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Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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Atualizada em 14h54min, 21/07/2020.

O governo dos medíocres

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.
Ao longo da história, a liderança política foi o principal fator de superação dos graves desafios da vida vivida. A memória, aqui, não deixa mentir, lembrando o talento de Churchill como o exemplo natural. Sabidamente, a trajetória do notável político inglês não foi fácil nem linear, jamais desistindo diante da oposição estúpida, da ameaça extrema ou da veemente insensatez humana. Transcendeu a si mesmo, tornando o mundo melhor. Infelizmente, tal tipo de líder não existe mais. A contemporaneidade é marcada pelo governo dos medíocres.
Ao longo da história, a liderança política foi o principal fator de superação dos graves desafios da vida vivida. A memória, aqui, não deixa mentir, lembrando o talento de Churchill como o exemplo natural. Sabidamente, a trajetória do notável político inglês não foi fácil nem linear, jamais desistindo diante da oposição estúpida, da ameaça extrema ou da veemente insensatez humana. Transcendeu a si mesmo, tornando o mundo melhor. Infelizmente, tal tipo de líder não existe mais. A contemporaneidade é marcada pelo governo dos medíocres.
Objetivamente, a decadência da política como instância hábil de resolução de problemas sociais é um fato da realidade. Está posto. Não é irreversível, pois dependente unicamente de nós. Mas a situação é gravíssima. Sinceramente, ignoro como a democracia resolverá seus desafios atuais, mas sei que o sistema e os atores que aí estão não são os ‘players’ que irão nos salvar.
O trágico advento do coronavírus aprofunda ainda mais as já aterradoras insuficiências da política. O desgoverno estabelecido – evidenciado numa assustadora incapacidade de diálogo entre o presidente, governadores e prefeitos – representa os estertores de um sistema totalmente irracional e absolutamente descomprometido com o bem das pessoas. Ora, os governos não governam porque aqueles que tinham que liderar são os primeiros a agir como derrotados.
Felizmente, não existe dor que dure para sempre. A humanidade sofre, mas o sofrimento liberta a força que nos faz enfrentar nossos medos. E, com coragem, haverá de surgir líderes altivos e capazes de resgatar a autoestima e o orgulho daquilo que nos faz brasileiros. A democracia – especialmente nas intensas horas de escuridão – exige a grandeza de atos concretos por parte daqueles que são capazes de ir além do fel das palavras. A retórica encanta, mas são os tijolos que erguem nossas casas.
Por tudo, o ser humano ganhou a vida para agir e, passo a passo, alcançar a plenitude de seu talento interior. Aliás, ser capaz e não agir, além de imperdoável covardia, nos torna solidários na incompetência que tanto gostamos de atribuir apenas a políticos.
Advogado
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