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Opinião

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- Publicada em 03h00min, 25/09/2020.

Casa de Cultura Mario Quintana, 30 anos

Beatriz Araujo
A poesia de Mario Quintana condensa, em poucas palavras, metáforas e imagens que, revestidas por uma aparente simplicidade cotidiana, formulam espantos sobre a existência em sua complexidade. Grande escritor das coisas simples, como costumava grifar, Quintana soube descortinar o mundo com sagacidade e, não raras vezes, com refinada ironia. No livro Espelho Mágico, publicado pela Editora Globo em 1951, reflete sobre as utopias: "Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!"
A poesia de Mario Quintana condensa, em poucas palavras, metáforas e imagens que, revestidas por uma aparente simplicidade cotidiana, formulam espantos sobre a existência em sua complexidade. Grande escritor das coisas simples, como costumava grifar, Quintana soube descortinar o mundo com sagacidade e, não raras vezes, com refinada ironia. No livro Espelho Mágico, publicado pela Editora Globo em 1951, reflete sobre as utopias: "Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!"
Desde a sua inauguração, no dia 25 de setembro do ano de 1990, a Casa de Cultura Mario Quintana tem reunido artistas dos mais variados segmentos - literatura, artes cênicas, música, dança, circo, artes visuais e cinema. A Casa conecta públicos diversos, manifestações artísticas plurais e representativas.
Fazendo parte da vida cultural de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul, o edifício foi concebido pelo arquiteto alemão Theo Wiederspahn (1878-1952). Radicado no Brasil, assinou inúmeras construções que remodelaram a cidade, sendo o edifício do Majestic Hotel o primeiro a ser erigido com concreto armado. A edificação interligava dois lados da travessa Araújo Ribeiro (hoje Travessa dos Cataventos), com os blocos prediais constituídos por sedutoras colunas, arcadas e terraços, resultando em uma construção altiva e moderna. A exuberante e firme arquitetura, em certa medida, simboliza a resistência cultural que a Casa representa nesses trinta anos de existência. Como recentemente afirmou Carlos Appel, primeiro secretário da Cultura do RS, em documentário alusivo ao aniversário da instituição: "[...] a transformação daquele prédio em Casa de Cultura mostrou o que o povo gaúcho é capaz".
À época das obras, convivi muito com Appel e me encantei com a ideia de que estava se recuperando uma simbologia dessa magnitude. Carlos Appel foi um visionário que reconheceu a importância do patrimônio material e imaterial, estimulou a produção e a circulação artística, sendo até hoje minha grande referência na gestão cultural. A jovem Beatriz, que ali dava os primeiros passos, acompanhou o surgimento do Centro Cultural e da própria Secretaria de Estado da Cultura, criada no mesmo ano. Hoje, com entusiasmo, podemos celebrar a arte, a história e a memória da Casa de Cultura Mario Quintana. Nossos votos são para que, cada vez mais, possamos responder aos emergentes desafios contemporâneos e que novos públicos sejam formados, estimulados e cultivados nesse espaço de utopia. Viva a Casa de Cultura Mario Quintana!
Secretária da Cultura do RS
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