Na avaliação de Ana Cristina Schneider, consultora do Sindicato da Indústria do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) e coordenadora do projeto Orchestra Brasil, a Indústria 4.0 está extremamente conectada com a transformação digital, que é uma imposição global: busca de eficiência, liberação das pessoas para trabalharem em atividades menos repetitivas e que requerem mais pensamento e decisão. "Cada vez mais a Indústria 4.0 não é uma escolha, mas uma realidade para quem atua no setor, principalmente empresas direcionadas à produção em escala. Ela vem no sentido de agregar automação e otimização de processos e integração em toda a cadeia, desde os suprimentos até a distribuição e o varejo", detalha.
A dirigente reforça que, na medida em que a empresa ganha mais segurança, produtividade e eficiência produtiva, ela absorve os benefícios gerado pela Indústria 4.0. Destaca, no entanto, que existe uma caminhada para aplicá-la, ou seja, não necessariamente automatizar de uma só vez uma indústria intensiva em mão de obra humana. "O processo evolui caso a caso, considerando fatores como porte da empresa e capacidade de investimento, entre outros", registra.
De acordo com a consultora, a indústria moveleira tem facilidade em acessar equipamentos nacionais e internacionais para a implantação das novas tecnologias. Para ela, o que define a aplicação ou não de soluções para a Indústria 4.0 é o quanto e quando as empresas investirão, assim como uma análise de escala. Mas salienta que este avanço pressupõe que a empresa esteja digitalizada de maneira geral, o que foi acelerado com a pandemia. No entanto, reconhece que ainda é um desafio, pois não se resume à tecnologia da fabricante, mas também dos fornecedores e compradores. "A integração de ponta a ponta é necessária", defende.