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Publicada em 30 de Junho de 2026 às 11:54

Plano Safra reduz juros, mas cresce apenas 2% e amplia participação de recursos privados

Programa prevê R$ 194 bilhões disponibilizados com juros livres, o equivalente a 37% do volume de recursos

Programa prevê R$ 194 bilhões disponibilizados com juros livres, o equivalente a 37% do volume de recursos

Cleiton Ramão/IRGA/Divulgação/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
O governo federal lançou nesta terça-feira o Plano Safra 2026/2027 da agricultura empresarial com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento de médios e grandes produtores rurais. Embora represente um novo recorde nominal, o aumento de 2% em relação aos R$ 516,2 bilhões anunciados para a safra anterior fica abaixo da inflação acumulada no período e, na prática, representa uma redução do volume de recursos em termos reais.
 
Considerando uma inflação próxima de 5% nos últimos 12 meses, o Plano Safra precisaria alcançar aproximadamente R$ 542 bilhões apenas para preservar o mesmo poder de compra do ciclo 2025/2026. O valor anunciado ficou cerca de R$ 17 bilhões abaixo desse patamar.
 
Ao mesmo tempo em que reduz as taxas de juros das principais linhas de financiamento, o plano também amplia a participação de recursos privados na composição do crédito e diminui a oferta de operações com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional.
 
 
Dos R$ 525,1 bilhões anunciados:
  • R$ 331,1 bilhões correspondem às linhas tradicionais de crédito rural e outros programas.
  • Outros R$ 194 bilhões são operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), financiadas principalmente com recursos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e da poupança rural, contratadas a juros livres. Essas operações passaram a integrar o cálculo oficial do Plano Safra, elevando a participação dos recursos de mercado no montante total anunciado.
Outro indicador que chama atenção é a redução dos recursos equalizados, modalidade em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros pagos pelos produtores. O volume previsto para a safra 2026/2027 será de R$ 97 bilhões, abaixo dos R$ 113,7 bilhões disponibilizados no lançamento do ciclo anterior, uma redução de cerca de 15%.
 
Apesar disso, o governo aumentou os recursos orçamentários destinados à equalização dos juros. O gasto previsto do Tesouro passará de R$ 3,9 bilhões para R$ 5,5 bilhões, refletindo o maior custo para manter linhas com taxas controladas em um cenário de juros elevados.
 
A principal novidade do Plano Safra está justamente na redução das taxas de financiamento. No custeio, os juros para grandes produtores caíram de 14% para 12,5% ao ano. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), a taxa foi reduzida de 10% para 9% ao ano, enquanto os recursos destinados à linha passaram de R$ 69,1 bilhões para R$ 72,6 bilhões.
Também houve redução nas taxas das principais linhas de investimento.
  • O RenovAgro passou a operar com juros de 9,5% ao ano para grandes produtores.
  • O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) terá taxas de 8% para projetos de até 6 mil toneladas e de 9,5% para unidades de maior porte.
  • As linhas voltadas às cooperativas - Prodecoop e Procap-Agro - tiveram uma das maiores reduções, passando de 13,5% para 12% ao ano.
Se por um lado o crédito ficou mais barato, por outro alguns dos principais programas de investimento perderam recursos.
  • O Moderfrota, destinado à aquisição de máquinas e implementos agrícolas, terá R$ 5,8 bilhões na nova safra, frente aos R$ 12,5 bilhões do ciclo anterior, uma redução de 54%, embora as taxas tenham sido reduzidas em um ponto percentual.
Também houve corte nos recursos destinados à armazenagem.
  • O PCA contará com R$ 5,9 bilhões, ante R$ 8,2 bilhões na safra passada, redução de 28%. O programa é considerado estratégico, especialmente em estados como o Rio Grande do Sul, que ainda apresenta déficit de capacidade estática de armazenagem. 
O Ministério da Agricultura havia defendido uma oferta de crédito superior à anunciada. Inicialmente, a pasta trabalhou com a expectativa de um Plano Safra de R$ 570 bilhões e, posteriormente, de R$ 550 bilhões. Também entidades do setor produtivo defendiam maior volume de recursos nas linhas tradicionais de crédito rural, sem considerar as operações financiadas com recursos privados.

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