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Porto Alegre, terça-feira, 26 de fevereiro de 2019.
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Jornal do Comércio

Opinião

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Alterada em 26/02 às 01h00min

O mundo anda tão complicado

Rafael Stefani
O mundo está se tornando cada vez mais complexo. É uma das apostas da ciência para explicar a humanidade. Complexo, não complicado. Explico. A rede elétrica é complicada: existem inúmeras interações possíveis que seguem determinados padrões. Os sistemas complexos além de conter linearidade apresentam organicidade, interatividade, interdependência e heterogeneidade.
Há pouco a dizer contra esta afirmação com exceção de que provavelmente vale para toda nossa história. A complexidade aumenta com o progresso da ciência e um mundo mais complexo não é novidade. O ponto é que, neste momento, testemunhamos uma complexidade distinta. É uma mudança qualitativa, não quantitativa. Não é mais um estágio do que vimos até agora, mas uma profunda reestruturação de como o mundo funciona. Há um terreno fértil para novas explicações naquilo que Stephen Hawking chamou de "século da complexidade".
Em contraste, todo o avanço do conhecimento parece exaurir a paciência coletiva. Enquanto a ciência exige respostas multifacetadas e interdependentes, afinal, há lados em jogo, as pessoas desejam algo simples. O que realmente importa é que a afirmação reflita o que se quer ouvir. Ao invés do aprofundamento espera-se a facilidade, e uma em especial, a que se adapte ao "meu" ideário.
Os radicais (à direita ou à esquerda) alimentam-se desse anseio. Nas mídias sociais oferecem fórmulas rasas que cobrem qualquer inquietação humana. Em um universo sem espaço nem tempo para reflexões, aproveitam-se de pessoas que desejam um mundo organizado de forma confortável. Está tudo ali, em uma sentença. Conceitos enlatados. Clichês que ora ganham adeptos, ora inimigos. Apenas confirmam a adesão do "nosso" ou a recusa do "outro".
De fato, o mundo anda tão complicado... e complexo.
Professor universitário
 
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