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Estado de Direito

- Publicada em 03h04min, 30/10/2019. Atualizada em 03h00min, 30/10/2019.

Presidente se desculpa por vídeo com hienas postado em rede social

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que errou e se desculpou nesta terça-feira pelo vídeo com hienas e leões publicado em uma rede social na véspera. O conteúdo foi apagado pouco tempo depois, após repercussão negativa.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que errou e se desculpou nesta terça-feira pelo vídeo com hienas e leões publicado em uma rede social na véspera. O conteúdo foi apagado pouco tempo depois, após repercussão negativa.
No vídeo publicado nesta segunda-feira, Bolsonaro se compara a um leão acossado por hienas que o atacam. Uma delas representa o Supremo Tribunal Federal (STF). Outras hienas representam a imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Organização das Nações Unidas (ONU), partidos de oposição, como PT e PCdoB e o seu próprio partido, o PSL.
"Me desculpo publicamente ao STF, a quem por ventura ficou ofendido. Foi uma injustiça, sim, corrigimos e vamos publicar uma matéria que leva para esse lado das desculpas. Erramos e haverá retratação", disse Bolsonaro durante viagem à Arábia Saudita.
O vídeo provocou reação no STF. O ministro Celso de Mello, decano da corte, disse que a postagem evidencia que "o atrevimento presidencial parece não encontrar limites".
Segundo Bolsonaro, ninguém percebeu alguns símbolos que apareciam "por frações de segundos" no vídeo. "Depois, percebemos que estávamos sendo injustos, retiramos e falei que o foco são as nossas viagens", disse.
O presidente não respondeu se o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), seu filho, foi o responsável pela publicação do vídeo. O tuíte veio depois de postagens com teor semelhante feitas por Carlos, que já admitiu em outra ocasião publicar nas redes do presidente.
Bolsonaro afirmou que não se pode culpar Carlos, que mais pessoas têm a senha das suas redes e que a responsabilidade era dele. O presidente disse ainda que orientou sua equipe a evitar esse tipo de conteúdo.
Nas entrevistas coletivas em Riad, Bolsonaro se recusa a falar sobre a polêmica. Pela manhã, ele interrompeu uma conversa ao ser questionado sobre a reação do ministro Celso de Mello. No início da noite, logo após voltar de um encontro com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, Bolsonaro se aproximou dos jornalistas, mas virou as costas quando foi novamente questionado sobre o assunto.
 

'Cortina de fumaça', reage ministro do Supremo Marco Aurélio Mello

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), taxou de deplorável e rasteira a publicação do vídeo das hienas no Twitter. Para Marco Aurélio, trata-se de uma cortina de fumaça para distrair a atenção, numa referência aos áudios revelados ao longo do dia atribuídos a Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, e cuja movimentação financeira levou o Ministério Público (MP) a abrir uma investigação.

"Nesses tempos estranhos, tudo é possível, até mesmo essa cortina de fumaça. Tática rasteira no que enxovalha a instituição básica da República, guarda da Constituição, o Supremo. O exemplo, especialmente para o cidadão leigo, vem de cima. É deplorável. Aonde vamos parar? O Brasil precisa estar focado em coisas boas, construtivas, positivas, visando o bem estar de todos e não em futricas rasteira", afirmou Marco Aurélio.

Em entrevista à rádio CBN, Marco Aurélio foi mais explícito ao citar os áudios de Queiroz. "Eu tenho que nada surge sem uma causa. Qual seria a causa? Qual é o descontentamento com o Supremo? Não acredito que haja descontentamento com o Supremo. E as decisões do Supremo são para ser cumpridas. Agora há uma coincidência muito grande que esse foco surge justamente numa hora em que aparecem essas coisas envolvendo o assessor Queiroz. 

Já o ministro Gilmar Mendes evitou comentar o vídeo postado na conta de Bolsonaro no Twitter. "Eu não vi", disse.

Há um inquérito aberto no STF por ordem do presidente da Corte, Dias Toffoli, e sob os cuidados do ministro Alexandre de Moraes para investigar ataques e ofensas à Corte. Questionado se o vídeo poderia ser investigado nesse processo, Gilmar recomendou que a imprensa falasse sobre isso com o relator do processo: "Vão conversar com o Alexandre".

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