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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de novembro de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

29/11/2019 - 14h46min. Alterada em 29/11 às 14h51min

Se professor de outra matéria pode corrigir o Português

Eduardo Jablonski
Já ouvi muito professores dizerem que todos deveriam corrigir e cobrar os erros gramaticais dos seus alunos, mas será que isso está correto? Anos atrás um professor de Administração garantiu ser uma bobagem ensinar Língua Portuguesa num curso universitário, porque todos os acadêmicos, obrigatoriamente, saíam do ensino médio dominando as regras da gramática. Ele mesmo escrevia “bom final de semana a todos” com crase no WhatsApp, embora estivesse cometendo três equívocos num só, uma vez que não existiria essa crase, porque “todos” é pronome indefinido, é masculino e ainda está no plural, enquanto a preposição “a” se encontra no singular.
Já ouvi muito professores dizerem que todos deveriam corrigir e cobrar os erros gramaticais dos seus alunos, mas será que isso está correto? Anos atrás um professor de Administração garantiu ser uma bobagem ensinar Língua Portuguesa num curso universitário, porque todos os acadêmicos, obrigatoriamente, saíam do ensino médio dominando as regras da gramática. Ele mesmo escrevia “bom final de semana a todos” com crase no WhatsApp, embora estivesse cometendo três equívocos num só, uma vez que não existiria essa crase, porque “todos” é pronome indefinido, é masculino e ainda está no plural, enquanto a preposição “a” se encontra no singular.
Há anos corrijo dissertações de mestrado de professores universitários, e todos apresentam inúmeros erros de gramática. Até por isso, inteligentemente, pedem a um docente de Letras para que dê uma olhada.
Uma diretora de uma grande escola do interior, formada em Matemática, critica os seus educadores, porque eles cometem erros normais de linguagem na fala, não colocando o “s” na segunda pessoa do singular etc. A senhora deve ser muito instruída nos números, mas não sabe nada de Linguística e do que essa matéria defende.
Mais de uma vez em conselho de classe, vi professores de outras áreas questionando professores de Língua Portuguesa sobre o porquê de um aluno ter sido aprovado na matéria, sendo que errava tudo nas respostas dos testes das demais disciplinas. Em nenhum momento, pararam para raciocinar que eles não sabem exatamente se o discente está ou não comentando algum erro, visto que eles próprios não dominam as bases da gramática e põem vírgulas entre sujeito e verbo, crase antes de palavra masculina, erros ortográficos dos mais diferentes e algumas preciosidades, como dizer que 2h5min são “duas e pouca’, sendo que “pouco”, nessa situação, é um advérbio, e os advérbios não se flexionam. Já ouvi uma professora de Língua Portuguesa dizer que havia mudado o contrato de uma empresa, porque outra cobrava “menas” parcelas por um passeio.
Numa faculdade de Letras mesmo, conheci centenas de estudantes já atuando como professores de Língua Portuguesa, e eles próprios cometendo erros bisonhos de gramática. Se os professores de Português não dominam a língua de Fernando Pessoa, como professores de Matemática, História, Ciências, Geografia e Educação Física teriam condições de corrigir um aluno? É claro que não têm.
Mestre em Letras pela Ufrgs
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