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governo federal

Notícia da edição impressa de 26/03/2020. Alterada em 25/03 às 20h26min

Governadores se contrapõem a Bolsonaro

Presidente Bolsonaro volta a defender isolamento parcial e ataca ações estaduais

Presidente Bolsonaro volta a defender isolamento parcial e ataca ações estaduais


ISAC NÓBREGA/PR/JC

Os governadores começaram a trocar mensagens na noite desta terça-feira, logo após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em rede nacional de TV, em que pediu a volta às aulas e mais uma vez minimizou os riscos da doença para a saúde pública.

Os governadores começaram a trocar mensagens na noite desta terça-feira, logo após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em rede nacional de TV, em que pediu a volta às aulas e mais uma vez minimizou os riscos da doença para a saúde pública.

Em geral, os chefes de Executivo estaduais defendem as medidas de restrição à mobilidade da população para conter acurva de propagação da Covid-19, em linha como que prega a maioria dos infectologistas. A proposta de combater o coronavírus desta forma foi reiterada nesta quarta-feira, ao longo do dia e também em reunião por videoconferência entre os governadores.

A entrevista de Bolsonaro pela manhã, em frente ao Palácio do Alvorada, aumentou a preocupação dos estados. O presidente disse que a prioridade deveria ser a retomada da atividade econômica e citou até riscos para a democracia. "O mal que teremos com o isolamento horizontal (Bolsonaro defende o isolamento vertical, apenas para pessoas com mais vulnerabilidade de saúde) será muito maior do que o mal que teremos com o vírus", afirmou Bolsonaro.

Desde o início da crise, o presidente tem tido atitude crítica aos governadores, especialmente os de São Paulo, João Doria (PSDB), e Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), vistos como possíveis adversários na corrida presidencial em 2022. Em entrevista à TV Record no domingo, o presidente chegou a dizer que a população está sendo enganada pelos governadores e em breve descobrirá isso.

No primeiro embate direto desde a chegada ao Brasil da pandemia do coronavírus, o presidente e Doria trocaram acusações duras sobre a condução da crise sanitária. Bolsonaro disse que o tucano não tem autoridade para criticá-lo após ter sido eleito em 2018 com sua ajuda e, depois, de ter lhe virado as costas. Já o Doria cobrou "serenidade, calma e equilíbrio", e ameaçou ir à Justiça se o governo federal confiscar respiradores mecânicos para doentes graves com Covid-19.

O duelo ocorreu durante a tensa videoconferência na qual Doria e os outros governadores do Sudeste, Wilson Witzel (PSC-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Renato Casagrande (PSB-ES) discutiram a emergência nacional do vírus. 

Até mesmo o aliado de primeira hora de Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rompeu com o presidente depois do pronunciamento na noite de terça-feira. O goiano anunciou que não conversará mais com Bolsonaro e que o estado não atenderá suas determinações sobre o combate ao coronavírus.

O presidente Bolsonaro manteve nesta quarta-feira o tom adotado em seu pronunciamento da véspera sobre a crise do novo coronavírus, criticou medidas tomadas por governadores para a restrição de movimentação de pessoas e defendeu o isolamento apenas para aqueles do chamado grupo de risco, como idosos e portadores de comorbidades.

"Vou conversar com ele (Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde) e tomar a decisão. Cara, você tem que isolar quem você pode. Você quer que eu faça o quê? Eu tenho o poder de pegar cada idoso e levar para um lugar? É a família dele que tem que cuidar dele no primeiro lugar", afirmou Bolsonaro, em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada, a residência oficial da presidência.

"O povo tem que parar de deixar tudo nas costas do poder público. Aqui não é uma ditadura, é uma democracia", declarou. "Os responsáveis pela minha mãe de 92 são seus meia-dúzia (de) filhos", complementou Bolsonaro.

Parlamentares, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagiram nesta terça-feira com perplexidade e irritação ao pronunciamento em que o presidente criticou o fechamento de escolas, atacou governadores e culpou a imprensa pela crise provocada pelo coronavírus no Brasil.

Os termos usados pelo presidente para se referir a governadores e prefeitos que têm investido na restrição de movimentação - como o fechamento de comércio e divisas estaduais - foram duros. Ele declarou que "alguns poucos governadores e prefeitos" estão cometendo "um crime", "arrebentando com o Brasil e destruindo empregos".