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Publicada em 22 de Junho de 2026 às 14:58

Safra de trigo terá corte de 30,1% neste ano, aponta Emater

Rio Grande do Sul irá plantar 814,2 mil hectares do cereal

Rio Grande do Sul irá plantar 814,2 mil hectares do cereal

PAULO ODILON CERATTI KURTZ/Embrapa/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
A safra gaúcha de trigo sofrerá um corte de 30,1% em 2026. O 1º levantamento de estimativa da safra de inverno, divulgado nesta segunda-feira (22) pela Emater/RS-Ascar, aponta que o Estado irá plantar 814,2 mil hectares do cereal, ante 1,16 milhão de hectares no período anterior.
 
Ao todo, as principais culturas de inverno deverão produzir 3,7 milhões de toneladas de grãos, uma queda de 22% em relação a 2025.
 
O enxugamento da área de trigo é resultado da combinação de uma série de fatores, conforme antecipou o Jornal do Comércio na semana passada. Preços em queda, perspectivas climáticas desfavoráveis para o final do ciclo, dificuldade de acesso ao crédito e elevado endividamento dos produtores pesaram na tomada de decisão sobre o plantio.
 
 
O cenário climático foi reforçado durante a apresentação dos números da safra. O meteorologista da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Flávio Varone, afirmou que os indicadores apontam para a consolidação de um evento de El Niño ao longo do segundo semestre, com possibilidade de intensidade forte ou muito forte durante a primavera. Segundo ele, a influência do fenômeno deverá se intensificar a partir de agosto, elevando os volumes de chuva e a umidade no Rio Grande do Sul.
 
Varone destacou que as condições para o desenvolvimento inicial das lavouras tendem a ser favoráveis, mas alertou que os maiores desafios deverão surgir justamente na fase final da safra de inverno. A previsão de precipitações acima da média entre setembro e novembro aumenta o risco de doenças fúngicas, reduz a luminosidade disponível às plantas e pode comprometer a qualidade dos grãos e as operações de colheita.
 
Com menor área plantada e restrição nos investimentos, o volume produzido deverá cair 36,3%, chegando a 2,2 milhões de toneladas. A produtividade média foi estimada em 2.701 quilos por hectare, recuo de 8,9% em relação à safra passada. O diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Mateus da Rocha, observou que a combinação entre redução de área e expectativa de menor rendimento explica a forte retração da produção.
 
Durante a apresentação, Varone ponderou que o fenômeno não permite prever a repetição de eventos extremos como as enchentes registradas em 2024, mas ressaltou que a tendência é de aumento das chuvas na primavera, período considerado crítico para culturas de inverno como o trigo.
 
Na contramão do cereal, a canola deverá registrar crescimento de 102,6%, alcançando 353,3 mil hectares semeados e produção estimada em 571,9 mil toneladas, ante 285,4 mil toneladas em 2025.
As regiões de Ijuí, Santa Rosa e Santa Maria deverão responder por 60,9% da safra da oleaginosa. Além da melhor relação de troca em comparação ao trigo, cujo custo de produção é mais elevado, a cultura vem se expandindo apoiada em investimentos industriais voltados à produção de biodiesel.
 
Rocha também destacou o avanço da carinata, oleaginosa de inverno da mesma família da canola e da mostarda, que começa a ganhar espaço como alternativa para diversificação dos sistemas produtivos. Seu principal diferencial é o destino industrial: o óleo é utilizado na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), mercado em expansão no mundo.
 
Neste ano, a estimativa é de cultivo de 12,3 mil hectares de carinata, principalmente nas regiões de Bagé, Ijuí, Pelotas, Santa Maria e Santa Rosa.
 
Na aveia branca, a área deverá permanecer praticamente estável, com redução de 1,3%, totalizando 387,6 mil hectares. A produção foi projetada em 900,2 mil toneladas, 3,7% abaixo da colheita anterior.
 
A maior retração proporcional ocorrerá na cevada. A área cultivada deverá cair 36,5%, para 20,3 mil hectares. Também são esperadas quedas na produtividade, de 16,6%, e na produção, de 47%, que deverá somar apenas 61,3 mil toneladas nesta safra.
 

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