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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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Atualizada em 03h00min, 22/07/2020.

Dever moral e escolhas éticas

Gabriel Grabowski
Negar-se a usar máscaras ou evitar aglomerações é comportamento imoral. Não se importar com a vida do outro é falta de ética, pois esta somente existe na relação com o outro - e para o outro - em sociedades justas. Considerando os diversos comportamentos e resistências, torna-se necessário distinguir o plano moral do plano ético.
Negar-se a usar máscaras ou evitar aglomerações é comportamento imoral. Não se importar com a vida do outro é falta de ética, pois esta somente existe na relação com o outro - e para o outro - em sociedades justas. Considerando os diversos comportamentos e resistências, torna-se necessário distinguir o plano moral do plano ético.
Comportamento moral é o sujeito sentir-se intimamente obrigado a agir segundo determinadas regras, normas ou protocolos. Tua atitude é necessária e não apenas recomendável, justamente porque o bem moral é um bem em si. A moral é um sentimento de obrigatoriedade, um dever agir de acordo com as exigências sociais e pessoais. Por isso, a moral corresponde a questões de "Como devo agir?".
Já o plano da ética ocupa-se do conjunto de princípios e valores que devem nos orientar na hora de decidir: Quero? Posso? Devo? Distintamente da moral que, se refere aos deveres e obrigações, a ética se refere a "Que vida eu quero viver?", "Para que viver?", "Como viver?", "O que ser?". O plano ético e das escolhas, liberdades e da autonomia, associando-se a uma vida boa, realizada e feliz, com responsabilidade.
Por essa razão, a questão ética é mais ampla que a questão moral. Ela estuda o comportamento moral humano em cada época e cultura, visto que a ação humana revela o próprio ser humano. Para Piaget, toda moral é um sistema de regras e a essência de toda a moralidade consiste no respeito que o indivíduo sente por tais regras. Já a ética se ocupa e pretende a perfeição do ser humano e da investigação do que é bom.
Os ideais éticos possuem cada vez menos valor. Eles existem, porém já não impactam as pessoas. As normas vacilam e o modo hedonista conta muito. O ensino da moral em casa perdeu espaço. Quase nada de lições de solidariedade, honestidade ou de altruísmo. Na vida privada, a busca da felicidade passa por cima de tudo. O dever tornou-se um peso insuportável. Só o prazer conta. A ética é um discurso imponente para consumo externo.
A pandemia está tirando a máscara dos moralistas que criticam os atos dos outros sem examinar os seus. Negar-se a cumprir protocolos elementares de saúde pública e evitar aglomerações é a revelação da pobreza moral e falta de ética na vida com outros. Ética é cuidado de si, da vida do outro e da humanidade.
Professor da Universidade Feevale
 
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