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Opinião

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Artigo

- Publicada em 03h00min, 14/03/2022.

Não aceitamos Pix

Por que as pessoas são contrárias ao uso da tecnologia e da inovação? Num rápido debate entre amigos, a resposta quase óbvia emergiu do colóquio: teria a ver com o grau de instrução recebido por cada um. Não concordei. Ao assistir a uma partida do meu time do coração eis que o narrador, dos mais bem pagos da TV brasileira, diz que o Video Assistent Referee, o famoso VAR, está destruindo o futebol porque há muita intromissão quando, na verdade, o jogo é parado para que justiça seja alcançada.
Por que as pessoas são contrárias ao uso da tecnologia e da inovação? Num rápido debate entre amigos, a resposta quase óbvia emergiu do colóquio: teria a ver com o grau de instrução recebido por cada um. Não concordei. Ao assistir a uma partida do meu time do coração eis que o narrador, dos mais bem pagos da TV brasileira, diz que o Video Assistent Referee, o famoso VAR, está destruindo o futebol porque há muita intromissão quando, na verdade, o jogo é parado para que justiça seja alcançada.
Fintechs, as badaladas startups financeiras, disruptivas, valiosíssimas e tidas como a evolução da espécie bancária também têm o seu time do atraso. Acredite se quiser: há algumas atuando no Brasil que se definem como bancos 100% digitais, paperless e adeptas da Green Economy e que, na contramão de si mesmas, não aceitam assinaturas digitais na hora de abrir contas. Muitos supermercados, restaurantes, bares, redes do variadíssimo grande varejo, prestadores de serviço e congêneres não oferecem meios de pagamento convenientes, como a transferência de dinheiro instantânea. Está estampado o anúncio nas paredes de suas instalações: não aceitamos Pix, favor não insistir.
Os exemplos da vida real demonstram que a transformação digital não significa a mera adoção de ferramentas tecnológicas digitais nos muitos ambientes que integram nossa sociedade. Ela está para além da aquisição de softwares modernos, do uso de redes sociais e de aplicativos de mensagens.
Transformação digital significa nova cultura, novos hábitos e novas formas de trabalho e relacionamento. Engajar pessoas, transformar processos, customizar produtos e alcançar otimização não são mais coisas possíveis, mas sim obrigatórias. Sobreviver significa adaptar-se para que o novo não seja fator de exclusão - ou desaparecimento, mas sim agente do amanhã.
Que tal se todos os que vendem produtos e prestam serviços fizessem da tecnologia meio de adaptar-se ao desejo do cliente. O famoso bordão "quer pagar como?" pode começar a ganhar novas e entusiasmantes possibilidades, não?
Presidente da Associação das Autoridades de Registro do Brasil
Edmar Araújo
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