outros, o que afasta o gestor de tentar saber qual resultado efetivo se pode obter com a implantação dela", argumenta. Atualmente, o gestor assegura que a empresa tem uma gestão precisa, online e confiável das máquinas e equipamentos envolvidos com a manufatura, seu status, disponibilidade, o que cada posto operativo está fazendo, como e com que eficiência. "São importantes informações para planejamento e gestão da produção, custos, suprimentos e área comercial", exemplifica.
Aponta como primeiro aspecto importante o desaparecimento do papel do posto de trabalho. As informações necessárias para o controle da produção são geradas automaticamente e encaminhadas ao ERP, onde são processadas conforme as necessidades de cada área de suporte. Os dados de toda a manufatura mecanizada (exceto montagem) são disponíveis instantaneamente. "De posse destes dados, a gestão de produção age rapidamente, pois atividades repetitivas são feitas automaticamente, ficando para a gestão a tomada de decisões em cima de exceções", explica. Também elenca a melhoria na qualidade dos produtos, melhor custo de produção, produtividade e segurança.
Para Chiaramonte, a empresa está no início de uma jornada interessante e pretende avançar muito com o uso de tecnologias de Inteligência Artificial na predição da produtividade dos equipamentos e da fábrica. "Há muito espaço para avançar, especialmente em áreas como engenharia, custos, suprimentos, controladoria, comercial, marketing e gestão de pessoas, ou seja, em toda a empresa. Os resultados obtidos até aqui são muito entusiasmantes", assegura. Cita a gestão dos postos operativos, de estoques e suprimentos, custos e velocidade de atravessamento, desde a liberação dos pedidos até a disponibilidade das peças prontas na expedição, como as áreas mais beneficiadas.
O gestor afirma que as tecnologias necessárias estão disponíveis no Brasil e a um custo convidativo. A carência, segundo ele, é de pessoal especializado em digitalização de tudo. "Faltam profissionais que dominem as tecnologias habilitadoras para a implantação da indústria 4.0, tanto a nível técnico, como, o mais preocupante, a nível acadêmico. É uma deficiência educacional que tira o Brasil da lista de países modernos", indica.
O diretor afirma que a Indústria 4.0 não é de aplicação e uso exclusivos da indústria. Poderia ser aplicada com stakeholders, envolvendo clientes e os dados relativos aos negócios e sua otimização, com entrega de melhores serviços de pré-vendas, vendas e pós-vendas.