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Porto Alegre, sexta-feira, 10 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

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ARTIGOS

10/01/2020 - 16h26min. Alterada em 10/01 às 16h26min

Crise EUA x Irã: o esboço de uma guerra de inteligência

Carlo Barbieri
Para debater a recente questão entre os EUA e o Irã é importante começar avaliando o passado político e diplomático que envolve os dois países ao longo da história. EUA, outras potências e Irã, assinaram, ainda durante o governo Obama, um acordo para impedir o país do Oriente Médio desenvolvesse programa nuclear contra Israel - uma meta pública do governo iraniano.
Para debater a recente questão entre os EUA e o Irã é importante começar avaliando o passado político e diplomático que envolve os dois países ao longo da história. EUA, outras potências e Irã, assinaram, ainda durante o governo Obama, um acordo para impedir o país do Oriente Médio desenvolvesse programa nuclear contra Israel - uma meta pública do governo iraniano.
Esse acordo não previu nenhuma cláusula de restrição ao Irã, no que diz respeito à expansão do regime Xiita para outros países, em particular para aquela área do Oriente Médio, em que o Irã tem interesse em expandir a sua atuação. Esse fato acabou levando o presidente Donald Trump a adotar várias medidas, tentando fazer o Irã limitar sua atuação fora do seu território. Porém, não era a interação do Irã fazer isso.
Com o decorrer do tempo, os EUA viram que os bilhões de dólares investidos e as facilidades econômicas concedidas ao Irã durante a gestão Obama estavam sendo menos utilizados para benefício da população iraniana e mais para preparação de armamentos capazes de transformar o país em uma potência militar. Esta medida conferiria ao Irã o poder de influenciar, através de uma agenda revolucionária, ações no Líbano, na Síria, no Iraque e em outros países da região.
Enxergando além da aparência diplomática, o governo americano deixou o acordo e iniciou pressões econômicas mais fortes contra o Irã, que perdeu fôlego na sua própria sobrevivência econômica. Essa medida impões ao Irã a opção de sentar à mesa para negociar novos termos, ou para limitação do seu próprio expansionismo político na região ou, contrariamente aos EUA, frear o expansionismo Iraniano.
O general Qassem Suleimani, considerado a segunda pessoa mais forte do país, entendeu que o mais adequado para o Irã seria criar uma série de ações belicosas, por parte do Irã, para através delas buscar um acordo com os EUA que fosse mais favorável ao Irã. E, como disse o próprio presidente americano Donald Trump, o Irã nunca ganhou uma guerra, mas sempre venceu todas as batalhas diplomáticas e sempre fez os melhores acordos.
O que aconteceu com isso é que ele passou a iniciar uma série de ações que viessem de alguma forma a forçar aos EUA a essa posição. Então, foram iniciados uma série de atentados contra navios americanos e outros navios na região, a derrubada de um drone americano fora da área do Irã e, entre outras ações, a preparação para ser feita uma nova Benghazi no Iraque.
Acompanhamos na imprensa a invasão dos seguidores do general Solimani na área verde onde está a embaixada americana, buscando verificar um mínimo de resistência para lá criar um novo Benghazi. Esse era um plano que todos sabiam. E, sendo feito isso, eles tomariam a embaixada americana e os reféns americanos. E tentariam forçar, dessa maneira, aos EUA que negociassem a libertação dos seus cidadãos e dos reféns por conta de uma política menos severa com o Irã, particularmente nas restrições econômicas.
Ao notar esse plano, logicamente conhecido e amplamente divulgado, o presidente americano Donald Trump entendeu que esta negociação, próxima e futura, deveria ser feita com reféns já obtidos pelo Irã e que o país deveria ser paralisado através de uma ação enérgica de liquidação e morte desse general.
Esse olhar histórico é fundamental para entendermos que isso é uma guerra política muito mais travada no campo da inteligência do que propriamente na configuração de ações armadas. Ações armadas apenas conduzidas para pressionar por um acordo.
Feita a intervenção americana, em minha opinião, até bastante cirúrgica, apenas com a morte do general, sem danos colaterais, o efeito foi o levante, primeiramente, dos seguidores do general no próprio Irã e, em seguida, a busca forçada por apoio da Europa na condenação do atentado americano. Logicamente que o que está em jogo não é exatamente a morte do general, mas sim toda uma política, uma geopolítica de dominação do Oriente Médio.
Nesse jogo de inteligências, a Europa acabou entendendo que se ela seguisse numa linha de condenação Americana deporia contra si, tendo, ao final, que aceitar o aumento do preço do petróleo e as consequências do fortalecimento econômico do Irã. Uma atitude tomada muito rapidamente em termos políticos, que obrigou o Irã a moderar suas reações.
É primordial ressaltar a política de negociação leonina que Donald Trump adota, desde que iniciou a gestão. Sendo este o ano da corrida à reeleição, contar com o apoio popular massivo, não obstante às tentativas democratas de encontrar irresponsabilidade no ato do presidente, o próprio partido Democrata não cogitou a situação como antiamericana particularmente.
Analista político e economista
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