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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de novembro de 2019.
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Jornal do Comércio

Política

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Operação Lava Jato

Edição impressa de 20/11/2019. Alterada em 20/11 às 03h00min

Ex-presidente do Paraguai é alvo de mandado de prisão

(FILES) In this file photo taken on June 03, 2016, Paraguay's President Horacio Cartes listens during the Latin America and Caribbean International economic forum at the Economy Ministry in Paris. - Brazilian justice called on November 19, 2019, for Paraguay's former President Horacio Cartes to be placed under preventive detention for alleged money laundering in conection with the Lava Jato anti-corruption probe, official sources and the state-run Agencia Brasil reported. (Photo by ERIC PIERMONT / AFP)

(FILES) In this file photo taken on June 03, 2016, Paraguay's President Horacio Cartes listens during the Latin America and Caribbean International economic forum at the Economy Ministry in Paris. - Brazilian justice called on November 19, 2019, for Paraguay's former President Horacio Cartes to be placed under preventive detention for alleged money laundering in conection with the Lava Jato anti-corruption probe, official sources and the state-run Agencia Brasil reported. (Photo by ERIC PIERMONT / AFP)


/ERIC PIERMONT/AFP/JC
Operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta terça-feira (19), tem como alvo principal o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, que esteve no comando do país vizinho entre agosto de 2013 a agosto do ano passado. Cartes é ligado a Dario Messer, conhecido como o "doleiro dos doleiros", preso em São Paulo em julho deste ano, após ficar 14 meses foragido como alvo da Operação Câmbio, Desligo. Eles são acusados de lavagem de dinheiro pela força-tarefa da Lava-Jato e organização criminosa. O nome de Cartes será incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta terça-feira (19), tem como alvo principal o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, que esteve no comando do país vizinho entre agosto de 2013 a agosto do ano passado. Cartes é ligado a Dario Messer, conhecido como o "doleiro dos doleiros", preso em São Paulo em julho deste ano, após ficar 14 meses foragido como alvo da Operação Câmbio, Desligo. Eles são acusados de lavagem de dinheiro pela força-tarefa da Lava-Jato e organização criminosa. O nome de Cartes será incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
De acordo com a investigação, cerca de US$ 20 milhões foram ocultados do esquema, sendo grande parte deles (mais de US$ 17 milhões) em um banco nas Bahamas. O restante foi distribuído no Paraguai entre doleiros, casas de câmbio, empresários, políticos e uma advogada.
Além do ex-presidente paraguaio, foram expedidos mandados de prisão contra outras 19 pessoas (17 de prisão preventiva, 3 mandados de prisão temporária) e outros 18 de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio, na ação denominada de Patrón. A operação é um desdobramento da Operação Câmbio, Desligo, e acontece no Rio, em São Paulo, Búzios e em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Entre os presos está a namorada de Messer, Myra de Oliveira Athayde. Ela foi presa em seu apartamento, em Ipanema, zona sul do Rio.
O nome da operação se refere ao termo como Messer reverenciava Cartes, apontado pela investigação como responsável por mantê-lo escondido das autoridades paraguaias e brasileiras.
Os negócios de Cartes e Messer são monitorados por diferentes agências americanas há duas décadas a partir de Assunção e de Ciudad del Este, na fronteira como Brasil. A sociedade com o ex-presidente paraguaio foi confirmada por um antigo parceiro brasileiro de Messer, Lucio Bolonha Funaro, responsável pela lavagem de dinheiro de corrupção do grupo político liderado pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-Rio).
Messer seria um sócio oculto de Cartes no Banco Amambay, atual Banco Basa, conforme indicou a Comissão Bicameral de Investigação do Congresso paraguaio, em relatório em abril do ano passado. Com sede em Assunção, o banco detém 3% do total de depósitos bancários declarados no Paraguai e nasceu da Casa de Câmbio Amambay, fundada pelo pai de Cartes, Ramón, que, em 1989, cedeu a Messer parte do controle.
Foi justamente nos anos 1990 que Messer ingressou nos negócios com dólares, graças a seu pai. Nessa época, Cartes era foragido da Justiça por evasão de divisas e foi acolhido no Rio por Mordko Messer, pai do "doleiro dos doleiros". A partir dai, estava selada a parceria de longo prazo em operações de câmbio. Além de atuar no mercado de câmbio, o ex-presidente tornou-se um milionário da área do tabaco e comandou até time de futebol. Entrou na política em 2008, pelo partido Colorado, e cinco anos depois alcançou a Presidência da República no Paraguai.
Cartes já declarou certa vez que Messer, que tem cidadania paraguaia, é seu "irmão de alma". Enquanto governou o Paraguai, os negócios do doleiro prosperaram. Um levantamento de bens feito pelo governo paraguaio mostra que Messer construiu um patrimônio de quase US$ 100 milhões.

Investigação aponta envolvimento com tráfico de drogas

Os negócios espúrios entre os "irmãos de alma" Dario Messer e Horacio Cartes foram muito além do esquema de lavagem de dinheiro envolvendo casas de câmbio e compra e venda de dólares e chegaram ao tráfico de drogas, contrabando de armas e de cigarro na tríplice fronteira. Segundo as investigações da Lava Jato, o doleiro e o ex-presidente paraguaio comandavam uma organização criminosa que atuava em várias frentes e movimentava milhões de dólares.

Boa parte do patrimônio de Cartes cresceu com a produção de cigarros de sua empresa Tabacalera Del Este, situada na tríplice fronteira, e ponto de partida para a distribuição de cigarros contrabandeados para o Brasil.

Cartes é apontado pela força-tarefa como líder do "núcleo político" do esquema, uma vez que também detém forte poder econômico por ser proprietário de dezenas de empresas do seu conglomerado, incluindo banco, empresas de tabaco, de refrigerantes e de produção de carne entre outras. Riqueza essa que alavancou sua carreira política até chegar à Presidência da República.

A partir de extratos e conversas encontradas nos celulares apreendidos com Messer no dia de sua prisão, em julho do ano passado, em São Paulo, foi possível verificar que, mesmo foragido, ele manteve o controle do esquema criminoso de lavagem e obteve proteção de criminosos paraguaios para se esconder por 14 meses.

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