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Evento global debate cadeia do pêssego em calda em Pelotas
Região Sul do Estado responde por 100% da produção nacional, que vem conquistando mercados na América Latina
Terminou nesta quarta-feira (1º/10), em Pelotas, a 15ª Conferência Mundial de Frutas Processadas de Caroço (Cancon). O evento, que reuniu representantes da cadeia de pêssegos em calda de nove países das Américas, Europa, Ásia e África, discutiu obstáculos e perspectivas em relação à produção e comercialização, sinalizando tendência de bons ventos para o setor.
Realizado na sede da Embrapa Clima Temperado, o encontro, cuja periodicidade é bianual, ocorreu pela última vez em 2018, em Múrcia, na Espanha, e somente agora, após o fim da pandemia de Covid-19, voltou a acontecer. A conferência contou com representantes da África do Sul, Argentina, Chile, China, Espanha, Estados Unidos, Grécia e Itália, além do Brasil. A próxima edição, em 2025, será na China.
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Conforme a representante do Departamento de Promoção Comercial e Assuntos Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo gaúcho, Astrid Schünemann, por conta das diferentes realidades entre os países produtores, o encontro proporcionou uma valiosa troca de experiências. Um grupo de trabalho coordenado pela África do Sul deverá desenvolver estratégias para fomentar o aumento do consumo mundial e a valorização do produto pelo consumidor final.
Com uma área de pomares estimada em cerca de 3,5 mil hectares, conforme a Emater, a região de Pelotas, Turuçu e Morro Redondo, no Sul do Estado, responde por 100% da safra nacional do produto destinado à indústria. A produção anual gira entre 40 milhões e 50 milhões de quilos, dos quais 20% chegam a mercados como Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Argentina. O Brasil está entre os 10 maiores produtores mundiais de pêssegos em calda.
“O setor dispõe de 11 indústrias instaladas na região, que geram 20 mil empregos diretos e 6 mil indiretos. E, graças ao trabalho de pesquisa desenvolvido por empresas como a Embrapa, diferentes variedades têm sido desenvolvidas, buscando o atendimento de mercados específicos. Percebemos aqui o interesse de empresas produtoras de máquinas de outros países em fornecer equipamentos ao Brasil. Mas a grande questão ainda é o aumento da produção e a equação entre custo por hectare e valor pago pelo produto”, observou Astrid.
“Atualmente, estamos com produção estimada em 60 milhões de latas de pêssego. Começamos a exportar nosso produto para a América Latina e isso nos orgulha muito,” destaca o presidente do Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas, Morro Redondo e Capão do Leão (Sindocopel), Paulo Afonso Crochemore.
Para Amílcar Zanotta, presidente da Associação dos Produtores de Pêssegos da Região de Pelotas, os altos custos dos produtores e também das indústrias são um entrave para manter a rentabilidade da atividade. Mas, com a abertura de mercados externos nos últimos anos, o cenário é animador.
A cultura já foi desenvolvida por 1,3 mil famílias, mas está restrita a cerca de apenas 1 mil, atualmente. E, nos últimos anos, as grandes propriedades têm deixado de lado a produção de pêssegos e ocupando suas áreas com soja.
Quem se dedica praticamente a vida toda à atividade é Celmar Schaffer Raffi, 50 anos, que explora cerca de 8 mil pés de pêssegos em 11 hectares de terra. “Em uma safra normal, colhemos 250 mil quilos da fruta. Mas, por conta de questões climáticas, deveremos chegar a 130 mil quilos neste período”, lamenta, sem desanimar.
Raffi desenvolve seis variedades da fruta, para, assim, poder alongar o ciclo na propriedade. Apesar das incertezas a cada safra, a família já adquiriu mais terras e deverá ampliar a produção. “Meu filho, Andreo, de 23 anos, optou por permanecer na propriedade e se dedicar à atividade. A fruticultura é uma das que mais fixa o jovem no campo. No caso do pêssego, cerca de 80% da produção é oriunda de pequenas e médias propriedades rurais. E, apesar de alguns períodos difíceis, como o ano passado, que foi para os corajosos, vemos boas perspectivas para o futuro, com as indústrias exportando”.