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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 07/11/2018. Alterada em 07/11 às 01h00min

A difícil e necessária negociação com o Congresso

Após manifestações fortes e que não agradaram, mesmo dando-se um desconto por ser esse o papel da oposição, muitos dos partidos que não se aliaram ao agora presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o fato é que ele precisa se acostumar ao diálogo, sem abrir mão de suas convicções, mas tratando de acertar pontos de vista com o Congresso Nacional. Até o final deste ano, com certeza será difícil, incluindo o que ele, o presidente a partir de janeiro de 2019, julga ser possível fazer na reforma da Previdência, falada há anos, mas sem andar junto aos deputados e senadores.
Há um consenso de que uma idade mínima para homens e mulheres é essencial. Mas, enquanto tivermos duas Previdências, uma para servidores públicos, correta em muitos casos, bem mais benéfica do que a dos empregados da iniciativa privada, a situação do déficit nos dois setores continuará alto e, o pior, desigual.
É claro que não se pode nivelar todos os servidores públicos com os da iniciativa privada. Há situações diversas. Policiais não podem ficar na ativa até uma idade provecta, com certeza. Ganhar gratificações por funções na administração federal, em certos casos, é plausível. No entanto, o que se fala é que tem que haver um padrão que diminua tantas diferenças entre as duas categorias. Jair Bolsonaro terá muitos desafios na área política, mesmo referendado presidente da República com quase 58 milhões de votos. No encontro com o presidente Michel Temer (MDB), ele tentará se inteirar da situação do País, especialmente das finanças públicas.
Bolsonaro representa a primeira vitória de um candidato considerado de extrema-direita no País e há todo um cenário novo para analisar. É importante destacar que Bolsonaro fez dois discursos; o primeiro, aparentemente mais improvisado, no qual voltou a bater em teclas da campanha. No outro, escrito previamente, ele assumiu compromisso com a democracia, com o Estado de Direito e com a liberdade. E ontem, no Senado, voltou a pregar obediência à Constituição. Todos esperam, com os sinais dados por ele, que o segundo discurso prevaleça, pois a Constituição está completando 30 anos em meio a justas comemorações, mesmo que eivada de dezenas de direitos e muito poucos deveres, segundo críticos da Carta Magna.
Lidar com uma Câmara Federal com 513 parlamentares e um Senado com 81 representantes em meio a siglas as mais diversas, quando sabemos que o Brasil não tem tantas opções ideológicas que justifiquem tamanha diversidade, não é e não será tarefa fácil. A oposição, no seu papel inerente à democracia, estará criticando e apontando o que julgar de errado no futuro governo.
A maior crítica tem sido pelo aproveitamento de alguns generais em postos importantes. No entanto, deve-se ressaltar que o que importa é que eles, agora na reserva remunerada, tenham competência.
A formação militar não é impeditiva do trabalho bem feito, pelo contrário. Antes, a maioria reclamava das indicações políticas para cargos técnicos que resultavam em problemas. Autarquias, ministérios, bancos oficiais e outros setores eram comandados por filiados a este ou aquele partido. Alguns fizeram um bom trabalho, outros fracassaram, pois não tinham o conhecimento das máquinas administrativas e operacionais que lideravam. Por isso, Jair Bolsonaro terá que dialogar com o Congresso, para colocar em prática mudanças que julga importantes. Sem arroubos verborrágicos, como, na campanha, era a sua marca registrada, ainda que com razão, aqui ou ali.
 
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