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Opinião

- Publicada em 29 de Novembro de 2021 às 03:00

Contra a tendência, o sucesso é improvável

Bancos públicos e privados navegavam tranquilamente no "oceano vermelho" de produtos, serviços, taxas e tarifas conhecidos, diferenciando-se apenas pela amplitude da rede de agências, atendimento presencial e estratégias de "fidelização" baseadas em vendas. Sob a liderança de cinco grandes bancos (dois públicos e três privados com mais de 80% do mercado) definiam os preços com base no objetivo de lucro, sem concorrência. As cooperativas de crédito, com crescimento expressivo a partir dos avanços normativos do final da década de 1990, adotaram o mesmo modelo de negócio, diferenciando-se apenas pela natureza societária de sócios com participação nas sobras (lucros) e as belas ações de governança social e corporativa.
Bancos públicos e privados navegavam tranquilamente no "oceano vermelho" de produtos, serviços, taxas e tarifas conhecidos, diferenciando-se apenas pela amplitude da rede de agências, atendimento presencial e estratégias de "fidelização" baseadas em vendas. Sob a liderança de cinco grandes bancos (dois públicos e três privados com mais de 80% do mercado) definiam os preços com base no objetivo de lucro, sem concorrência. As cooperativas de crédito, com crescimento expressivo a partir dos avanços normativos do final da década de 1990, adotaram o mesmo modelo de negócio, diferenciando-se apenas pela natureza societária de sócios com participação nas sobras (lucros) e as belas ações de governança social e corporativa.
 Eis que de repente surgem as fintechs (empresas que operam serviços financeiros baseados na tecnologia) e desenham o "oceano azul" a partir da inovação dos serviços ofertados de forma digital, sem tarifas e com atuação nacional sem agências, baseada exclusivamente no autoatendimento remoto. A fintech líder deste modelo de negócio (constituída em 2013), preferida dos jovens e com mais de 48 milhões de clientes, agora inova mais uma vez e transforma seus clientes em sócios com participação nos lucros, modelo similar ou copiado das cooperativas de crédito.
Nesse cenário, como era de se esperar, os grandes bancos reagiram criando o braço digital (filhotes digitais, segundo o Money Times) para atendimento no mesmo modelo de negócios das fintechs e passaram a reduzir de maneira acentuada a rede de agências físicas ou transformando-as em unidades de negócios. Anunciam o fechamento de milhares de agências e metas ambiciosas de mais de 45 milhões de clientes exclusivamente digitais, sem prejuízo dos que continuam preferindo o atendimento presencial.
No caminho oposto, as cooperativas continuam ampliando de maneira acelerada a sua rede de 7,4 mil agências, apostando no atendimento presencial dos seus mais de 13,4 milhões de associados correntistas, sem benefícios financeiros aos que preferem o atendimento exclusivamente digital. À distância, parece imperiosa a adoção do braço digital, podendo utilizar seus bancos cooperativos e a tecnologia já disponível, cujo lucro poderia reverter em benefício dos associados das cooperativas de crédito aos acionistas.
Ex-presidente da Sicredi Central RS/SC
 
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