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Porto Alegre, sexta-feira, 31 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

31/01/2020 - 14h43min. Alterada em 31/01 às 14h43min

Meu coração descolorido

Antônio Carlos Côrtes
Antônio Carlos Côrtes
Ao compulsar o Jornal do Comércio de 28/01/2020, página 2, leio o editorial Brumadinho, a tragédia que ainda não foi punida. “O mais triste de tudo foi a morte de 272 pessoas, sendo que 11 corpos ainda não foram encontrados”. Lembro que importante jogador brasileiro de futebol fez piada com aquela tragédia. Registra e bem o editorial a lamentável suspensão do julgamento no caso da Boate Kiss, em Santa Maria. Triste tudo isto. Viro a página e leio Fernando Albrecht na sua coluna Começo de Conversa “O que faz um rapaz de 24 anos matar três pessoas de uma família por acidente de trânsito com apenas danos materiais”.
Volto no tempo e lembro um jogo do Flamengo x Vasco no Estádio Mário Filho (Maracanã/RJ), quando o então técnico vascaíno Ricardo Gomes sofreu problema sério de saúde, sendo socorrido em campo por ambulância. Parte da torcida flamenguista gritava em coro: Morre, morre, morre!
No mesmo túnel do tempo lembro que em Porto Alegre, em jogo do Internacional x Grêmio após morte do Fernandão, enquanto os colorados prestavam homenagem ao pranteado ídolo, setores da torcida gremista gritavam com entusiasmo, deboche e alegria: Fernandão morreu... Fernandão morreu!
Continuando em Porto Alegre, a notícia registra. Ambulância do SAMU estacionada na rua para socorrer em prédio próximo senhora idosa de 83 anos. Incomodados por alegado transtorno ao trânsito, populares removeram o veículo para 200 metros adiante. Parte do público presente ao local apoiou e aplaudiu a infeliz iniciativa. Lembrei-me daquela música Construção do Chico Buarque: Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.
Para fechar a conta passando a régua, assessor da deputado federal Bia Kicis exibiu camiseta com dizeres: “Marielle vive... enchendo o saco”. Minha alma chora atormentada com tanto desamor. O coração perde a-cor-da-ação e fica descolorido junto à alma triste.
Observo o quanto o ser que se tem por humano está desamparado e fica apenas no ter. A causa é ausência do amor. Sem ele tudo é possível em termos de maldade. Existe angústia social no tecido doente. É lição da psicanálise. Prezado leitor procure identificar no seu interno onde guarda o seu amor próprio e ao próximo e diga não à violência.
Advogado e escritor
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