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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

Edição impressa de 01/08/2019. Alterada em 01/08 às 03h00min

Para aliados, Jair Bolsonaro foca em pautas secundárias

Aliados de Jair Bolsonaro (PSL) e militares tentam identificar o foco do comportamento intempestivo do presidente. A avaliação do núcleo militar e de integrantes da base do governo no Congresso é a de que, principalmente nos últimos dias, Bolsonaro voltou a ser estimulado a ir para o confronto e a dar vazão ao que é classificado como pauta secundária.
Aliados de Jair Bolsonaro (PSL) e militares tentam identificar o foco do comportamento intempestivo do presidente. A avaliação do núcleo militar e de integrantes da base do governo no Congresso é a de que, principalmente nos últimos dias, Bolsonaro voltou a ser estimulado a ir para o confronto e a dar vazão ao que é classificado como pauta secundária.
A preocupação desses aliados é a de que, ao ser incentivado a prestar atenção em temas laterais, Bolsonaro acaba, inevitavelmente, esquecendo a agenda positiva do governo, como a econômica -que tem apoio da Câmara e do Senado e respaldo de setores da população.
Na segunda-feira (29), tanto militares quanto integrantes da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto foram pegos de surpresa com as declarações de Bolsonaro, dadas na porta do Palácio da Alvorada, sobre o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A entrevista à imprensa não estava programada na agenda e os auxiliares do presidente já o aguardavam na antessala de seu gabinete para um reunião programada para as 8h10min. Naquele momento, Bolsonaro estava acompanhado apenas de seguranças e ajudantes de ordem.
O núcleo duro do Planalto, incluindo civis e militares, e os aliados mais próximos do Congresso, como o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), participaram, só depois da entrevista, do encontro que já foi incorporado à rotina diária de Bolsonaro.
A reunião, que começou atrasada por causa das declarações matutinas do presidente, teve uma pauta que passou ao largo das declarações polêmicas que Bolsonaro acabara de dar na saída do Alvorada. De acordo com relatos, não foi proposital - os auxiliares palacianos e os aliados nem tiveram tempo de ver as falas.
Ao ironizar o desaparecimento do pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, durante a ditadura militar (1964-1985), Bolsonaro estimulou a organização de um gabinete de crise informal.
Nesta terça-feira (30), o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, foi escalado para tentar conter a onda de declarações extemporâneas do presidente. A declaração de como teria se dado a morte de Fernando Santa Cruz soou despropositada também entre os militares.
A avaliação recorrente, dentro e fora do Planalto, entre aliados e adversários do governo, é de que Bolsonaro extrapolou o limite do aceitável, ao "dar um golpe abaixo da linha da cintura" do presidente da OAB. 
O impacto, dizem pessoas próximas a Bolsonaro, poderia ter sido muito maior se o Congresso não estivesse em recesso. A preocupação, de acordo com a análise desses aliados, é que o governo perca, definitivamente, o controle da pauta positiva e que, diante de tantas polêmicas, até mesmo a base de sustentação de Bolsonaro nas ruas acabe o abandonando.
No Congresso, a percepção é a de que o presidente ainda é influenciado por uma rede que ainda não se desvinculou do espírito da campanha eleitoral. O clima de caça às bruxas, dizem parlamentares mais próximos ao governo, segue na órbita de Bolsonaro e, em determinados momentos, como o atual, explode. O esforço no Planalto agora é para, às vésperas da retomada dos trabalhos no Congresso, estancar a crise provocada pela série de declarações do presidente e preservar o avanço das reformas tributária e da Previdência.
 

FHC diz que Bolsonaro tem 'rompantes autoritários'

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em sua conta no Twitter, que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem dado "vazão a rompantes autoritários" em suas declarações recentes a respeito da morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, durante a Ditadura Militar.

Para FHC, Bolsonaro tem "incontinência verbal", o que traz, na visão do tucano, prejuízos para o Brasil porque afeta a credibilidade do País.

"O presidente despreza os limites do bom senso por sua incontinência verbal. Contraria documentos oficiais sobre o pai do presidente da OAB e dá vazão a rompantes autoritários. Prejuízo para ele e para o Brasil: gostemos ou não, foi eleito. O que diz repercute e afeta a nossa credibilidade", tuitou o ex-presidente.

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