Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

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investigação

Notícia da edição impressa de 10/02/2020. Alterada em 10/02 às 03h00min

Ex-PM suspeito no caso Marielle é morto na Bahia

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto em uma troca de tiros com a polícia na manhã deste domingo (9), em Esplanada, no interior da Bahia.
O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto em uma troca de tiros com a polícia na manhã deste domingo (9), em Esplanada, no interior da Bahia.
Foragido desde janeiro do ano passado, ele é apontado como chefe do "Escritório do Crime", milícia suspeita pela morte da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e a de seu motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018.
Adriano trabalhou no 18º Batalhão da Polícia Militar (PM) com Fabrício Queiroz, o ex-assessor de gabinete do agora senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), investigado por lavagem de dinheiro no esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A mãe e a filha de Nóbrega trabalhavam no gabinete do filho do presidente e teriam sido contratadas por Queiroz. Segundo o Ministério Público, o milicano ficava com parte do pagamento delas.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, quando os policiais chegaram, ele teria efetuado disparos e, na troca de tiros, teria sido ferido. Ainda segundo dados do governo baiano, ele teria sido levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Nóbrega chegou a ligar para seu advogado, Paulo Emilio Catta Preta, na última semana, dizendo ter certeza de que seria morto se a polícia o encontrasse. "Ele disse que, caso se entregasse, tinha certeza que estaria morto no dia seguinte e também que estaria morto se o encontrassem. Falou, inclusive, que seria queima de arquivo", disse o advogado.
Em nota, o secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, disse que a corporação procura "sempre apoiar as polícias dos outros estados e, desta vez, priorizamos o caso por ser de relevância nacional. Buscamos efetuar a prisão, mas o procurado preferiu reagir atirando". No comunicado sobre o ocorrido, o governo baiano coloca Nóbrega como "envolvido na morte de Marielle Franco".
Até agora, o Ministério Público acusa o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz de terem participado da morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. A polícia investiga possível relação de Lessa com uma quadrilha de matadores da qual fazia parte o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia.
Ele também foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro em discurso na Câmara dos Deputados, em 2005, quando foi condenado por um homicídio. O ex-capitão seria absolvido depois em novo julgamento.
Enquanto estava preso preventivamente pelo crime, foi condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes.