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Porto Alegre, sexta-feira, 09 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 09/11/2018. Alterada em 09/11 às 01h00min

Só por meio da educação vamos mudar o Brasil

Há uma revolta cidadã no Brasil, por conta da corrupção que é denunciada dia após dia. Providências são pedidas, mas temos que observar o ordenamento constitucional nos Três Poderes. Simultaneamente, os últimos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que qualifica alunos para vagas em universidades, mostrou um cenário desolador na maioria das escolas públicas do Brasil.
Os percentuais de aprovação foram baixos em cerca de 90% delas, uma tragédia socioeducacional. O resultado do Enem em relação ao ensino público mostra que, em algum lugar do passado, ficaram as melhores aulas. Responsáveis por 88% das matrículas do Ensino Médio do País, as escolas públicas são maioria entre as que ficaram com nota abaixo da média do Enem. Mas algumas federais e os colégios militares, incluindo o Tiradentes, da Brigada Militar, tiveram boas notas.
O pior é o Índice Global de Status de Professores de 2018 divulgado pela Varkey Foundation, uma organização voltada para a educação. O levantamento avalia como a população de 35 países enxerga a profissão. O índice é feito de uma escala de 0 a 100. A China atingiu a nota máxima, enquanto, no Brasil, a nota foi 2.
Os baixos salários são, ao mesmo tempo, causa e consequência. As pessoas desvalorizam o professor porque ele ganha pouco e ele ganha pouco porque não é valorizado nas políticas públicas. Além disso, os políticos sempre falam genericamente sobre a valorização do docente. Nunca se desenvolve a ideia de que é preciso melhorar a questão salarial, a evolução da carreira, as condições de trabalho e o apoio que ele deve receber da equipe escolar e das famílias. E, na maioria dos casos, o professor não conta com o apoio da família, porque muitas não querem se envolver com o que acontece na escola. Então não querem saber do mau comportamento ou do baixo desempenho do filho. Preferem culpar o professor por essas situações. Propostas que estão sendo colocadas neste momento, como o Escola Sem Partido, em tramitação no Congresso Nacional e defendido pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, do PSL, tendem a acirrar essa relação por colocar pais e professores em lados opostos, por incentivar que o docente seja vigiado, perca a autonomia sobre o que e como ensinar.
Talvez a competição com o computador, os jogos eletrônicos e tudo o que hoje distrai a atenção dos jovens para um estudo mais sério nos faça refletir se não está na hora de combater o presente e o futuro tecnológico com uma volta ao passado. Justamente quando foi feita a reforma do Ensino Médio, por meio de medida provisória e sem um estudo acurado com debates gerais, chega esta péssima notícia sobre a qualidade do ensino público. Isso é triste e preocupa demais com o futuro do País. Em que lugar do passado, ficaram as aulas de leitura, ditado, redação, desenho, canto orfeônico, trabalhos manuais, secretariado, economia doméstica e os tradicionais cursos Normal, Clássico e Científico? Muitos afirmarão que isso é saudosismo piegas e que não se pode voltar ao ensino cujo modelo tem 60 anos ou mais.
Com salários desvalorizados, carga horária intensa em sala de aula e trabalho constante em casa, tudo aliado à falta de respeito em episódios que chegaram até a agressões a professoras que chocaram a todos, o magistério cansou, aqui e acolá. O resultado é que cada vez menos jovens procuram uma formação na área. Mas, com a baixa procura pela profissão, a demanda por docentes seguirá alta. É uma perspectiva positiva. E um consolo.
 
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