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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Opinião

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ARTIGOS

Alterada em 13/01 às 15h20min

Elis eterna

Thieser Farias
Em 19 de janeiro recordam-se os 38 anos de falecimento da maior cantora de todos os tempos - a gaúcha Elis Regina Carvalho Costa.
Em 19 de janeiro recordam-se os 38 anos de falecimento da maior cantora de todos os tempos - a gaúcha Elis Regina Carvalho Costa.
Nascida em Porto Alegre aos 17 de março de 1945, Elis demonstrou, precocemente, possuir um valioso talento musical graças à influência do rádio e de Ângela Maria, sua intérprete favorita.
Sua vocação para a música era tão evidente que essa gremista foi cantar na Rádio Farroupilha aos 13 anos de idade e, aos 16, lançou o seu primeiro disco, Viva a Brotolândia, tornando a capital rio-grandense pequena demais para o seu enorme dom. Ainda muito jovem resolveu encarar desafios maiores e partiu para os grandes centros urbanos do País, chegando ao Rio de Janeiro no fatídico dia do Golpe Militar que depôs o presidente Jango. Um ano depois, tornou-se destaque nacional ao receber elogios da crítica especializada pela surpreendente interpretação de "Arrastão", apresentação que conferiu a Elis o prêmio de melhor cantora no primeiro festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior.
Os anos passaram e o sucesso de Elis Regina cresceu de forma inexplicável. Em 1974, ela gravou junto a Tom Jobim o célebre disco Elis e Tom, fenômeno que consagrou "Águas de Março" como novo hino da MPB. A repercussão do LP foi tamanha que a gauchinha de 1m50cm de altura fora convidada para se apresentar no Olympia de Paris, no Chile e na Suíça. Neste último, a intérprete de Romaria cantou em Montreaux - "capital da música"-, levando o público ao delírio, que a aplaudiu euforicamente durante onze minutos ininterruptos. Por onde passou, Elis recebeu o carinho e a admiração dos fãs por sua inquestionável qualidade técnica como cantora que imprimiu sensibilidade e vida às letras de suas canções. Ela foi única em nossa história porque cantou com lábios, alma e coração.
Sua personalidade forte fez o poeta Vinícius de Moraes apelidá-la de "pimentinha". Corajosa e à frente de seu tempo, a mais ilustre filha de Porto Alegre engajou-se em questões sociais e transformou-se em ferrenha inimiga da Ditadura Militar. Ergueu sua voz num grande grito de enfrentamento à repressão, na finalidade de lutar pelo retorno da liberdade de expressão ao País, colocando-se ao lado de seu povo amado e contra a tirania.
Mesmo tendo embarcado cedo num trem azul- ela faleceu no auge da carreira, aos 36 anos de idade-, Elis deixou os talentosos filhos Maria Rita, Pedro e João Marcelo e um legado importantíssimo para o Brasil, sempre lembrada como referência de preciosismo vocal graças às interpretações viscerais de canções inesquecíveis, a exemplo dos clássicos "Aprendendo a Jogar" e "Como Nossos Pais".
Elis Regina foi o maior nome da história da música brasileira, modelo de mãe carinhosa, mulher guerreira e cidadã consciente. E, como diz um dos seus memoráveis sucessos, "Maria Maria", a majestosa gaúcha teve manha, graça e sonho sempre, devido à sua fé na vida. Ela foi, sem dúvida, a cantora mais completa que já existiu em nosso País, uma personalidade eterna.
 
Estudante de Direito
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