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Porto Alegre, terça-feira, 06 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 06/11/2018. Alterada em 06/11 às 01h00min

Apoiar o Mercosul e manter comércio com a China

Com seus arroubos verborrágicos que agradaram e também desagradaram a milhões de brasileiros, o agora eleito presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), tem que evitar declarações polêmicas. Com um mundo globalizado há anos, uma frase dita sem uma análise sobre suas consequências pode prejudicar não a ele, mas ao Brasil. Foi o que aconteceu com o caso da China, que, para Bolsonaro, estaria não comprando do Brasil, mas sim comprando o Brasil.
Claro, um exagero semântico, mas que provocou imediata crítica de Pequim, alertando que, caso haja um distanciamento do Brasil com a China, com certeza será o nosso país o mais prejudicado. A briga comercial é entre os Estados Unidos da América (EUA) do também falastrão Donald Trump e os chineses. O Brasil tem bom comércio superavitário com ambos os países, por qual motivo se meter na disputa? Além disso, o presidente da China, Xi Jinping, disse que seu país pretende importar mais de US$ 30 trilhões em bens e outros US$ 10 trilhões em serviços nos próximos 15 anos. O mercado chinês tem uma população de 1,3 bilhão de pessoas e constitui a segunda maior economia do mundo.
Para Xi Jinping, a economia chinesa não é uma lagoa, mas um oceano. Por isso, ventos fortes e tempestades podem perturbar uma lagoa, mas nunca um oceano, salientou o presidente. Da mesma forma, se o Mercado Comum do Sul (Mercosul) não é um mar de rosas em termos comerciais, nosso País tem superávit comercial, principalmente com a Argentina. Logo, declarações soltas, caso do futuro ministro da Economia Paulo Guedes, de que o Mercosul não é importante, causam atritos. E como presidente da República, chefe de governo e da sua equipe de ministros e responsável final pelos negócios e relações internacionais brasileiras, Jair Bolsonaro tem que falar menos e ouvir mais. Em Buenos Aires as autoridades do país vizinho, que tenta se livrar da recessão coma a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), as declarações de Paulo Guedes não foram bem assimiladas.
Mas, diplomaticamente, porta-vozes da Casa Rosada informaram que vão esperar a posse efetiva do novo presidente e sua equipe para entender qual será mesmo a política do Brasil com relação ao Mercosul e possíveis acordos não só com a União Europeia, uma lenga-lenga de 20 anos jamais concretizada, bem como a possibilidade de acordos individuais dos integrantes do bloco com outras nações, como quer o futuro ministro Paulo Guedes. O Mercosul, em especial a Argentina, é o destino de 10% das exportações brasileiras. Neste intercâmbio comercial, o Brasil é favorecido, produz saldo superavitário.
Em 2017 as exportações brasileiras para os demais países do bloco totalizaram US$ 22,6 bilhões, enquanto as importações dos países parceiros do Mercosul significaram US$ 11,9 bilhões - um superávit de US$ 10,7 bilhões, o correspondente a 16% do superávit do Brasil no comércio com todos os países do mundo. Mais de 85% das exportações brasileiras para os países do bloco são de produtos industrializados, manufaturados e semimanufaturados, com maior valor agregado, que geram emprego, trabalho e renda. É o oposto do comércio que o Brasil mantém com o resto do mundo, cuja pauta exportadora é de matérias-primas e commodities.
O Mercosul é, por isso, fundamental para o desenvolvimento industrial, científico e tecnológico brasileiro e base para a geração de emprego, trabalho e renda no Brasil. Então, agregar sócios e não afastá-los, é preciso.
 
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