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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 13/01 às 03h00min

As exportações brasileiras e a crise EUA-Irã

Assim como ocorreu com o imbróglio sobre mudar a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, o governo brasileiro, através do presidente Jair Bolsonaro, manifestou apoio à ação norte-americana que matou o general iraniano Qasem Soleimani, chefe das Forças Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária. Mais uma vez, as falas do presidente causaram mal-estar, e novamente, também, Bolsonaro recuou.
Assim como ocorreu com o imbróglio sobre mudar a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, o governo brasileiro, através do presidente Jair Bolsonaro, manifestou apoio à ação norte-americana que matou o general iraniano Qasem Soleimani, chefe das Forças Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária. Mais uma vez, as falas do presidente causaram mal-estar, e novamente, também, Bolsonaro recuou.
No caso da transferência da embaixada, países árabes ameaçaram deixar de importar do Brasil carne bovina, frango, soja, milho e minério de ferro. Bolsonaro, então, anunciou a abertura de um escritório comercial em Jerusalém. Tanto Israel quanto a Palestina reivindicam Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos, como sua capital.
Se a ameaça tivesse se concretizado, seria um golpe duro para o agronegócio, visto que as exportações dos países árabes cresceram 8% de janeiro a novembro de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, gerando US$ 11,3 bilhões em receita. O crescimento ocorreu na contramão do restante das exportações do País, que recuaram 6,4% no período.
Em relação à nação islâmica, segundo estimativa da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Irã, por ter apoiado publicamente os Estados Unidos no conflito, o Brasil corre o risco de perder cerca de US$ 1 bilhão em exportações em 2020. Dados do Ministério da Economia mostram que, de janeiro a novembro de 2019, o Brasil exportou US$ 2,1 bilhões para o Irã.
Diante do cenário, a crise entre EUA e Irã tem gerado uma certa apreensão entre agricultores, principalmente os produtores de milho. O Brasil é o maior exportador da commodity para o Irã, e o volume já corresponde à metade da balança comercial entre os dois países.
Com o embargo imposto aos iranianos pelo governo norte-americano, havia uma expectativa de aumento nas encomendas ao Brasil de produtos como milho, soja, carne bovina e café. A previsão é de que a balança comercial brasileira poderia registrar um superávit recorde acima de US$ 3 bilhões neste ano.
Agora, a orientação do Planalto é evitar novas manifestações públicas a respeito da crise Irã-EUA. A ideia é manter o alinhamento com os EUA em relação ao combate ao terrorismo, sem citar um ou outro país.
Nos negócios, o pragmatismo costuma ser melhor conselheiro do que o viés político. Assim, uma postura mais cautelosa por parte do governo tende a ser mais positiva aos interesses econômicos do País. 
 
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