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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Transição no Planalto

Edição impressa de 13/12/2018. Alterada em 13/12 às 01h00min

DEM pavimenta apoio formal a governo Bolsonaro

Sigla 'tem todos os motivos, ideologicamente' para se aliar ao governo, diz Sóstenes

Sigla 'tem todos os motivos, ideologicamente' para se aliar ao governo, diz Sóstenes


LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS/JC
Com três ministros escalados para o futuro governo, o DEM - partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ) - está a um passo de integrar a base aliada da administração de Jair Bolsonaro no Congresso. Em reunião ontem com o presidente eleito, a bancada do DEM ouviu de Bolsonaro o pedido de apoio e deverá formalizar o aval durante encontro da Executiva Nacional, em janeiro de 2019.
Candidato a novo mandato à frente da Câmara, Maia não compareceu à conversa de ontem, na sede do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - onde fica a equipe de transição -, mas a cúpula do partido espera que, ao indicar a adesão a Bolsonaro, obtenha ao menos a neutralidade do governo na disputa da Câmara.
No início desta semana, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, disse que o PSL não apoiará a recondução de Maia. Deputados do partido têm manifestado simpatia por candidaturas que vão de João Campos (PRB-GO) a Alceu Moreira (MDB-RS), passando por Capitão Augusto (PR-SP).
Bolsonaro disse, na reunião com o DEM, que pediu ao PSL a isenção na disputa da Câmara, "em nome da governabilidade".
O presidente eleito escolheu três integrantes do DEM para o primeiro escalão - os deputados Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, Tereza Cristina, que ocupará a Agricultura e Luiz Mandetta para a Saúde.
"As coisas estão caminhando para o apoio ao governo. O espírito de todos é de colaboração", afirmou o presidente do DEM, ACM Neto, que é prefeito de Salvador (BA). "Estamos vivendo um momento extremamente desafiador e a tendência é caminharmos juntos", completou o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), eleito governador de Goiás. Para o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), o DEM "tem todos os motivos, ideologicamente" para se aliar ao governo Bolsonaro.
ACM Neto disse que Maia não compareceu ao encontro desta quarta porque tem um "papel institucional" a cumprir e negou que declarações de Eduardo Bolsonaro sobre ele tenham azedado as relações. Nos bastidores, no entanto, sabe-se que Maia montou uma estratégia para se reeleger e tenta formar um bloco que isole o PSL na repartição de poder na Câmara, caso a equipe de Bolsonaro interfira na eleição, marcada para fevereiro de 2019.
 

Ideia de que vontade popular impulsionará reformas é frágil, diz Schüler

A aprovação das reformas deve ser uma das prioridades do primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro (PSL), e compor uma base sólida do Congresso para lidar com pautas impopulares, como a reforma da Previdência, será fundamental, de acordo com Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper. Ele foi um dos oradores da 99ª Reunião do G100 Brasil, grupo que reúne alguns dos principais empresários, presidentes e CEOs do país, realizada ontem em São Paulo.

"O grande desafio será a relação com o Congresso. Montar uma base consistente, que tenha boa governabilidade e que possa enfrentar reformas que são impopulares. O ajuste estrutural que precisa ser feito atinge interesses da própria base eleitoral do Bolsonaro. Em algum momento, será preciso uma sustentação sólida do Congresso", disse o especialista.

Para Schüler, a ampla popularidade que o presidente eleito adquiriu ao longo do processo eleitoral não será suficiente. "A ideia ingênua de que a vontade popular vai impulsionar reformas é frágil. Bolsonaro foi eleito por uma pauta conservadora, mas a pauta real do governo é outra. A prioridade é o déficit primário de 130 bilhões, a insolvência fiscal do país, e essa pauta não foi discutida na eleição. Isso supõe uma base que seja capaz de resistir à pressão contrária da sociedade", completou.

No entanto, Schüler vê perspectivas positivas para o governo de Jair Bolsonaro, sobretudo pela forma como vem sendo conduzida a transição e a formação dos ministérios sem a negociação prévia com partidos, algo inédito na história recente da democracia brasileira. "Bolsonaro não tinha alternativa. Num quadro de extrema dispersão partidária, o custo de negociação seria brutal. O loteamento do governo gera um descontrole e haveria um risco enorme de ineficiência e corrupção. Ou seja, seria uma traição ao próprio programa de campanha. É um modelo novo, uma incógnita, mas era a única opção que ele tinha", concluiu Schüller.

Presidente eleito pede que bancada do PSL ainda não declare voto para comando da Câmara

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pediu aos membros de seu partido que não declarem voto para a presidência da Câmara por enquanto. Segundo um dos filhos do presidente eleito, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), houve uma recomendação para aguardar o término das negociações antes de se posicionar. Na semana passada, Eduardo chegou a dizer que o partido não apoiaria a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o comando da casa.

"O presidente (Jair Bolsonaro) relembrou o tempo de campanha, pediu um pouquinho de serenidade aos candidatos para não declarar votos para a presidência da Câmara ou quaisquer outros cargos. Para eles primeiro sentirem o clima. As negociações, as articulações ainda estão ocorrendo", contou Eduardo ao sair reunião da bancada do PSL com Jair Bolsonaro.

Eduardo afirmou, ainda, que Bolsonaro não faz questão que um representante do PSL, seu partido, assuma o comando da Câmara. No início da semana, o filho de Bolsonaro disse que o PSL não apoiaria a recondução do presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e disse que a legenda possui outras preferências. Deputados da sigla têm manifestado simpatia por candidaturas que vão de João Campos (PRB-GO) a Alceu Moreira (MDB-RS), passando por Capitão Augusto (PR-SP).

Jair Bolsonaro conversou com a bancada do PSL após brigas em grupo de WhatsApp se tornarem públicas e trocas de farpas em redes sociais. Nesta quarta-feira, disse que é contra a criação de grupo de WhatsApp com muitas pessoas, porque, caso alguma mensagem seja vazada, não é possível saber quem foi o responsável pela divulgação.

Ao ser indagado se Jair Bolsonaro teria proibido o grupo, Eduardo disse que ele "não é um ditador, é bem democrático e apenas aconselhou".

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