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Porto Alegre, quinta-feira, 30 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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- Publicada em 03h00min, 30/07/2020. Atualizada em 03h00min, 30/07/2020.

O legado da Covid-19

João Alcione Sganderla Figueiredo
A pandemia causada pelo coronavírus nos trouxe muitas preocupações e incertezas. Claro que teremos avanços na pesquisa, principalmente na área da saúde, mas poucas coisas não serão afetadas nas nossas vidas, principalmente sob o ponto de vista econômico, político e moral.
A pandemia causada pelo coronavírus nos trouxe muitas preocupações e incertezas. Claro que teremos avanços na pesquisa, principalmente na área da saúde, mas poucas coisas não serão afetadas nas nossas vidas, principalmente sob o ponto de vista econômico, político e moral.
Economicamente, acredito que todos teremos prejuízo com as questões de produção e consumo. O que vale refletir é que 54,8 milhões de brasileiros vivem com R$ 406,00 por mês e 13,5 milhões com U$S 1,9 por dia. Aqui, temos um quarto da população que dificilmente conseguirá fazer qualquer tipo de isolamento. São filhos que, aglomerados em pequenos metros quadrados, esperam ansiosos pela chegada do pai ou da mãe para receber algum alimento.
Politicamente, na democracia é normal exigirmos políticas públicas das lideranças, para que a população se sinta protegida como nação. Temos uma Constituição amparada em três Poderes e, como civis, devemos responder a seus artigos, parágrafos, incisos e alíneas. Tudo o que a Covid-19 não precisa é que partidos e ideologias disputem espaços físicos territoriais.
Não estou discutindo a legitimidade das manifestações. Nesse momento, nada é mais grave que o vírus. O Brasil é grande demais - Executivo, Legislativo, Judiciário, multicultural, paradisíaco - e não merece ser diminuído por posturas egocêntricas. É necessário que lutemos juntos, democratizando as decisões ao nosso maior inimigo atual, que é a Covid-19.
Moralmente, precisamos lembrar a importância de algumas medidas. A primeira: fique em casa o máximo que puder. Lembre-se que um quarto da população brasileira está abaixo da linha da pobreza. Curiosamente, esse mesmo percentual não tem acesso à internet. Logo, se você está lendo este artigo, provavelmente não é seu caso. E distancie-se fisicamente o quanto puder. Se evoque como solução e não como mais um problema.
Também não culpe a mídia para justificar o seu individualismo e falta de empatia. Defenda o seu partido ou governante, mas respeite a dor de milhares de famílias que estão perdendo seus entes. Além disso, não ponha as mortes em planilhas. Não as compare, elas são únicas. E não espere a dor chegar em você para fazer algo.
Parafraseando Steve Jobs, concluo: pensar na morte todos os dias me faz mais forte. E, por fim, não me interessa ser o homem mais rico do cemitério, mas saber que fiz algo.
Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Universidade Feevale
 
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