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Cadernos#Empresas & Negócios

Empresas & Negócios

- Publicada em 19 de Junho de 2022 às 15:00

La Rioja: uma viagem pela natureza e gastronomia da Argentina

Região é caracterizada por montanhas e produção de vinhos, azeitona e azeite

Região é caracterizada por montanhas e produção de vinhos, azeitona e azeite


Jefferson Klein/Especial/JC
Jefferson Klein
 Além dos já tradicionais destinos como Buenos Aires, Mendoza e Bariloche, a Argentina reserva outros recantos com diversas motivações turísticas, mas não tão conhecidos pelos visitantes estrangeiros. Um exemplo disso é a província de La Rioja que tem como capital a cidade de mesmo nome e que conta com vários atrativos quanto a belezas naturais e na área gastronômica.
 Além dos já tradicionais destinos como Buenos Aires, Mendoza e Bariloche, a Argentina reserva outros recantos com diversas motivações turísticas, mas não tão conhecidos pelos visitantes estrangeiros. Um exemplo disso é a província de La Rioja que tem como capital a cidade de mesmo nome e que conta com vários atrativos quanto a belezas naturais e na área gastronômica.
A região é a principal produtora de azeitonas da nação vizinha e também é conhecida pelos seus azeites e vinhos, tanto brancos como tintos. Localizada no Noroeste argentino, entre Córdoba e a fronteira com o Chile, La Rioja foi fundada em 1591 por Juan Ramírez de Velasco e seu nome foi escolhido em referência à terra natal desse espanhol. Atualmente, a província conta com em torno de 400 mil habitantes, sendo que cerca da metade deles está concentrada na capital, que está a aproximadamente 1,5 mil quilômetros de Porto Alegre.
A província de La Rioja é cercada por várias cadeias montanhosas, próximas à cordilheira dos Andes. Além das poucas chuvas durante o ano, chama a atenção as cores das rochas que formam a paisagem, algumas cinzas e outras avermelhadas, devido à presença do óxido de ferro. Com todas essas características interessantes, empreendedores e poder público da região almejam atrair mais turistas para aquecer a economia local.
De acordo com dados do Ministério de Turismo da Argentina, entre 2014 e 2019, anos que antecederam a pandemia de coronavírus, a média anual de turistas na província de La Rioja foi de 446.595, porém apenas 1% desse contingente era de estrangeiros, sendo 99% constituído por argentinos. O governador da província de La Rioja, Ricardo Quintela, espera que os números aumentem nos próximos anos, principalmente, com a vinda de brasileiros.
“Temos também uma riqueza histórica e cultural muito relevante, mas sobretudo o mais importante é a amabilidade da nossa gente, o carinho da nossa gente com os turistas”, frisa o dirigente. Conforme Quintela, há muitas pessoas que passam por La Rioja para fazerem trekking, conhecer as formações geológicas, minas, o parque nacional de Talampaya, entre outros. Quanto à fauna, um destaque é a possibilidade de observar os condores em altitudes não tão expressivas. O governador defende que a ideia para divulgar La Rioja é a de sair dos destinos turísticos tradicionais e conhecer lugares que não são tão promovidos dentro desse mercado.

Sobre a economia da província, segundo Quintela, La Rioja representa entre 1,5% a 2% do PIB argentino. O governador reforça que entre os produtos que alavancam essa área estão o comércio de azeitonas (pretas e verdes), azeites, vinhos, pistaches, nozes, por exemplo. Ele adianta que a região está trabalhando na consolidação de uma rota do azeite, vinho e noz, um turismo gastronômico semelhante ao que ocorre em Mendoza, entretanto com itens vocacionados de La Rioja.

A província é a maior produtora de azeitonas dentro da Argentina, com uma quantidade de mais de 100 mil toneladas ao ano. Já quanto aos vinhos, o governador comenta que La Rioja compete em termos de qualidade com Salta e Mendoza e é a terceira maior produtora da nação. Ele salienta que as condições climáticas, com um ambiente frio e seco, são propícias para a prática da vitivinicultura.

Como em toda parte do mundo, Quintela admite que a pandemia de coronavírus atrapalhou o segmento de turismo em La Rioja. Porém, com a diminuição das restrições de circulação entre os países e na ocupação de veículos como aviões e ônibus, o dirigente espera a retomada do fluxo de viajantes. Apesar da Covid-19, o governador diz que o turismo tem crescido na região e deve se desenvolver ainda mais nos próximos anos, seja através de investimentos privados ou por meio de parcerias público-privadas (PPPs).

Diminuição das restrições de circulação anima perspectivas turísticas

Parque Nacional Talampaya é famoso por seus cânions e fósseis de animais do período Triássico, de até 250 milhões de anos atrás

Parque Nacional Talampaya é famoso por seus cânions e fósseis de animais do período Triássico, de até 250 milhões de anos atrás


Jefferson Klein/Especial/JC
Sem dúvida, o setor de turismo foi um dos mais impactados mundialmente com a difusão do coronavírus. Contudo, a expectativa é que com a redução dos obstáculos ao trânsito internacional de pessoas essa demanda represada implique bons frutos para o segmento nos próximos anos e o mesmo vale para La Rioja.
A analista técnica de Mercados da Inprotur Arg (instituição semelhante a Embratur brasileira), Natalia Pisoni, confirma que, com o enfraquecimento da pandemia, houve uma recuperação do turismo na região e a perspectiva é que o volume de visitantes aumente cada vez mais. Ela frisa que os brasileiros representam um grande potencial para movimentar esse mercado. “São mais de 7 milhões de brasileiros viajando pelo mundo inteiro ao ano e aí temos uma oportunidade de convidar esse pessoal para conhecer a Argentina”, sustenta Natalia.
Ela acrescenta que esse objetivo está sendo trabalhado tanto pelo setor público como pelo privado. “A meta é mostrar tudo que a Argentina tem para oferecer, a diversidade do país”, ressalta a integrante da Inprotur Arg. Particularmente quanto à província de La Rioja, Natalia cita os atrativos do turismo de aventura (há passeios em veículos 4 x 4, em bicicletas, caminhadas, entre outros), a natureza, as vinícolas e os produtores de azeite e azeitonas. “E principalmente a cultura e a gente. As pessoas são um destaque de cada uma das províncias argentinas”, aponta.
Para a analista técnica de Mercados da Inprotur Arg, as várias localidades turísticas da Argentina são complementares. Ela salienta ainda que o país, pelo seu clima e paisagens multifacetadas, oferece a possibilidade de viagens durante qualquer período do ano. Uma evidência que o turismo voltou a crescer na província de La Rioja está em uma das suas mais importantes atrações turísticas: o Parque Nacional Talampaya. O local é famoso por seus cânions e também pelo registro de fósseis do período Triássico (de 250 a 199 milhões de anos atrás).
Em 2019, o parque alcançou o recorde de 76.424 visitantes, sendo que desse total 8% eram estrangeiros. Após a queda durante a pandemia, os primeiros meses de 2022 já apresentaram um fluxo maior do que no mesmo período de 2019 o que pode significar, ao final do ano, um novo patamar histórico de visitantes. O Parque Nacional Talampaya, com 213,8 mil hectares de extensão, é uma das sete maravilhas naturais da Argentina e considerado um patrimônio mundial pela Unesco.

Missão de empreendedores das áreas de turismo e alimentação busca novas oportunidades

Governador Quintela (de jaqueta azul-claro, no centro) recebeu o grupo

Governador Quintela (de jaqueta azul-claro, no centro) recebeu o grupo


Jefferson Klein/Especial/JC
Com o objetivo de divulgar as potencialidades de La Rioja, o governo da província argentina convidou uma série de representantes de empresas dos campos turístico e alimentício, provenientes do Brasil, para realizar, no começo de junho, uma missão de prospecção de negócios na região. Encontros com fornecedores e prestadores de serviços locais e com o governador da província de La Rioja, Ricardo Quintela, abriram espaço para futuras parcerias entre os agentes dos dois países.
O integrante da operadora Freeway Viagens Mauricio Walter enfatiza que La Rioja pode ser considerada entre os novos destinos, que não são tão conhecidos entre os brasileiros e que podem agregar na oferta turística do Norte argentino. “É uma área que nos últimos anos cresceu muito”, comenta. Ele argumenta que, impulsionada pela produção de alimentos, a infraestrutura gerada na região também é aproveitada pelos serviços turísticos, sobretudo na parte de hotelaria, serviços em geral e estradas. Walter considera que La Rioja tem muito potencial para crescer e revela que o governo argentino tem a intenção de profissionalizar ainda mais os destinos naturais dentro do país.
Conforme o profissional da área de turismo, um dos maiores desafios do setor é transmitir aos cidadãos locais maneiras que eles podem desenvolver ações para receber visitantes mais exigentes. “Há turistas acostumados a viajar para diversas partes do mundo, mas estão interessados em descobrir novos destinos. Para esses novos destinos existirem é preciso melhorar condições que são básicas, que têm haver sobretudo com a infraestrutura e capacitação de guias, motoristas, serviços gastronômicos e hotéis”, argumenta Walter.
Especialmente quanto a um dos atrativos nacionais, o vinho, o funcionário da Freeway Viagens salienta que em poucos lugares do planeta será possível apreciar uma bebida de tão boa qualidade, a preços acessíveis como na Argentina. “Em outros lugares existem vinhos que são muito bons, mas muito mais caros, particularmente na Europa e Estados Unidos”, aponta. Walter acrescenta que o vinho cada vez se torna mais popular e desperta o interesse das pessoas, pois há uma cultura envolvida com essa bebida e uma curiosidade quanto a sua produção. “É uma indústria que exige muito carinho, muita dedicação e os consumidores gostam de entrar nesse universo”, conclui.
Já o gestor de negócios do Grupo Triunfante (que trabalha com a marca Classic Chef), Pedro Luiz Souza de Freitas, foi atraído para La Rioja pelos azeites e azeitonas. “Hoje, por exemplo, no azeite temos (o Grupo Triunfante) fornecedores de Portugal, da Itália, da Espanha, da Tunísia e, recentemente, fechamos com uma grande companhia da região de La Rioja (a Aimurai)”, comenta o executivo. A empresa argentina enviou a primeira carga de produtos ao grupo brasileiro em maio e Freitas detalha, que, além do contato com os representantes da Aimurai, a motivação para a ida ao país vizinho na missão de junho abrangeu a interação com outros possíveis fornecedores.
Ele enfatiza que o consumidor brasileiro tem aumentado seu consumo de azeite e ainda há um grande potencial de mercado a ser preenchido. “Enquanto na Grécia o consumo per capita é de 23 litros ao ano, no Brasil, há não muito tempo, era um pouco mais de 200 mililitros”, informa. O integrante do Grupo Triunfante ressalta também que o mercado nacional está passando por uma fase de regularização do produto, já que no passado era banalizado devido às falsificações. Muitas marcas tiveram irregularidades constatadas pelas fiscalizações realizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Hoje, o azeite tem que ser honesto, tirando vários concorrentes do mercado que não agem da forma ideal em relação ao respeito ao consumidor”, salienta.
Sobre a qualidade do produto, Freitas explica que o melhor azeite é o novo, porque quanto mais perto da colheita da azeitona ele for feito, menos terá contato com dois de seus grandes inimigos: o oxigênio e a luminosidade. O cuidado quanto a essas questões (o que inclui a garrafa mais escura para o armazenamento) possibilita controlar a acidez do líquido. Já sobre a produção interna do azeite no Brasil, o gestor de negócios do Grupo Triunfante argumenta que um dos maiores desafios a ser superado é conseguir alcançar escala para diminuir custos e competir com os artigos importados.

Chilecito muda perfil de mineração para o turismo

Cable Carril operava com 262 torres e era utilizado para transportar minérios como ouro por 35 quilômetros

Cable Carril operava com 262 torres e era utilizado para transportar minérios como ouro por 35 quilômetros


Jefferson Klein/Especial/JC
Uma das cidades mais importantes da província de La Rioja é Chilecito. O município também é uma prova de como o foco econômico da região tem seguido o caminho do turismo, já que a atividade de mineração que era exercida no local, em particular na Serra de Famatina (que no seu ponto mais elevado chega a passar de 6 mil metros de altitude), foi ficando no passado e seus resquícios foram se transformando em pontos de visitação.
Um exemplo disso é o chamado Cable Carril, uma espécie de teleférico de carga construído em 1904 e que se manteve em funcionamento até 1926. A estrutura, considerada uma das maiores obras de engenharia do mundo na época, era utilizada para transportar minérios, como ouro, por cerca de 35 quilômetros, da Serra de Famatina, onde a mina se encontrava, até a estação de trem de Chilecito e dali seguia para o porto de Buenos Aires. O complexo, que utilizava o vapor como energia e ocupava cerca de 1,5 mil trabalhadores, contava com 262 torres, nove estações e 650 vagonetas. Atualmente, trata-se de um monumento histórico nacional aberto à visitação.
A mineração na Serra de Famatina foi interrompida pelo alto custo envolvido no processo e até hoje o lugar registra a presença de minérios. Porém, mesmo agora, com o avanço tecnológico, a sua exploração seria considerada delicada, pois poderia comprometer o fornecimento de água da região, que é obtido principalmente através do desgelo. Uma das versões da origem do próprio nome da cidade Chilecito também estaria vinculada à mineração. O proprietário da La Rinconada (empreendimento familiar local dedicado à fabricação de alfajores), Jose Zamora, diz que uma hipótese aponta que muitos chilenos atravessaram a fronteira no passado para desenvolver a atividade de mineração no município. No entanto, Zamora afirma que aprendeu com os seus avós que Chilecito significa confins do mundo. “Para mim, e para os chileciteños, significa o melhor lugar do mundo”, enfatiza o proprietário da La Rinconada.
Atuando no ramo da hospedagem na cidade, Hugo Moreno, do Bella Vista Apart, informa que um dos atrativos da província como um todo é a segurança. Ele reforça que muitos argentinos já conhecem e procuram a região para o turismo, contudo com a queda das restrições impostas pela pandemia, vem aumentando também o fluxo de estrangeiros.

Integração com outros destinos pode alavancar procura pela região

Vitivinicultura da região está embasada nas uvas das variedades Torrontés, Bonarda e Malbec

Vitivinicultura da região está embasada nas uvas das variedades Torrontés, Bonarda e Malbec


Jefferson Klein/Especial/JC
A combinação de esforços entre as localidades argentinas é vista como uma ferramenta para impulsionar ainda mais o turismo naquele país. O secretário de Turismo da província de La Rioja, José Antonio Rosa, informa que a meta dos setores público e privado é trabalhar na conexão com diversas partes da nação, ou seja, que o visitante amplie os lugares que irá conhecer.
Ele recorda que o Brasil possui voos diretos para Mendoza e Salta, o que facilita a ligação entre os dois países e que pode funcionar como uma porta de entrada para diversas províncias argentinas. O secretário argumenta que muitos turistas querem viver uma experiência no lugar que visitam. “Não é apenas conhecer um local bonito, é conhecer suas histórias, sua cultura e sua gastronomia”, salienta o dirigente.
Outra área de interesse dos estrangeiros está na educação. Rosa destaca que as universidades da província de La Rioja (três públicas e duas privadas) verificam em torno de 1,4 mil estudantes brasileiros. O secretário detalha que a maioria desses alunos cursa a faculdade de medicina.
Depois de formados, alguns retornam ao Brasil e outros acabam ficando na Argentina.
Já o guia e presidente da Aguitur – Associação de Guias de Turismo da Província de La Rioja, Pedro Armando Fernández, confirma que são muito boas as expectativas de intercâmbio turístico entre o Brasil e La Rioja. A Aguitur reúne 52 empreendedores turísticos com o objetivo de desenvolver o setor na região. “La Rioja tem muitas belezas naturais, aproximadamente 60% do território é ocupado por altas montanhas”, ressalta Fernández. Segundo o guia, o local é ideal para os turismos de aventura e o contemplativo.
Por sua vez, o assessor da Finca Vista Larga (que produz vinhos, azeites e nozes), Gabriel Mateos, diz que o grupo, apostando no crescimento do turismo, ampliará a sua estrutura. “Será feita uma sala para degustações, outra para venda de produtos e outra onde o turista poderá desfrutar do azeite, do vinho ou de um café”, adianta Mateos. Também está prevista dentro da expansão a construção de uma bodega (espaço para o armazenamento dos vinhos).
O empreendimento deverá ser concluído entre um a dois anos. A Vista Larga trabalha com uma produção orgânica de Torrontés, Bonarda e Malbec, que são os principais tipos de uva da província de La Rioja. O assessor da Finca Vista Larga reitera que a região é adequada para bons vinhos e azeites devido às condições climáticas e geográficas favoráveis.

La Rioja é um tesouro escondido do turismo argentino

La rioja - Argentina

La rioja - Argentina


Jefferson Klein/especial/jc
A Argentina reserva outros recantos além de Buenos Aires, Córdoba e Mendoza, suas cidades principais. Um exemplo é La Rioja, com diversas motivações turísticas, mas não tão conhecidos pelos visitantes estrangeiros. A província tem como capital a cidade de mesmo nome e conta com vários atrativos quanto a belezas naturais e na área gastronômica.
Páginas 6 e 7
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