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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de janeiro de 2021.

Jornal do Comércio

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Opinião

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Artigo

- Publicada em 03h00min, 27/01/2021.

A volta da revolta

Joel Ernesto Lopes Maraschin
O ano era 1904, o povo tomava conta das ruas da paradisíaca Rio de Janeiro do início do século XX, então capital federal. E não era para pular Carnaval! A cidade era acometida por uma grave crise sanitária de varíola, o que ocasionou hospitais lotados. Oswaldo Cruz sugeriu ao governo criar uma lei para tornar a vacinação obrigatória. Aqueles que não a fizessem não poderiam ser contratados por empresas, se matricular em escolas, viajar, e até casar.
O ano era 1904, o povo tomava conta das ruas da paradisíaca Rio de Janeiro do início do século XX, então capital federal. E não era para pular Carnaval! A cidade era acometida por uma grave crise sanitária de varíola, o que ocasionou hospitais lotados. Oswaldo Cruz sugeriu ao governo criar uma lei para tornar a vacinação obrigatória. Aqueles que não a fizessem não poderiam ser contratados por empresas, se matricular em escolas, viajar, e até casar.
Eis que o povo não aceitou tal determinação. Não queriam sua casa invadida para tomar uma injeção que continha um líquido de pústulas de vacas doentes. E mais, dizia-se pela cidade que, ao se vacinar contra a varíola, as pessoas ficariam com traços bovinos.
Nasce a "Revolta da Vacina". A população sai às ruas em protestos durante dez dias para não tomarem a vacina, estudantes se rebelam também, a polícia é acionada, e o resultado é o caos na cidade maravilhosa. Tiros, gritos, vaias, trânsito interrompido, comércio fechado, bondes assaltados e queimados, árvores foram derrubadas, prédios públicos apedrejados, e no final um total de quase mil presos, mais de cem feridos e 30 mortes. O presidente Rodrigues Alves cede, volta atrás, e retira a obrigatoriedade da vacina.
A história no Brasil às vezes parece cíclica. Em pleno século XXI, onde a população desfruta do advento da internet, da comunicação em tempo real, as 'fakenews' e a desinformação parecem se sobressair a tudo isso. Fato que é tão prejudicial quanto uma própria moléstia sanitária. Daqui a pouco, se piscarmos os olhos, vamos vivenciar a volta da revolta.
Conseguimos ser o único país do mundo, em meio a uma das maiores pandemias da história, a criar uma crise política desnecessária. Politizamos uma vacina, discutimos sobre seu país de origem, ou sobre a ideologia do seu fabricante. Negamos fatos, renegamos a ciência e não criamos estratégias para sairmos disso melhor do que entramos. Como diria Millôr Fernandes: O Brasil tem um enorme passado pela frente!
Assessor parlamentar na Assembleia Legislativa/RS
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