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Relações exteriores

- Publicada em 03h06min, 05/09/2019. Atualizada em 03h00min, 05/09/2019.

Jair Bolsonaro faz ataque a pai de Michelle Bachelet

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que a Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, está "defendendo direitos humanos de vagabundos". Ele também atacou o pai da ex-presidente do Chile, morto durante a ditadura militar chilena em decorrência de torturas sofridas no cárcere.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que a Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, está "defendendo direitos humanos de vagabundos". Ele também atacou o pai da ex-presidente do Chile, morto durante a ditadura militar chilena em decorrência de torturas sofridas no cárcere.

Alberto Bachelet foi um brigadeiro-general chileno da Força Aérea do Chile que se opôs ao golpe de 1973 do general Augusto Pinochet. Ele foi preso e submetido a tortura por vários meses até sua morte, em 1974.

"Senhora Michelle Bachelet, se não fosse o pessoal do Pinochet derrotar a esquerda em 73, entre eles o seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba. Acho que não preciso falar mais nada para ela. Parece que quando tem gente que não tem o que fazer, como a senhora Michelle Bachelet, vai lá para cadeira de direitos humanos da ONU. Passar bem, dona Michelle", disse o presidente a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta quarta-feira.

Bolsonaro também desejou "meus pêsames" para Michelle Bachelet. "A única coisa que tenho em comum com ela é a esposa que tem o mesmo nome. Fora isso, fora isso, meus pêsames a Michelle Bachelet", disse o presidente.

A crítica veio após Bachelet dizer em uma entrevista que o Brasil sofre uma "redução do espaço democrático", especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos.

Ele também voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e fez comparações com a postura da comissária da ONU. Nas últimas semanas, Bolsonaro e Macron antagonizaram na questão ambiental envolvendo a região amazônica.

"Perderam a briga na agenda ambiental, igual o Macron quis fazer com a nossa soberania aqui. Ela agora vai na agenda de direitos humanos. Está acusando que eu não estou punindo policiais que estão matando muita gente no Brasil. Essa é a acusação dela, ela está defendendo direitos humanos de vagabundos. E ela diz mais ainda, ela critica dizendo que o Brasil está perdendo o seu espaço democrático", reclamou.

No Facebook, Bolsonaro reforçou ataque ao pai de Michelle Bachelet. "(Michelle Bachelet) diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época", escreveu.

Pelo Twitter, o presidente reforçou que Michelle Bachelet está "seguindo a linha" do presidente Macron "em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira". "(Ela) investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares", escreveu na rede social.

Sebastián Piñera condena falas; políticos emitem nota de repúdio

Piñera reforçou compromisso com democracia e direitos humanos
Piñera reforçou compromisso com democracia e direitos humanos
/JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL/JC

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse, em pronunciamento nesta quarta-feira, não compactuar com as falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre o pai de Michelle Bachelet.

Piñera, um dos principais aliados regionais de Bolsonaro, afirmou que "toda pessoa tem o direito de ter seu juízo histórico sobre os governos dos anos de 1970 e 1980, mas que estas visões devem ser expressadas com respeito às pessoas". "Não compartilho em absoluto à menção feita pelo presidente Bolsonaro por respeito à uma ex-presidente do Chile e, especialmente, em um tema tão doloroso como a morte de seu pai." Piñera também reforçou que seu compromisso sempre foi com a democracia, a liberdade e os direitos humanos "em todo o tempo, lugar e circunstância".

Também nessa quarta, em uma nota de repúdio, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT), o candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández e os ex-presidentes Rafael Correa, do Equador, e José Luiz Zapatero, da Espanha criticam as falas do presidente do Brasil. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A nota é assinada por 29 autoridades que se denominam o "Grupo de Puebla".

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