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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 05/12/2018. Alterada em 05/12 às 01h00min

Trégua entre EUA e China ainda não facilita comércio

A reunião, mais do que quase apenas uma formalidade diplomática repetida entre as 20 maiores economias do mundo (G-20), desta feita realizada em Buenos Aires, trouxe pelo menos um avanço na área comercial. Tratou-se da trégua na troca de farpas entre os Estados Unidos e a China, que estão às turras desde algum tempo, principalmente por conta das reclamações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre os déficits comerciais recorrentes do seu país com os chineses além de direitos autorais e outros quesitos.
Porém, a trégua comercial anunciada após encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping ainda é vista com cautela por analistas. A avaliação é de que o cenário segue com incertezas sobre os detalhes do que cada um dos lados estará disposto a ceder dentro de três meses. O prazo de 90 dias é o estabelecido entre os dois líderes como período para negociar um acordo.
Nesse meio tempo, a imposição recíproca de tarifas foi adiada, após meses de escalada na tensão entre as duas maiores economias mundiais. Analistas dizem que não é estranho que cada um dos lados coloque luz no que é mais vantajoso ao seu país, mas os comunicados dos EUA e da China levantam dúvidas. É que nenhum relatório sugere que ocorreu, realmente, um avanço concreto nas questões estruturais, nem ficou claro o que mudou no fim de semana em Buenos Aires. Trump usa tarifas para pressionar a China em questões estruturais como transferência de tecnologia e cibersegurança.
Em encontro entre os líderes dos dois países na Argentina, os EUA concordaram em não elevar mais as tarifas sobre produtos chineses em 1 de janeiro, enquanto a China aceitou comprar mais produtos agrícolas dos EUA. Trump usou o Twitter para comentar a reunião com Xi Jinping. Segundo ele, a China reduzirá tarifas hoje de 40% sobre automóveis - o que não está descrito nos comunicados oficiais da reunião.
A Casa Branca informou que, se não houver um acordo entre os dois países no prazo de 90 dias, as tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses subirão para 25%. Trump afirmou que o encontro foi extraordinário e que a relação entre os dois países deu um grande salto. Coisas muito boas irão acontecer, narrou Trump.
O presidente Trump tem se especializado em começar um atrito, acender o fogo da discórdia especialmente na área comercial, para depois ele mesmo tratar de acalmar os ânimos ou mesmo debelar as chamas.
E este jogo tem dado certo pelo menos nas relações comerciais, da mesma forma que ocorreu quando falou bem alto com a Coreia do Norte, que acabou por anunciar o fim dos seus testes nucleares, para alívio da vizinha Coreia do Sul. Agora, os Estados Unidos estão pressionando a China por mudanças estruturais que, mesmo acordadas, levarão tempo para serem implementadas e gerarem efeito. Assessores de governos anteriores na Casa Branca afirmam que Trump entrará em um período de pressão com a eleição de 2020 à vista e precisará decidir se politicamente usará Pequim como um inimigo ou como parte de um grande acordo comercial.
Para o Brasil - em especial, o Rio Grande do Sul -, a promessa chinesa de comprar mais soja dos norte-americanos tem um lado positivo e outro nem tanto. É que os produtores estadunidenses da oleaginosa estão estocando os grãos à espera da retomada das compras por parte de Pequim. No entanto, a necessidade da soja é imediata, e o Brasil tem exportado mais e com melhores preços o que produz, bom para nós. Resta, então, esperar e ver no que vingará do acordo tênue feito entre as duas maiores economias do planeta e a situação da soja brasileira.
 
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