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Histórias do Comércio e dos Serviços

- Publicada em 26 de Janeiro de 2015 às 00:00

A banca mais doce do Mercado Público


JONATHAN HECKLER/JC
Jornal do Comércio
No quadrante II, quase no centro do Mercado Público, o Armazém do Confeiteiro ocupa a banca L. A localização privilegiada é resultado da reestruturação do tradicional comércio de Porto Alegre, ocorrida há 19 anos, e de uma verdadeira metamorfose em um negócio de família. O casal Telmo Luis Pereira Kader e Débora Cristina Rosa Kader trabalhava na peixaria do pai dela quando a reforma lhes deu oportunidade de começar tudo do zero. Fizeram, então, uma opção arriscada: deixaram os pescados de lado e decidiram vender matéria-prima e embalagens para doces. 

No quadrante II, quase no centro do Mercado Público, o Armazém do Confeiteiro ocupa a banca L. A localização privilegiada é resultado da reestruturação do tradicional comércio de Porto Alegre, ocorrida há 19 anos, e de uma verdadeira metamorfose em um negócio de família. O casal Telmo Luis Pereira Kader e Débora Cristina Rosa Kader trabalhava na peixaria do pai dela quando a reforma lhes deu oportunidade de começar tudo do zero. Fizeram, então, uma opção arriscada: deixaram os pescados de lado e decidiram vender matéria-prima e embalagens para doces. 

Débora, embora não tenha formação na área, sempre apreciou a culinária e convenceu o marido da viabilidade da iniciativa. Mas, primeiro, realizaram um estudo para ver quais produtos não eram ofertados no local e que, consequentemente, atrairiam mais clientes. Atualmente, a gama de itens cresceu, e as prateleiras comportam variados tipos de ingredientes para confecção de doces, chocolates, bolos decorados, além de produtos naturais, frutas secas e produtos de gastronomia em geral. Os confeiteiros, profissionais ou não, também encontram ferramentas, como bicos, cortadores e mangas para produzir suas receitas.

Embora mantenham os itens tradicionais, os proprietários contam que estão sempre em busca de novidades. “A moda agora é o cupcake”, afirma Kader, relatando o aumento da procura de ingredientes para esse tipo de bolo. Outra sensação do momento é a goji berry, frutinha pequena e vermelha para a qual a mídia designa uma série de atributos, desde o poder do emagrecimento até o combate a problemas imunológicos e de visão. Além disso, ingredientes sem glúten e sem lactose ganham cada vez mais espaço. E a tendência gourmet aumentou a variedade - e os preços - dos chocolates. “Tentamos ser pioneiros na apresentação de produtos”, explica Débora. As guloseimas e os utensílios vêm, principalmente, de São Paulo, do Rio de Janeiro e, inclusive, dos Estados Unidos.

Dedicado à administração da loja, o casal também divide as tarefas de vendas e caixa com mais sete funcionários. A pluralidade dos frequentadores do Mercado Público, segundo eles, faz com que os clientes sejam de todas as classes sociais. E, embora o nome faça referência aos doceiros profissionais, donas de casa, estudantes e marinheiros de primeira viagem na arte de cozinhar também procuram o local com frequência. “Não é como o atendimento frio de um mercado, em que você pega o produto e vai embora. Aqui, todo dia alguém chega, bate um papo e troca receitas”, conta Kader. 

Na página da empresa no Facebook, com quase cinco mil seguidores, apresentam dicas de ingredientes, mensagens positivas e fotos de receitas repletas de cor e sabor. É o novo mundo de Telmo e Débora. Duas décadas depois da revolução que os levou da peixaria aos confetes, granulados, geleias e glacês, os dois se dizem satisfeitos com a escolha. “Tudo tem seu preço, mas valeu a pena. Está sendo prazeroso e, por isso, somos felizes”, completam. A vida e os negócios estão mais doces. 

Cozinha oferece cursos de confeitaria

Não satisfeitos em oferecer os ingredientes, os proprietários do Armazém do Confeiteiro decidiram, também, ensinar a melhor maneira de utilizá-los. Em 2008, criaram um centro de cursos, em uma sala no segundo andar do Mercado Público, para dar aulas teóricas e práticas de preparação de doces e tortas. 

Além de comportar 30 participantes, conta com uma cozinha completa, com todos os equipamentos necessários. A ideia surgiu em parceria com fornecedores que queriam divulgar alguns itens comercializados na loja.

A iniciativa foi um sucesso e acabou se expandindo, para os preparos de salgados e, inclusive, de sushi, além de dicas de decoração para os períodos de Natal e Ano-Novo. Entretanto, em 2013, a parte elétrica do espaço acabou comprometida após o incêndio que atingiu o Mercado Público. Desde então, os cursos estão paralisados à espera do fim da reforma. Telmo e Débora Kader não escondem a ansiedade pela reabertura da Cozinha do Confeiteiro, como o projeto ficou conhecido. “Só falta resolver o problema da iluminação, e queremos voltar aos cursos de segunda a sexta-feira”, confia Telmo. 

Mesmo que não proporcionem um significativo ganho direto de receita, os cursos criam, segundo Telmo Kader, uma afinidade com os clientes, fidelizam aqueles que já compravam no Armazém e traz novos interessados. “Muitas pessoas, após fazerem algumas aulas, acabam produzindo doces como uma forma de renda extra, vendendo em escolas ou repartições públicas. E, dessa maneira, se tornam nosso fregueses. Não são grandes compradores, mas são formiguinhas que voltam todos os dias”, explica. 

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