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Porto Alegre, terça-feira, 11 de fevereiro de 2020.
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Jornal do Comércio

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Edição impressa de 11/02/2020. Alterada em 11/02 às 03h00min

O apartheid educacional no Brasil

Marina Luz
 
 
No final de 2019, o ranking internacional da educação foi publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Embora o resultado negativo não seja uma novidade, o Brasil aparece entre os 20 piores países, atrás dos vizinhos latinos Uruguai, Chile e México. A prova revela também a existência de dois "Brasis", apartados por distintos modelos educacionais. Se a pesquisa considerasse apenas os alunos de escolas privadas, o Brasil estaria em 11º lugar. O que nos traz à seguinte pergunta: por que condenamos os filhos de famílias mais humildes a uma educação tão deplorável?
Inúmeras alterativas já foram apresentadas para melhorar a gestão da escola pública, mas nada foi efetivo, e seguimos nivelados a países com baixas perspectivas. Entretanto, curiosamente, os defensores de educação de qualidade ignoram frequentemente um modelo alternativo, já bastante consolidado nas sociedades maduras e livres, e que sistematicamente mostra bons resultados. Em países como China, Estados Unidos, Suécia, Chile e até mesmo na Índia, há excelentes resultados para os modelos de bolsa de estudos e escolas comunitárias. Nesse modelo, o governo paga bolsas de estudos em colégios particulares, ou passa a gestão de uma escola para uma rede particular, mas continua responsável por pagar os custos para alunos de famílias humildes.
Via de regra, tudo que é administrado pelo Estado é ineficiente. O principal problema da educação não é a falta de investimento, mas sim o modelo adotado pelo Brasil, que desestimula o aluno e o professor, alimentando o círculo vicioso da pobreza. O custo para manter um aluno bolsista em uma escola privada é consideravelmente menor do que o de manter toda a estrutura da escola pública. Além da economia financeira, o principal benefício do modelo proposto é a qualidade do ensino. A competição do mercado educacional só beneficia seus clientes, no caso, os alunos pobres, que ficam reféns do sistema educacional falido estatal.
Bolsas de estudos e escolas comunitárias se propõem a mudar o curso natural do aluno de baixa renda ao dar-lhes condições de vencer. Precisamos acabar com o preconceito ideológico e sindical com os modelos privados de educação. Não podemos condenar os filhos das famílias pobres ao círculo vicioso da pobreza: é hora de encerrar esse apartheid educacional.
Administradora e associada do IEE
 
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