Porto Alegre, segunda-feira, 16 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Entrevista especial

Notícia da edição impressa de 16/03/2020. Alterada em 16/03 às 18h49min

Wesp pretende dobrar número de prefeitos do PSDB no Estado

Presidente estadual do PSDB, Mateus Wesp afirma que estratégia é focar em grandes cidades

Presidente estadual do PSDB, Mateus Wesp afirma que estratégia é focar em grandes cidades


NÍCOLAS CHIDEM/JC
Lívia Araújo
Governando cerca de 30% da população gaúcha desde 2016, o PSDB quer dobrar o número de prefeituras comandadas pela sigla no Rio Grande do Sul, que atualmente são 26. A estratégia, no entanto, segundo o presidente estadual do partido, o deputado estadual Mateus Wesp, é focar em grandes cidades, para que "o PSDB possa ter uma hegemonia no número de cidadãos gaúchos governados por nossas gestões". Além de Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Novo Hamburgo, estão no foco dos tucanos municípios como Caxias do Sul, Passo Fundo, Canoas e Viamão.
Governando cerca de 30% da população gaúcha desde 2016, o PSDB quer dobrar o número de prefeituras comandadas pela sigla no Rio Grande do Sul, que atualmente são 26. A estratégia, no entanto, segundo o presidente estadual do partido, o deputado estadual Mateus Wesp, é focar em grandes cidades, para que "o PSDB possa ter uma hegemonia no número de cidadãos gaúchos governados por nossas gestões". Além de Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Novo Hamburgo, estão no foco dos tucanos municípios como Caxias do Sul, Passo Fundo, Canoas e Viamão.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, a exemplo de outros líderes partidários, Wesp também louvou as discussões acerca da dívida do Estado com a União, em especial sobre a Lei Kandir, que ele entende como um "pontapé inicial" para avançar em outras pautas. Como exemplo, "uma verdadeira reforma tributária, já que, quando falamos na Lei Kandir, falamos, no fundo, das relações entre federados."
Wesp vê de maneira cética o desejado encontro de contas entre as dívidas federal e estadual, quando diz que "no momento que a União tinha condições superavitárias com relação ao seu PIB, o encontro de contas não foi possível".
A reforma tributária é, aliás, um dos temas a ser enviado ainda neste semestre pelo governo do também tucano Eduardo Leite, aponta Wesp, "com a rediscussão das isenções ficais, os incentivos fiscais também transformando a nossa matriz tributária em algo mais justo para a população".
Jornal do Comércio - Quais são os planos do PSDB para as eleições municipais deste ano?
Mateus Wesp - Aumentar e qualificar a representatividade nos municípios, por meio de cursos de formação, da qualificação e do preparo técnico dos nossos quadros: cursos de oratória, formação jurídica mínima e doutrinária, para que possam exercer um bom mandato. Buscamos também aumentar o nosso número de prefeituras; nós hoje governamos quatro grandes cidades: Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Novo Hamburgo. Temos a intenção de expandir, quiçá dobrar o número de grandes cidades para que o PSDB possa ter uma hegemonia no número de cidadãos gaúchos governados por nossas gestões.
JC - Para quais cidades o partido tentará se expandir?
Wesp - Passo Fundo, Canoas, Caxias e Viamão.
JC - Qual é a representatividade atualmente e são quantas prefeituras no total?
Wesp - Temos 26 prefeituras, com 30% da população (gaúcha), e queremos alcançar o dobro. Não sei se será possível, é claro, mas nós temos esse objetivo. Temos 272 vereadores, queremos aumentar também esse número de vereadores para mais de 300, para que possamos ter o fortalecimento das bases partidárias, ter mais deputados estaduais e federais em 2022, para manter um projeto do PSDB liderando o estado do Rio Grande do Sul, com outras pessoas obviamente. Acreditamos na necessidade de oxigenação dos quadros partidários; não é à toa que o governador Eduardo já citou várias vezes que não vai à reeleição.
JC - Em Pelotas, uma das grandes cidades que o PSDB governa, Paula Mascarenhas anunciou sua pré-candidatura à reeleição.
Wesp - Cremos que a reeleição como instituto não é algo normal para um regime republicano, mas não significa que dadas as circunstâncias e excepcionalidades, isso não ocorra. Entre abrir mão de um projeto que beneficia a cidade de Pelotas e manter a tua convicção de modo desconectado da realidade, não significa ter convicção, significa, pelo contrário, vaidade.
JC - No caso de o governador não se candidatar à reeleição em 2022, a prefeita Paula é tida como um dos quadros a concorrer ao Palácio Piratini?
Wesp - A prefeita Paula tem perfeitas condições, tanto quanto o governador (tem) de assumir a gestão do estado do Rio Grande do Sul, como também outros nomes do PSDB gaúcho. Essa é a maior característica do PSDB: possuir quadros qualificados. Não é à toa que as grandes reformas que ocorreram na história do Brasil, da democratização até hoje, foram feitas por políticos do PSDB. Os grandes programas sociais, defendidos e exaltados nas gestões do PT não foram criados pelo PT, foram criadas pelo PSDB. As grandes privatizações que possibilitaram desenvolvimento econômico numa pauta mais liberal no sentido econômico foram feitas pelo PSDB na sua gestão na década de 90. As grandes reformas que mudaram, por exemplo, as gestões municipais nos últimos quatro anos em Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Novo Hamburgo, são fruto de gestões do PSDB.
JC - Para o cenário municipal, a principal mudança é o fim das coligações proporcionais. Como o PSDB se prepara?
Wesp - Com bons olhos. O PSDB, por ser reformista e institucionalista acredita, em primeiro lugar, num outro sistema eleitoral que é o distrital. O fim das coligações é um passo para que possamos ter o voto distrital, (que) possibilitará o fortalecimento dos partidos políticos, a diminuição do número de partidos, feito que será gerado pelo sistema distrital quando for implementado.
JC - Como o partido pretende se estruturar?
Wesp - Com a filiação de lideranças que compreendam e defendam os ideais da social democracia brasileira, com uma boa formação técnica e uma conduta ilibada.
JC - Com relação à ampliação de quadros femininos, nos últimos anos a ex-governadora Yeda Crusius, no PSDB mulher, foi uma incentivadora para o aumento do número de candidatas. No Estado, como está essa questão?
Wesp - Com igual peso, igual relevância, dada a importância da mulher na política. Precisamos ter uma igualdade maior entre os gêneros, masculino e feminino, para que possam contribuir de modo idêntico nas suas especificidades. Não é à toa que temos grandes mulheres atuando na política gaúcha: a ex-governadora Yeda Crusius; a deputada Zilá Breitenbach, que tem experiência no Parlamento gaúcho, que orgulha a todos nós, e tantas outas líderes políticas, como a prefeita Paula Mascarenhas, a prefeita Fátima Daudt, a vereadora Paula Ioris, pré-candidata à vice-prefeita em Caxias do Sul... O PSDB é o partido que mais possui deputadas mulheres proporcionalmente no Congresso Nacional e nós queremos que isso se repita também nas eleições de 2020.
JC - Aqui em Porto Alegre, especificamente, como é que está a relação na busca de alianças?
Wesp - O PSDB já anunciou uma parceria com o PSL, o PL, e estamos buscando outros partidos que tenham convicção de que a cidade de Porto Alegre está sendo bem governada e que deve continuar nesse caminho.
JC - Quais outros partidos estão nesse foco?
Wesp - Todos aqueles que trabalham dentro de uma concepção democrática, que não defendem regimes totalitários, que não tenham uma visão destorcida de democracia e que respeitem as instituições em primeiro lugar.
JC - O PP faz parte do governo do Estado e fez esteve com o PSDB na Capital em diversas coalizões de centro-direita. Como encara a separação que houve em Porto Alegre?
Wesp - Isso faz parte do jogo. Ter partidos políticos no mesmo campo político e com as mesmas convicções doutrinárias não dignifica necessariamente que essas ideias sejam encarnadas pelas mesmas pessoas. Assim como o vice-prefeito acredita em encarnar a ideia de um centro democrático de uma determinada forma, nós respeitamos isso e acreditamos que o prefeito Nelson Marchezan encarna essa forma de visão política de um modo mais completo, orgânico, perene e duradouro.
JC - No âmbito estadual, a questão da Lei Kandir uniu diversos campos políticos. Como vê essa movimentação para um tema discutido há tantos anos?
Wesp - Acho que é oportuno, principalmente porque nos leva a reflexão do seguinte fato: atores políticos que estavam no cenário político federal há pouco tempo, tiveram a possibilidade para criar tal consenso e não fizeram. Que bom que agora podemos discutir isso acima das questões político-partidárias que nos dividem.
JC - Vai um pouco na contramão da polarização que vem marcando nosso cenário...
Wesp - A polarização tem sentido quando as pessoas têm uma visão distinta da sociedade, o que é normal dentro de uma democracia, mas com o intuito de atingir um objetivo comum que é a convivência. Ultimamente, o esgotamento desse tecido social tem se dado pelo fato de a polarização se dar como se fosse o fim de si mesmo. Isso não dá frutos. Esse momento nos dá a oportunidade de avançar em outras pautas de consenso em nível nacional: mudança no sistema político, uma verdadeira reforma tributária, já que quando falamos na lei Kandir, falamos, no fundo, das relações entre federados, e essa discussão está sendo proposta por todos os partidos que solicitaram que o governador liderasse a pauta. O governador foi muito claro em dizer que focou primeiro em fazer o dever de casa (as reformas) e depois propor uma solução que implique, na verdade, em uma reforma federativa, cuja responsabilidade não é diretamente dele, mas sim do Congresso.
JC - Das propostas em debate, o que parece mais viável em relação à Lei Kandir?
Wesp - O mais concreto é que possamos discutir uma reforma tributária eficaz com uma mudança das competências tributárias, das responsabilidades de cada ente federado. Discutir, por exemplo, uma compensação de dívidas como muitos falam, não obstante isso possa soar tentador, leva a uma impossibilidade fática na medida em que a União passa por uma crise fiscal tão grande ou maior que a crise do Rio Grande do Sul. No momento que a União tinha condições superavitárias com relação ao seu PIB, o encontro de contas não foi possível, e a compensação de valores não foi possível. Será possível agora? Essa questão da lei Kandir não pode ser o fim da nossa discussão. É apenas um pontapé inicial para criar um clima de debate em nível nacional.
JC - Quais os próximos principais projetos que o governo deve enviar à Assembleia?
Wesp - São dois projetos no primeiro semestre, com impacto maior. A nova matriz de alíquotas para os militares, que tornará mais justa a relação entre servidores civis e militares no sentido de isonomia. O servidor militar usa todo o seu papel, sua importância, é tão servidor quanto o servidor civil e fazer com que servidores que muitas vezes ganham uma remuneração maior que os servidores civis tenham uma alíquota menor, é obviamente uma medida injusta. Mas, mais importante que isso, é a reforma tributária que queremos fazer, com a rediscussão das isenções ficais, com os incentivos fiscais também transformando a nossa matriz tributária em algo mais justo para a população. Existem setores econômicos que não precisam de incentivos fiscais e os têm; um setor que hoje não tem incentivos ficais e talvez precisasse é a produção de arroz. Somos o maior produtor de arroz do Brasil e temos a maior carga tributária em cima desse produto. Já um exemplo dos setores que não precisavam de incentivo fiscal e poderiam diminuir as alíquotas, são os que tiveram mudança na alíquota tributária em dezembro, como os setores calçadista, eletrônico, mini-cervejarias, enfim, tantos outros. Claro que essa análise tem que ser feita de modo criterioso, analisando os impactos que ocorrerão ao longo do tempo no mercado, mas acho que essa é a principal pauta a ser discutida no primeiro semestre.
JC - Que outros eixos o governo deve priorizar?
Wesp - Manter essa linha de parcerias com a iniciativa privada, que já tem feito com que a nossa economia cresça mais do que a economia nacional. O Rio Grande do Sul economicamente está mais competitivo do que o governo federal, e para continuarmos precisamos melhorar nossa infraestrutura rodoviária, hidroviária e aeroportuária para que, com a iniciativa privada, tenhamos aportes de recursos, principalmente em setores estratégicos para a produção na indústria, como o energético. Temos as privatizações para ocorrer ainda esse ano e possibilitar investimentos pesados.
JC - Como estão as privatizações das estatais de energia?
Wesp - O governo do Estado tem mantido contato com o Bndes, com consultorias vinculadas ao Bndes, para que ele possa nos auxiliar no plano de elaboração de negócios. No segundo semestre, encaminhar as estatais à bolsa de valores, ao mercado, para que possamos também, com a venda das estatais, conseguir recursos suficientes para colocar em dia o vencimento dos servidores e acabar com o discurso de crise, focando mais nas soluções.

Perfil

Natural de Passo Fundo, onde nasceu em 23 de julho de 1988, Mateus José de Lima Wesp mudou-se para Porto Alegre para estudar Direito na Pontifícia Universidade Católica (Pucrs). Depois de graduar-se, fez mestrado e doutorado em Direito Público na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Em 2012, concorreu a vereador pela primeira vez em Passo Fundo. Obteve 1.214 votos, ficando como primeiro suplente do PSDB. Em 2016, ao se candidatar outra vez para a Câmara Municipal passo-fundense, foi eleito como o mais votado, com 2.710 votos. Não chegou a concluir o mandato na vereança, pois, em 2018, conquistou uma cadeira no Parlamento gaúcho, com uma votação de 28.173, elegendo-se para o primeiro seu mandato na Assembleia aos 30 anos. Em maio de 2019, foi eleito presidente do diretório estadual do PSDB. Ainda neste ano, na Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle da Assembleia, foi o relator da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), do Plano Plurianual (PPA), e do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA).