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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de setembro de 2018.
Dia do Transportador Rodoviário de Carga.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 17/09/2018. Alterada em 17/09 às 01h00min

Trânsito mata mais do que assassinatos no Brasil

Quando a maioria da população, com razão, está escandalizada com a violência que impera nas cidades do País, um outro número não recebe tanta atenção quanto os cerca de 60 mil assassinatos registrados anualmente no Brasil. No trânsito, morrerão, neste ano de 2018, segundo estimativas oficiais, 80 mil pessoas. A projeção está baseada no fato de que, nos primeiros meses do ano, os acidentes de trânsito já provocaram 19.398 mil mortes e 20 mil casos de invalidez permanente no País. Os dados são do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro, órgão da Escola Nacional de Seguros. As principais vítimas são homens de 18 a 65 anos e motociclistas.
Além das mortes e sequelas as mais diversas, muitas deixando inválidos pelo resto da vida homens, mulheres e crianças, pessoas jovens, ainda há um brutal prejuízo, calculado em torno dos R$ 96 bilhões pelas faltas ao trabalho dos acidentados.
Ora, tantas vítimas mostram um quadro de insegurança que está presente e que vem ceifando, dia após dia, vidas nas ruas, avenidas e, muito mais, nas rodovias da nação. Pois, da mesma forma que todos condenam o grande número de mortes violentas por conta do tráfico de drogas, da disputa entre gangues, de desavenças familiares, pouca atenção é dada para o massacre que ocorre no trânsito. Da mesma forma que se pede mais educação, devemos nos lembrar que a educação no trânsito é mais do que importante.
Campanhas são feitas pelas autoridades em diversos níveis e setores públicos e privados, mas os resultados não alcançam um nível de monta. Nos chamados feriadões há um alarme para o recorde - corriqueiro - dos que morreram por conta dos ainda chamados de acidentes de trânsito. Na realidade, são autênticos crimes sendo cometidos, pois acidentes motivados por embriaguez, imperícia, alta velocidade e ultrapassagens não permitidas deveriam ser caracterizados como crimes.
Porém a legislação - o Código de Trânsito Brasileiro - é pífia nas penalidades, começando pelos valores de multas. Além do mais, alguém embriagado acabar criando uma situação com morte no trânsito jamais poderia deixar de ser levado à prisão, como, agora, tem ocorrido, felizmente, sem fiança.
Além disso, a quantidade de veículos, especialmente de automóveis, só tem aumentado no Brasil. Se é um bom sinal no quesito economia, eis que ter um carro próprio é o sonho geral e tem sido realizado por mais e mais brasileiros todos os anos, por outro lado, coloca na direção também algumas pessoas sem condições de responsabilidade.
Há casos de veículos em circulação que têm milhares de reais em multas, motoristas dirigindo mesmo com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada e correndo além dos limites permitidos. Da mesma forma, o uso de motocicletas nos serviços de entregas domiciliares nas cidades leva muitos jovens condutores a exageram nas corridas, literalmente, para entregar alimentos, algo que ficou por demais popularizado de alguns anos a esta data.
Nada contra, é um serviço bom que dá sustento a tantos jovens. O problema é a indisciplina, especialmente à noite, quando sinaleiras são ignoradas no sinal vermelho. Todas as cidades estão com um número jamais antes pensado de veículos. Porto Alegre tem 800 mil para uma população de 1,5 milhão de pessoas. Não há regramento, ruas e avenidas que consigam escoar, com boa organização, tanta movimentação. Aí é que entra a educação de cada motorista, mesmo que não haja um guarda à espreita. Obedecer às leis de trânsito somente por medo de multas é o símbolo do despreparo e a causa de tantas mortes.
 
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