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Bancos

25/06/2020 - 12h09min. Alterada em 25/06 às 12h10min

Conselho de Ética do Banco Mundial diz que não pode influenciar na nomeação de Weintraub

Associação de funcionários pediu para suspender a nomeação de Weintraub

Associação de funcionários pediu para suspender a nomeação de Weintraub


Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
Folhapress
O Conselho de Ética do Banco Mundial afirmou que não pode influenciar na nomeação ou eleição de um diretor executivo e que o código de conduta da instituição só pode ser aplicado para funcionários já empossados, o que não é o caso do ex-ministro Abraham Weintraub.
O Conselho de Ética do Banco Mundial afirmou que não pode influenciar na nomeação ou eleição de um diretor executivo e que o código de conduta da instituição só pode ser aplicado para funcionários já empossados, o que não é o caso do ex-ministro Abraham Weintraub.
O presidente do conselho de ética, Guenther Schoenleitner, respondeu nesta quarta-feira (24) à Associação de Funcionários do Banco Mundial, que pediu para suspender a nomeação de Weintraub até que fossem investigadas suas declarações de caráter racista em relação a minorias e à China, além de seu discurso que pregava a prisão de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
"A partir do momento em que ele se torna um funcionário do conselho, um diretor executivo está sujeito ao Código de Conduta para Funcionários do Conselho (o Código), que se aplica prospectivamente", diz a resposta do conselho, em documento obtido pela reportagem.
"Espera-se que os funcionários do conselho mantenham os mais altos padrões de integridade e ética em sua conduta pessoal e profissional. Como todos os outros funcionários entrantes do conselho, um DE (diretor executivo) eleito será informado sobre suas obrigações nos termos do código de conduta, inclusive no que diz respeito a declarações públicas e não interferência nos assuntos políticos dos membros."
Schoenleitner afirma ainda que Weintraub deve ser eleito em breve pelo grupo composto por Brasil e outros oito países - Colômbia, Equador, Haiti, Panamá, Suriname, República Dominicana, Filipinas e Trinidad & Tobago - visto que o governo brasileiro tem maioria no consórcio e nenhum influência externa pode ser feita nesse caso.
"[...] Nem a administração nem o Comitê de Ética do Conselho influenciam a nomeação ou eleição de um DE (diretor executivo). Os diretores executivos são nomeados ou eleitos pelos acionistas, ou seja, países membros", diz a carta.
E segue: "A maioria dos votos expressos (do grupo de 9 países) será necessária para a eleição. Tal como está, o Brasil possui a maior parte do poder de voto. Isso significa que, mesmo que os outros membros não indiquem ou votem no candidato indicado, ele poderá ser eleito e servirá como Diretor Executivo até o final do mandato atual em 31 de outubro de 2020".
Depois disso, Weintraub precisaria ser indicado novamente para o posto pelo governo brasileiro.
A associação de funcionários pedia que o ex-ministro fosse notificado por seu comportamento "totalmente inaceitável" na instituição e que sua nomeação fosse suspensa até o fim das investigações que, se fossem acatadas, seriam conduzidas internamente.
Em caráter reservado, líderes da associação disseram à reportagem que a carta contra Weintraub era um "movimento político" para externar a posição de desconforto dos funcionários com sua nomeação.
Admitiam, porém, que o comitê de ética não poderia agir sobre pessoas que ainda não fossem integrantes do banco e que nenhuma medida concreta deveria ser tomada, como ficou comprovado com a resposta do colegiado horas depois.
Segundo a associação, "o Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição" e, portanto, o comportamento do ex-ministro é inaceitável.
"Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o conselho de ética compartilhe dessa visão e faremos tudo ao alcance para aplicá-lá", finalizava o texto dos funcionários.
O presidente do comitê de ética, por sua vez, afirmou que o colegiado "compartilha do compromisso do Banco Mundial de eliminar o racismo da instituição e leva a sério sua responsabilidade de garantir que os princípios estabelecidos no Código de Conduta da Diretoria, incluindo os Valores Essenciais da instituição, sejam praticados por todos os funcionários da Diretoria".
Os comentários racistas, no entanto, esclareceu Schoenleitner, serão considerados somente entre o quadro de funcionários já empossados.
"Comentários racistas de qualquer pessoa que sirva ao Grupo Banco Mundial, incluindo diretores executivos, não serão tolerados", diz a resposta do conselho de ética.
Weintraub ainda não tem vínculo formal com o Banco Mundial. Ele foi nomeado para a vaga de diretor executivo no conselho administrativo, na cadeira do grupo do Brasil, mas o processo de sua eleição ainda não aconteceu e pode levar até um mês.
O ex-ministro viajou às pressas e chegou a Miami no sábado (20), dois dias depois de ter sido demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, mas sua exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União somente depois que ele havia entrado em território americano.
Nesta terça-feira (23), o Planalto ratificou a data de demissão, passando-a para sexta (19).
Especialistas afirmam que pode haver irregularidades se Weintraub se utilizou da condição de ministro para driblar as barreiras sanitárias e entrar nos EUA, mas o ex-ministro pode também já estar de posse do visto G1, necessário para trabalhar em organismos multinacionais.
Apesar de não cumprir os requisitos formais para aplicar para o documento --como contrato de trabalho ou nota diplomática do Banco Mundial--, diplomatas afirmam que ele pode ter conseguido o visto por ser ex-ministro de Estado e estar com a nomeação em andamento.
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