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Opinião

ARTIGO

- Publicada em 05 de Maio de 2022 às 15:18

Como o Estado e as certificações se relacionam com o ESG no universo corporativo

O mundo corporativo está aprendendo que para melhorar suas operações e resultados, demonstrar protagonismo e melhorar sua imagem e relacionamento com os mercados precisa ser mais ágil e sair na frente.
O mundo corporativo está aprendendo que para melhorar suas operações e resultados, demonstrar protagonismo e melhorar sua imagem e relacionamento com os mercados precisa ser mais ágil e sair na frente.
De uma forma ou de outra, todas as empresas já perceberam que não podem e não devem ignorar a realidade da pauta ESG, do capitalismo consciente, da sustentabilidade, da responsabilidade socioambiental, do capitalismo de stakeholders, e todas as demais questões relacionadas ao novo papel das organizações.
Como a sociedade está clamando por melhorias urgentes, e as novas atitudes já são esperadas desde já, os ajustes precisam ser apresentados rapidamente.
Muitas organizações (felizmente) já (ao menos) começaram a estruturar seus programas de sustentabilidade, criando comitês, incluindo a questão nas agendas de conselhos, diretorias e gerências, realizando mapeamentos, resgatando projetos (já implementados ou não) de iniciativas anteriores, “monitorando” seu segmento e a concorrência, contratando advogados especializados e/ou consultores, criando relatórios de sustentabilidade, criando políticas para questões de inclusão e acessibilidade (dentre outras), ouvindo colaboradores e consumidores, conversando com parceiros, melhorando contratos, criando novos critérios para parcerias, revendo modelos de negócios etc.
Outras, por diversas razões, ainda estão tentando entender como se começa, correndo o risco de demorar a entender que o modelo de negócio e as políticas internas precisam ser ajustados rapidamente, para que os movimentos sejam mais harmônicos, mais “naturais”, mais baratos e ágeis, pacificando, inclusive, a relação com os colaboradores, a mídia, os investidores, a concorrência, os parceiros e demais agentes envolvidos.
Existem, ainda, empresas, que estão “esperando” para criar seus programas de governança corporativa e/ou de Compliance, para apenas depois pensar no ESG – casos em que, certamente, depois perceberão que terão perdido tempo, oportunidades e dinheiro, além de parceiros e clientes, empurrando o ESG para um outro momento.
Temos que admitir que nem sempre se pode esperar, pois as empresas não param, estando sempre em movimento, tomando decisões o tempo todo; de forma que imaginar que existirá (no futuro) um momento ideal, é uma ilusão e um erro.
Mudanças de estrutura, pessoal, instalações, equipamentos, fornecedores, parceiros etc. ocorrem o tempo todo, e quanto mais se esperar, mais oportunidades terão sido perdidas; e mais tempo e dinheiro se gastará para depois “refazer/ajustar” o que já poderia (e deveria) ter sido realizado de forma correta/sustentável. E em muitos casos poderá ser tarde demais.
Existem, ainda, as empresas que estão esperando os movimentos do Estado, a criação e o endurecimento de normas que exijam a adoção de práticas ESG, e a chegada de certificações que ditem o que, e como fazer.
Sustentamos que esse último grupo esteja entre os que “pouco entendem" de todo o contexto, das bases da sustentabilidade e do próprio papel das empresas no mundo atual.
A necessidade da ampliação da consciência e da responsabilidade das empresas surgiu, justamente, da constatação de que as ações do Estado, e a existência das certificadoras, não são suficientes, demandando um protagonismo cada vez maior das próprias organizações, na construção da sustentabilidade plena.
Um país como o Brasil, no qual já existe um excesso de leis e de normas em geral, bem como de órgãos, agências e autoridades, bem como de certificadoras, e que “mesmo assim” demonstra um enorme absurdo em questões ambientais e sociais, comprova que o caminho precisa ser corporativo.
Nossas leis e códigos ligados ao meio ambiente e a práticas sociais e inclusivas não são ruins, mas são insuficientes e pouco efetivos.
Diversos escândalos, desastres, acidentes têm acontecido nos últimos anos, a despeito da legislação e das certificações, tanto em aspectos sociais quanto ambientais, na mesma linha de episódios gritantes de falta de compliance e de governança – muitas vezes envolvendo, até mesmo, empresas antes premiadas.
Acredita-se que o Estado, aos poucos, perceba que será preciso retomar o papel de indutor de comportamentos, e que dessa constatação surjam novas (e melhores) normas a serem seguidas (como aliás já existem algumas de iniciativa da CVM e do Banco Central – dentre outras), mas, via de regra, o ESG deve ir além disso, pois seguir a lei e respeitar as normas é obrigação de todos. O ESG justamente demanda uma ampliação de consciência, que gere comportamentos e movimentos adicionais (e por enquanto voluntários).
Entidades certificadoras novas (ou já existentes) igualmente proporão metodologias e padrões, na tentativa de se uniformizar algumas práticas, que em alguns casos até podem vir a ajudar, mas que igualmente vemos com algum receio e cautela.
Temos que considerar que muitas das atuais práticas tanto ambientais quanto sociais que a sociedade já não aprova e procura combater, são amparadas pela legislação aplicável e em muitos casos são inclusive certificadas, o que comprova que fazer o básico e o que é obrigatório já não é suficiente e “não resolve”.
Empresas que prefiram esperar pela legislação e/ou pela certificação (que pode demorar, pode nunca chegar, e pode não ser suficiente) estarão não apenas “perdendo tempo e oportunidade”, como estarão sempre “atrás” na escala de empresas inovadoras e efetivamente conscientes, responsáveis e comprometidas com a sustentabilidade.
Defende-se, portanto, que na construção das melhores práticas no universo corporativo da sustentabilidade, as empresas (ainda dormentes nesse aspecto) comecem seus movimentos, com urgência, ainda que de forma simples e “pequena” de início, pois os programas serão permanentes e com melhoria contínua.
O mundo corporativo não para, e a sustentabilidade plena não pode esperar!
Sócio sênior do escritório Almeida Advogado

 

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