Apesar de positivo, o anúncio do governo federal sobre o Move Agricultura — programa que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para a aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e demais implementos agrícolas — pode esbarrar em problemas estruturais do setor. De acordo com entidades do agro gaúcho, a medida, oficializadaem 8 de junho, sozinha, não será suficiente para resolver a questão do endividamento rural do Estado.
Em nota, a vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Carolina Rossato, explica que a iniciativa deve ajudar a destravar vendas no curto prazo, mas, para que haja impacto positivo no setor, tudo dependerá da capacidade dos produtores de acessar efetivamente esses recursos.
“O crédito ajuda a movimentar a indústria, mas a recuperação mais consistente do setor exige também renda no campo, segurança jurídica e soluções para o endividamento acumulado após as sucessivas crises climáticas”, salienta.
Nessa mesma linha, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, destaca que todo e qualquer programa de investimento de longo prazo, com juros aceitáveis, é bem-vindo. "No entanto, antes disso, é necessário resolver a questão do endividamento rural do RS, desde a agricultura familiar até os grandes produtores, porque, senão, o produtor não vai ter crédito para comprar a máquina do Move Agricultura, por exemplo”, destaca.
Já o presidente do Sistema Ocergs (Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul), Darci Hartmann, destacou, em nota, que o programa deve ajudar a economia gaúcha, mas que é necessária uma série de ações conjuntas. “É preciso uma definição da pauta da securitização no Senado, para que possamos olhar para o futuro com uma expectativa mais positiva. Não é uma solução definitiva, mas é o início de uma retomada.”
O diretor executivo da FecoAgro (Federação das Cooperativas Agropecuárias), Sérgio Luís Feltraco, acrescenta que o programa é importante porque reúne mecanismos voltados à inovação, à pesquisa e ao desenvolvimento. “Ressaltamos também que, em um contexto atual de endividamento de um conjunto importante de agricultores, a decisão por novos investimentos deve passar por uma análise bastante acurada da real necessidade e do encaixe dentro da proposta de prazos de pagamento e juros daquilo que for destinado à atividade hoje. Como se sabe, estamos em um ambiente de redução de margens, associado a altos níveis de endividamento", explica.
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