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- Publicada em 15h50min, 27/08/2020.

Antes de congelar os juros bancários, ampliar o crédito

Breno Costa
A pandemia da Covid-19 deixou mais que clara a importância do crédito para assegurar que a atividade econômica não caia em um abismo mais profundo. Dentre os principais problemas apontados pela sociedade está o elevado spread bancário, ou seja, a diferença entre o custo de captação do banco e os juros cobrados para emprestar dinheiro. Tanto que o Senado, recentemente, propôs a imposição de um “teto” para a cobrança de juros. Mas será que esse é mesmo o melhor processo para uma edificação segura?
A pandemia da Covid-19 deixou mais que clara a importância do crédito para assegurar que a atividade econômica não caia em um abismo mais profundo. Dentre os principais problemas apontados pela sociedade está o elevado spread bancário, ou seja, a diferença entre o custo de captação do banco e os juros cobrados para emprestar dinheiro. Tanto que o Senado, recentemente, propôs a imposição de um “teto” para a cobrança de juros. Mas será que esse é mesmo o melhor processo para uma edificação segura?
O projeto já aprovado pelo Senado e que agora está nas mãos da Câmara dos Deputados, limita a 30% ao ano os juros para todas as modalidades. Sem dúvidas, o spread bancário brasileiro está entre os recordistas mundiais, porém é preciso observar mais de perto os motivos que levam a um percentual tão elevado.
Segundo o Banco Central, na média, de 2011 a 2016, 77% do spread bancário correspondem aos custos: inadimplência, administrativos, tributários, compulsórios, FGC etc. Dentre os custos, a inadimplência responde por 55,7% do total e é recordista quando comparada às médias mundiais. Já o lucro dos bancos nas operações de crédito equivale a 23% do spread, considerando recursos livres e direcionados.
O teto de juros é uma realidade em muitos lugares do mundo. Mas começar por aí seria inverter a ordem e começar uma construção pelo teto. As novas tecnologias possibilitam, por meio do uso de inteligência artificial, aprimorar a análise de crédito de pessoas e empresas e reavaliar tomadores de crédito que os modelos tradicionais rejeitariam, mas que não são inadimplentes potenciais, assim como depurar aqueles com alto potencial de inadimplência.
Dessa forma, quem concede crédito pode tanto aprovar uma quantidade maior de tomadores, mantendo o nível de inadimplência, como ampliar a concessão de crédito para a mesma base de cliente, ou ambos cenários. Para isso, é preciso customizar os modelos de credit score e combinar as análises tradicionais, tanto internas quanto as fornecidas pelos birôs de crédito com as novas informações fornecidas.
Já vimos antes, na história brasileira, os desastres de intervenções governamentais tão rigorosas como a que o Senado acaba de aprovar. Assim, antes de pensar em, por decreto, congelar os juros bancários, é preciso buscar saídas que possibilitem ampliar as concessões. E a tecnologia é a saída.
Diretor da Neurotech e especialista do Mercado de Crédito
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