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Agronegócio

- Publicada em 15 de Fevereiro de 2022 às 19:04

Deputados estaduais pressionam governo federal por socorro contra estiagem

Decepcionados, parlamentares não encontraram soluções no Ministério da Agricultura

Decepcionados, parlamentares não encontraram soluções no Ministério da Agricultura


Joaquim Moura/ALRS/Divulgação/JC
A comitiva da Assembleia Legislativa gaúcha montada para pressionar o governo federal a direcionar maiores esforços contra a estiagem no Rio Grande do Sul não encontrou soluções no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A principal pauta era a garantia de R$ 3 bilhões para o parcelamento da dívida dos pequenos produtores rurais que tiveram suas lavouras perdidas pela falta de chuva.
A comitiva da Assembleia Legislativa gaúcha montada para pressionar o governo federal a direcionar maiores esforços contra a estiagem no Rio Grande do Sul não encontrou soluções no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A principal pauta era a garantia de R$ 3 bilhões para o parcelamento da dívida dos pequenos produtores rurais que tiveram suas lavouras perdidas pela falta de chuva.
“A expectativa maior era no Mapa, mas percebi que não tem uma ação coordenada de governo, uma política centralizada que pudesse resultar em algo definitivo. Fiquei pessimista. Mas acho que o ministério irá enviar estes recursos - não tem como não fazer, é a única alternativa”, avaliou o presidente do Parlamento, Valdeci Oliveira (PT).
Ele não foi o único que teve suas expectativas frustradas. Deputado estadual e pré-candidato ao governo do Estado, Edegar Pretto (PT) classificou  encontro com o Mapa como uma “grande decepção. "A ministra Tereza Cristina esteve no Rio Grande do Sul no dia 12 de janeiro, há mais de um mês, e o governador Eduardo Leite (PSDB) esteve aqui. O que a gente percebeu aqui foi uma desorganização completa. Até aqui, infelizmente, nós não temos por parte do governo nada de concreto”, afirmou ele.
Menos pessimista, o deputado Ernani Polo (PP) acredita que, nas próximas semanas, o governo federal deve enviar os recursos ao Estado: “Já existe levantamento e o governo está estudando uma Medida Provisória (MP) para liberar o valor. Isso deve sair nas próximas semanas e a expectativa é de que venha essa liberação”, espera Polo. O Mapa, porém, não definiu uma data para decidir sobre a liberação dos recursos.
Desta cifra, R$ 2,7 bilhões devem ser destinados para parcelar as dívidas dos produtores com investimento e custeio para as lavouras. Outros R$ 300 milhões devem cobrir prejuízos do presente. O valor já havia sido demandado à União por importantes entidades gaúchas, como a Farsul e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).
Outro pedido importante que pode ajudar a mitigar impactos não desta estiagem no Estado, mas das próximas, tem a ver com a construção de cisternas para que a captação de água da chuva possa ser usada em irrigação. “Trtamos sobre a possibilidade de o RS acessar recursos para cisternas, que, hoje, está direcionado apenas para regiões com clima semiárido. Acertamos isso e vamos alinhar com governo do Estado o acesso do RS a esses recursos. Nos últimos anos, tivemos faltas de chuvas sistemáticas e a construção de cisternas para captação de água é uma necessidade”, afirmou Polo.
Quanto a outras demandas, de menor escala, os deputados podem se considerar vitoriosos. Segundo Polo, o ministério vai dar um “rebate” no preço do milho balcão para as agroindústrias de proteína animal, que produzem carnes suína e de aves no Estado. Com a estiagem e a perda no milho, que superam 70% da produção, o preço pago pelo grão disparou - o que faz as indústrias da proteína terem dificuldade na operação. O governo, então, arcaria com parte do valor do milho, um dos principais componentes da ração animal.
A abertura de uma linha de crédito para a alimentação do gado leiteiro também foi debatida.

Defesa Civil libera recursos para caminhões-pipas e cestas básicas

A reunião mais produtiva da comitiva da Assembleia Legislativa gaúcha em Brasília, segundo os parlamentares, foi com a Defesa Civil, no Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR), que deve liberar recursos para cestas básicas e contratações de caminhões-pipa.
“Trouxe um sopro de esperança para os agricultores e municípios que já tiveram a situação de emergência reconhecida pela União”, disse o deputado Edegar Pretto (PT). A partir de um pedido formal, que deverá ser feito pela administração de cada município, o ministério vai disponibilizar cestas básicas no valor de R$ 208 reais, durante três meses, para famílias de até três pessoas das áreas rurais.
Famílias com mais número de integrantes terão acesso a um valor maior. O MDR também vai liberar a locação de caminhões-pipa para o transporte de água. A proposta é viabilizar dois veículos para cada 20 mil habitantes, também durante três meses. Além disso, o município receberá um recurso de R$ 20 mil para combustível, durante esse tempo. A ideia é que o valor sirva para abastecer os caminhões.