A 24ª edição da Expodireto Cotrijal foi lançada nesta segunda-feira (5) em evento realizado no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. A mostra agropecuária, uma das maiores do mundo no setor, ocorrerá de 4 a 8 de março, em Não-Me-Toque, reunindo mais de 580 expositores e com uma expectativa de público de 320 mil pessoas visitando os 131 hectares do parque.
Neste ano, a Expodireto contará com a participação de representações de países da Europa, América do Sul, América do Norte, África, Oriente Médio e Ásia. Estão confirmados Alemanha, Argentina, Nigéria, Gana, França, Bolívia, Canadá, China, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Estados Unidos, Itália, Israel, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Panamá e Peru, entre outros.
Destaque para a delegação chinesa, que chega com expositores, importadores, tradings, palestrantes e membros do governo local. O movimento é também resultado da viagem de prospecção realizada pela coordenação da Área Internacional da Expodireto Cotrijal a Pequim, Shanghai e Xiamen, logo após a Expodireto 2023.
A 24ª Expodireto Cotrijal sediará, na Área Internacional, o 4º Seminário China – Brasil da cadeia de suprimentos da Agricultura, Pecuária e Alimentação, tendo a primeira edição sido realizada de forma virtual na mostra do ano passado, e a segunda e terceira edições ocorrido, presencialmente, em Pequim, nos meses de março e novembro.
Outra novidade, há muito esperada, é a ampliação da área de estacionamento. Agora serão 11 mil vagas, 2 mil a mais que na mostra anterior. O novo espaço será junto à área de máquinas e implementos agrícolas, à direita de quem se desloca no sentido de Victor Graeff para Não-Me-Toque.
Durante o lançamento, o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, destacou que a sociedade urbana precisa reconhecer e valorizar o agronegócio. “O agro é responsável por um terço do PIB e por mais de 50% das exportações nacionais. Somos líderes globais em produção e exportação de diversos produtos. Geramos R$ 1,6 milhão por segundo”, disse o dirigente.
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Mânica também ressaltou a sensibilidade do governador Eduardo Leite e pediu a revisão da pauta tributária que está sendo colocada sobre o agronegócio. Ele, assim como representantes de todos os setores do agro, quer o recuo do governo na intenção de retirar os incentivos fiscais a diversos segmentos que serão afetados e terão a competitividade ainda mais comprometida.
Em sua fala, Leite argumentou que sensibilidade não falta, mas dinheiro, sim. “Para termos uma sociedade próspera, o governo tem de estar organizado. O agro trouxe prosperidade ao Estado e ao País, mas se o governo não puder suprir as necessidades de investimento em logística, por exemplo, acaba limitando a capacidade empreendedora”.
O governador, porém, exaltou o evento, ao qual classificou como um “bálsamo de otimismo", mesmo em cenário de dificuldades, por promover a interação entre tecnologia, indústria, sistema financeiro, ciência e produtores rurais.
Leite alternou afagos e choques de realidade para justificar as duras medidas econômicas que vem impondo. Disse que o governo passa 90% do tempo “destravando bombas armadas" décadas atrás, por outras gestões.
”Temos R$ 16 bilhões em precatórios para pagar. Pagamos R$ 900 milhões por ano, e o Tribunal de Justiça quer que ampliemos para R$ 2,5 bilhões anuais para que possamos esgotar essa dívida até 2029. É uma diferença impactante de R$ 1,6 bilhão todos os anos”.
Conforme o governador, com tantos compromissos e pouca receita, há dificuldade para investir em logística e educação, por exemplo. “O problema é de todos. Não adianta reclamar do síndico que administrava o condomínio Rio Grande do Sul em outros anos. O que foi feito teve a chancela da Assembleia Legislativa. Agora temos de fazer uma chamada extra para socorrer esse condomínio, que quebrou”, disse, em uma metáfora sobre a crise financeira do Estado.
Ao finalizar, Leite ainda recebeu aplausos ao repetir o discurso de que todo o rigor será usado contra qualquer ameaça às propriedades rurais, com o uso imediato das forças policiais.
Mostra agropecuária rechaça diferenças políticas em prol do setor
A importância do engajamento do meio político à mostra agropecuária também foi tema nas manifestações durante o evento de lançamento da 24ª Expodireto Cotrijal. Considerada conquista dos organizadores, a iniciativa visa blindar a feira de diferenças políticas e levar a Não-Me-Toque representantes dos governos federal e estadual, bem como do Congresso Nacional e do Parlamento gaúcho, para, assim, reforçar as demandas e os esforços para o desenvolvimento do agronegócio do Rio Grande do Sul.
Esse foi o tom da fala do deputado federal Pedro Westphalen (PP). O parlamentar insistiu que a classe política precisa estar comprometida com a ideia de distensionar a Nação e ajudar a destravar pautas importantes para o desenvolvimento do agronegócio e do País. Por iniciativa dele, outra ideia antiga deve começar a ser colocada em prática: a mudança do traçado da RS-142, que passa em frente ao parque da Expodireto. A obra, orçada em 11 milhões, deverá receber aporte de R$ 3 milhões direcionados por projeto do congressista gaúcho, que reafirmou a importância de priorizar investimentos em irrigação.
O tema também esteve presente na manifestação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adolfo Brito (PP). “Vamos arregaçar as mangas e trabalhar para mudar em relação a questões que já deveriam ter recebido atenção especial. É preciso um olhar diferenciado para a reservação de água, a irrigação e a piscicultura. Perderemos boa parte da safra de milho por falta de água. Ninguém é contra o meio ambiente, mas é preciso avançar com a irrigação. Contamos com o apoio do Ministério Público e de outros órgãos importantes para destravar esse assunto”, concluiu Brito.