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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de junho de 2020.
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Alterada em 24/06 às 03h00min

O velho Lutz

Sérgio Becker
Excelente a reportagem sobre as três gerações Lutzenberger publicada no Jornal do Comércio. No entanto, o ecologista José Lutzenberger (1926-2002) mereceria uma matéria maior, devido à importância do seu legado. Tive o privilégio, como repórter da sucursal de Porto Alegre de O Estado de São Paulo, nas décadas de 1970 e 80, de entrevistá-lo tantas vezes que acompanhei sua trajetória de pioneiro na difusão da ecologia. Inclusive, no dia 25 de fevereiro de 1975, fui o primeiro repórter a chegar na avenida João Pessoa, onde o estudante Carlos Alberto Dayrell subiu numa Acácia-tipa para protegê-la do corte iminente. O gesto dele, inspirado nas reuniões da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan), criada por Lutzenberger, teve repercussão nacional.
Excelente a reportagem sobre as três gerações Lutzenberger publicada no Jornal do Comércio. No entanto, o ecologista José Lutzenberger (1926-2002) mereceria uma matéria maior, devido à importância do seu legado. Tive o privilégio, como repórter da sucursal de Porto Alegre de O Estado de São Paulo, nas décadas de 1970 e 80, de entrevistá-lo tantas vezes que acompanhei sua trajetória de pioneiro na difusão da ecologia. Inclusive, no dia 25 de fevereiro de 1975, fui o primeiro repórter a chegar na avenida João Pessoa, onde o estudante Carlos Alberto Dayrell subiu numa Acácia-tipa para protegê-la do corte iminente. O gesto dele, inspirado nas reuniões da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan), criada por Lutzenberger, teve repercussão nacional.
Quanto ao velho "Lutz", como o chamávamos carinhosamente, devo reconhecer que aprendi muito com ele. Ele tinha uma velha camioneta e uma vez me disse que não lavava o carro com água tratada, pois aproveitava a água da chuva ao transitar. O que eu passei a fazer com o Volks 79 e que faço hoje com o Fox 2007. Quando me cobram disso, lembro a situação de São Paulo. Os paulistas devem ter sido pioneiros na utilização do sistema lava-jato, pelo qual cada carro lavado consome milhares de litros de água tratada. Mas, a cada verão, os paulistanos sofrem com o racionamento de água. 
Além do valor da água, aprendi com o Lutz muito sobre a questão energética. Lembro que ele um dia me falou sobre a Usina de Itaipu. As megausinas elétricas, relatou, tem dois prejuízos: na ecologia e na segurança. Dez pequenas usinas espalhadas na região de Itaipu causariam muito menos impacto ecológico e seriam muito mais seguras. Curiosamente, uns 20 dias atrás, assisti na televisão um documentário sobre a maior usina elétrica do mundo, na região de Xangai, China. E lembrei do Lutz numa cena em que o repórter caminha por cima da usina e, ao fundo, aparece um pelotão de militares. O repórter não fez referência, mas a maior usina do mundo é, também, a mais protegida e por militares.
Embora o futuro esteja na energia solar e eólica - que o Brasil tem em abundância, mas nossas autoridades e o mercado não tem demonstrado competência nem interesse para melhor explorá-las -, os chineses investem pesadamente e há muito tempo em energia elétrica. Tanto em seu país como em todo mundo.
Jornalista
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