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Porto Alegre, sexta-feira, 13 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Meio Ambiente

Alterada em 13/12 às 17h12min

Ex-presidente do Inpe Ricardo Galvão é escolhido um dos dez cientistas do ano pela 'Nature'

Galvão foi demitido do Inpe por Bolsonaro após divulgar dados oficiais do desmatamento na Amazônia

Galvão foi demitido do Inpe por Bolsonaro após divulgar dados oficiais do desmatamento na Amazônia


WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO/JC
O ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão é um dos dez especialistas escolhidos pela revista "Nature", referência da área, para o "Nature's 10", premiação anual para os destaques na ciência. A informação foi confirmada pelo próprio físico. Galvão protagonizou em julho um duro embate com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, após divulgar dados oficiais do desmatamento na Floresta Amazônica.
O ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão é um dos dez especialistas escolhidos pela revista "Nature", referência da área, para o "Nature's 10", premiação anual para os destaques na ciência. A informação foi confirmada pelo próprio físico. Galvão protagonizou em julho um duro embate com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, após divulgar dados oficiais do desmatamento na Floresta Amazônica.
A lista completa será divulgada pela "Nature" na próxima terça-feira, às 13h, no horário de Brasília. Galvão foi entrevistado por jornalistas da revista há duas semanas, quando participava de um ciclo de palestras na Universidade Columbia, em Nova York, nos EUA.
"Naturalmente, como brasileiro, me sinto triste pelo motivo da indicação ter sido o fato de o governo não ter cumprido suas obrigações com a preservação da Floresta Amazônica. Por outro lado, fico satisfeito, porque foi um momento difícil decidir o que fazer naquela ocasião, mas entendi que deveria demarcar uma posição firme. Não era apenas a questão do desmatamento, mas um ataque à ciência brasileira", afirma Galvão. "A parte boa é que a reação não só da socidade brasileira, mas de toda a comunidade internacional, foi enorme. A preservação da Amazônia atraiu interesse do mundo todo e colocou o governo brasileiro em uma posição extremamente constrangedora."
A exoneração de Galvão, em agosto, causou forte repercussão na comunidade científica brasileira e internacional. Na ocasião, Bolsonaro sugeriu que o cientista poderia "estar a serviço de alguma ONG" e questionou os dados divulgados pelo Inpe, que apontaram um aumento expressivo do desmatamento na Amazônia no mês anterior. Seu substituto, o oficial da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, declarou que o aquecimento global "não era sua praia".
O ex-presidente do Inpe, que tem 71 anos, recebeu na última semana o título de cidadão paulistano pela Câmara Municipal de São Paulo.
"Uma das razões que a 'Nature' me informou ter me escolhido é que, no momento em que se propagam questões obscurantistas, negacionistas e terraplanistas, tive a coragem de contrariar o governo mostrando a importância da ciência. Ela não pode de forma nenhuma ser atacada. Tenho sempre repetido que todo gestor público, todo líder de um país deveria ter consciência de que, quando se trata de questões científicas, não há autoridade acima da soberania da ciência."
A indicação se tornará pública em meio à participação do Brasil na 25ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25), em Madri, onde os índices de desmatamento anunciados pelo Inpe e pesaram contra o tradicional protagonismo que o país exercia na área.
"Infelizmente vimos o ministro Salles falar (na COP-25) que o Brasil não pode ser atacado porque ainda tem 80% da floresta. É um discurso para enganar bobo, porque assim ele busca esconder a ausência de ações de fiscalização e de controle da Amazônia que deveriam ser tomadas. Medidas que, inclusive, são regulamentadas pela lei 2.187 no Brasil no combate ao aquecimento global", afirma o ex-presidente do Inpe.
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