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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Atualizada em 16h48min, 22/07/2020.

A pandemia e as realidades: a virtual e a real

Franklin Cunha
“A Lei, majestosa e equitativa, proíbe aos ricos e aos pobres, igualmente, dormir sob as pontes e roubar pão”. Ferdinando Galiani (1725-1787). Segundo Román Gubern, a realidade virtual é um sistema informático que gera entornos sintéticos em tempo real e que produz uma realidade ilusória, pois não tem suporte objetivo e existe só no computador. Crer em imagens como existência real é como o pintor chinês preso pelo Imperador que pintou com grande exatidão uma paisagem de sua terra natal na parede do calabouço e logo se introduziu nela e se perdeu no horizonte, numa curiosa premonição de nossa realidade virtual.
“A Lei, majestosa e equitativa, proíbe aos ricos e aos pobres, igualmente, dormir sob as pontes e roubar pão”. Ferdinando Galiani (1725-1787). Segundo Román Gubern, a realidade virtual é um sistema informático que gera entornos sintéticos em tempo real e que produz uma realidade ilusória, pois não tem suporte objetivo e existe só no computador. Crer em imagens como existência real é como o pintor chinês preso pelo Imperador que pintou com grande exatidão uma paisagem de sua terra natal na parede do calabouço e logo se introduziu nela e se perdeu no horizonte, numa curiosa premonição de nossa realidade virtual.
A realidade virtual é interpretada por símbolos que nem sempre refletem o real, mas que são revestidos pelo diáfano véu do imaginário, elaborado por fatos vividos ou impostos culturalmente, incrustados no (in)consciente os quais perturbam e deturpam a interpretação e o significado da realidade.
É Baudrillard quem avisa: “Vivemos num mundo no qual a mais alta função dos símbolos é a de fazer desaparecer a realidade e de, ao mesmo tempo, mascarar este desaparecimento”.
A peste, devastadora e equitativa, ataca os ricos e os pobres. Os sintomas são os mesmos, a diferença é que os pobres morrem em muito maior número, primeiro, porque eles constituem grande parte da população, segundo, porque suas condições de trabalho, renda, habitação, saneamento básico e benefícios sociais são piores, escassos e aleatórios. Para quem dorme debaixo da uma ponte e rouba um pão ou para quem não precisa agir assim, a lei e a peste agem de maneira igual no deserto do real, mas o pobre que rouba um pão ou pega a peste tem um destino e um final diferente de quem desfila em carreatas pilotando SUVs e vive numa radical e real contingência sócio-política e cultural.
Médico, membro da Academia Rio-Grandense de Letras
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