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Câmara de Deputados

Alterada em 14/05 às 17h54min

Deputados batem boca no WhatsApp e líder do PP cria grupo só com 'centrão raiz'

Lira é um dos principais nomes contados para disputar a sucessão de Maia

Lira é um dos principais nomes contados para disputar a sucessão de Maia


LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS/JC
Folhapress
A votação de uma medida provisória nesta quarta-feira (13) motivou um bate-boca de deputados no grupo de WhatsApp do qual líderes das bancadas participam com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
A votação de uma medida provisória nesta quarta-feira (13) motivou um bate-boca de deputados no grupo de WhatsApp do qual líderes das bancadas participam com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Com o desentendimento, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que comanda o bloco do chamado centrão, saiu desse grupo de WhatsApp e criou um novo, só com partidos que hoje negociam cargos no governo em troca de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.
Lira é um dos principais nomes contados para disputar a sucessão de Maia, em fevereiro do ano que vem.
O bate-boca no aplicativo de mensagens teve como protagonistas o líder do PP e o líder do MDB, Baleia Rossi (SP). Lira acusou Baleia de ter rompido com um acordo construído sobre a MP de regularização fundiária.
Uma conversa entre Lira e Maia estava prevista para esta quinta-feira (14) e parlamentares esperavam que eles colocassem panos quentes no atrito.
Na noite de terça-feira (12), depois de três horas de votação e sem que os deputados tivessem sequer entrado no mérito da MP 910, Baleia Rossi defendeu a substituição da medida provisória por um projeto de lei para fazer uma rodada de diálogos com líderes partidários sobre o texto. Maia o apoiou. Lira, visivelmente irritado, protestou contra o que considerou quebra de acordo.
"A proposta do líder Baleia Rossi não foi discutida nem no grupo de líderes de que fazemos parte, e, portanto, pegou-nos a todos de surpresa", disse. "Não fomos nem sequer comunicados pelo líder Baleia Rossi, por quem tenho um apreço muito grande", afirmou Lira
No grupo de WhatsApp de líderes da Câmara, Lira escreveu a Maia reclamando do colega e dizendo que não fazia mais sentido manter aquele grupo. Insinuou ainda que os colegas teriam costurado um outro trato sem que ele soubesse. Pediu, então, que Maia "desmanchasse" o grupo para que ele não tivesse que sair de lá.
Baleia respondeu dizendo que havia sido mal interpretado e que ele havia consultado a Frente Parlamentar do Agronegócio sobre a votação, mas não os líderes. Ainda no WhatsApp, Lira subiu o tom: "Não tem bobo nem inocente neste mundo".
Por fim, saiu do grupo no aplicativo e organizou outro, que chamou de "Os independentes", e reúne os partidos que negociam para ir para a base do governo, marcando assim uma divisão entre os mais próximos de Jair Bolsonaro e outra ala, aliada a Maia.
A briga continuou nesta quarta-feira com uma articulação de Lira para boicotar a reunião de líderes do presidente da Câmara. Faltaram ao encontro o parlamentar do PP, além de Wellington Roberto (PL-PB), líder do PL, e outros.
Apesar de nenhum líder cravar que o rompimento é definitivo, caciques do centrão viram na atitude de Lira o início de uma movimentação mais enfática dele para marcar distância de Maia e buscar construir sua candidatura à presidência da Câmara.
A avaliação de dirigentes partidários é a de que o líder do PP quis mandar um recado ao Planalto de que se distancia de Maia. E, além disso, já procura entre os próprios pares se posicionar como uma alternativa ao presidente da Câmara.
Entre o grupo mais próximo ao líder do PP, a avaliação é a de que Maia também fez um gesto pensando na divisão de forças na Casa.
Ao retirar a MP de pauta, Maia atendeu à oposição. Segundo parlamentares, o presidente da Casa sabe que hoje precisa de deputados contrários a Bolsonaro para manter pelo menos 130 parlamentares -uma média da oposição- a seu favor.
Nos bastidores, deputados dizem que já havia um mal-estar entre Maia e líderes dos partidos que vêm se aproximando de Bolsonaro desde que eles começaram a negociar com o chefe do Executivo, minando, de certa forma, a influência do presidente da Câmara.
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