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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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prefeitura de porto alegre

Edição impressa de 28/03/2019. Alterada em 27/03 às 21h41min

Marchezan anuncia PPPs em educação e saúde

Prefeitura pretende 'desestatizar' todos os serviços da área social

Prefeitura pretende 'desestatizar' todos os serviços da área social


LUIZA PRADO/JC
Marcus Meneghetti
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), anunciou ontem Parcerias Público-Privadas (PPPs) em escolas e unidades de saúde públicas municipais. Foi na reunião-almoço Tá na Mesa, promovida pela Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul).
Na educação, Marchezan anunciou que a próxima escola municipal a ser administrada por uma entidade terceirizada - ainda neste ano - vai ser Escola de Ensino Fundamental Lumiar, conhecida como Aldeia Lumiar (que já tem parceria com a Organização Não-governamental Aldeia da Fraternidade). Na saúde, o prefeito pretende contratualizar o serviços nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Lomba do Pinheiro e da Bom Jesus.
Durante sua apresentação a empresários e políticos - incluindo o governador Eduardo Leite (PSDB) e vereadores da base aliada - Marchezan declarou que a desestatização de serviços públicos "vai chegar a todos os setores da área social".
"Uma parte dos órgãos de fiscalização entende que somos obrigados a ter servidores públicos em algumas dessas áreas. Não entendemos dessa forma. Achamos que o serviço tem que ser público, pago com dinheiro público. Mas não precisa ser feito pelos servidores, mas sim fiscalizados por eles", disse o prefeito.
Em seguida, relatou que Porto Alegre foi a primeira cidade brasileira a terceirizar a administração de uma escola pública, a Pequena Casa da Criança, que atende 350 alunos de Educação Infantil e Fundamental. "E, neste ano, nos próximos meses, nas próximas semanas, vamos contratualizar a segunda escola, a Aldeia Lumiar", projetou.
Depois de ser aplaudido algumas vezes durante a sua fala, Marchezan desafiou os empresários: "queremos que as escolas privadas tenham a coragem de aceitar o desafio de administrar uma escola municipal estatal. Precisamos que as escolas privadas aceitem a remuneração para irem às vilas, às zonas afastadas e assumam 400 alunos da periferia de uma escola estatal".
Mais tarde, quando a presidente da Federasul, Simone Leite (PP), leu as perguntas feitas pelos empresários ao prefeito, ela recebeu um bilhete do presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe), Bruno Eizerik. "Já temos uma resposta ao desafio do prefeito: o Bruno do Sinepe escreveu 'desafio aceito'", leu Simone.
Durante a palestra, Marchezan reclamou da legislação federal que regula o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que limita a terceirização nas escolas. "No ensino infantil, posso contratualizar com recursos do Fundeb. No ensino fundamental, tem que ser com recursos do Tesouro Municipal, porque, pela lei federal, não podemos libertar os alunos mais pobres de uma escola estatal (de ensino fundamental). Então, estamos contratualizando com recursos do Tesouro. Mas a lei federal do Fundeb precisa ser alterada".
Quanto à área da saúde, o prefeito disse que também planeja terceirizar os serviços em duas UPAs. "Vamos fazer (PPPs) na UPA Bom Jesus e Lomba (do Pinheiro), onde vamos contratualizar com entidades centenárias. Os servidores públicos desses lugares vão para onde eles fazem falta, para suprir médicos e enfermeiros."

Prefeito da Capital declarou encerrado diálogo com Simpa e chamou sindicalistas de 'criminosos'

Antes da sua palestra a empresários e políticos no Tá na Mesa da Federasul, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), concedeu uma entrevista coletiva a jornalistas, na qual declarou que o diálogo com o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) está encerrado. Durante a declaração, o prefeito chegou a se referir a integrantes do Simpa como "criminosos".
"O diálogo com o Simpa está encerrado e estamos torcendo para que surjam outras lideranças representativas dos servidores, como existem em várias áreas da prefeitura. Nos reunimos com todas as outras associações e sindicatos, porque eles não representam partidos e interesses privados", sentenciou o prefeito.
A relação do Executivo de Porto Alegre com o Simpa se deteriorou ao longo dos dois anos do governo Marchezan, por conta das tentativas do Paço Municipal em aprovar o projeto que retirava direitos dos servidores - votado na madrugada desta terça-feira.
Os vereadores aprovaram o projeto do governo Marchezan que alterou o plano de carreira dos servidores públicos municipais, extinguindo a gratificação de 15% e 25 % aos municipários que completam 15 e 25 anos de trabalho, respectivamente. O projeto também modificou o aumento de 5% a cada três anos, concedendo 3% a cada cinco anos.
Durante a tramitação do projeto, os servidores reclamavam do achatamento salarial que a medida traria e da falta de diálogo por parte do governo (visto que o Estatuto dos Servidores levou um ano para ser formulado). Por outro lado, Marchezan acusava os sindicatos de terem interesses políticos.
A discordância em relação ao projeto também levou os municipários a protestarem, entre outros locais, na frente da casa do prefeito e do secretário de Educação, Adriano Naves de Brito. Os trabalhadores chegaram a se manifestar durante horas dentro da prefeitura e, conforme o governo municipal, na sede da Secretaria Municipal da Saúde. Durante a votação que iniciou segunda-feira e se estendeu até a madrugada do dia seguinte, houve confrontos com a Brigada Militar.
"No momento em que há agressões físicas e criminalidade, visto que não respeitaram a lei, com invasões de espaços públicos, da própria prefeitura, secretarias de Educação e de Saúde, a gente começa a lidar com criminosos, não mais com sindicalistas. Aí, sim, não temos diálogo", disse o prefeito.
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Comentários
Maristela 29/03/2019 10h55min
Concordo plenamente na terceirização desde que respeite os servidores sem retirar amigos do rei eu não tenho receio nenhum.em trabalhar admiro muito este processo mas com.justica legal tenho certeza que a qualidade vai mudar ...na educação e saúde
Roberta Alves 28/03/2019 11h52min
É um grande passo, cujos resultados precisam ser bem avaliados nos próximos anos. É uma boa opção para a modernização da administração pública, fornecimento de serviços melhores e mais efetivos, sobretudo na área da educação. Precisamos de alternativas para um ensino público de melhor qualidade. Parabéns pela coragem prefeito! Mas vai enfrentar muita resistência, com toda a certeza.
Roger Dutra 28/03/2019 10h04min
Educação, saúde e segurança devem ser fornecidos e executados por servidores do Estado. Pagar funcionários que estão lá para isto e contratar empresas para a mesma função me parece inclusive crime de responsabilidade.